Review| Uma escada para o céu, de John Boyne

Ao topo e além. Custe o que custar!

Um jovem atraente, bonito, simpático e autoconfiante. Esse é Maurice.
Um alpinista social escalando seu sucesso através de autores de verdade, criativos e talentosos. Um cara cuja arma é a beleza, que ele utiliza como isca para atrair o que quer e quem ele quer.
Ele sonha em ser um autor consagrado, renomado e premiado. Almeja vencer o “The Prize”. Quer entrar para a história, quer ser alguém lembrado, aclamado e admirado na literatura. E para chegar lá, no topo, não vai poupar ninguém. NINGUÉM MESMO! Pois na cadeia alimentar Maurice já está no topo da pirâmide. Ele é um predador em busca de novas presas e , é claro, seus valiosos manuscritos.
Ele é um psicopata social, que se aproveita sem nenhum pudor de pessoas inocentes. Facilmente se aproxima delas e vai aproveitando-se da generosidade, da carência, da vulnerabilidade, do vazio que algumas sentem em suas vidas. E Maurice vai preenchendo essas lacunas. Vai conquistando a amizade, a confiança, ganhando espaço e dominando o território delas. Tudo para ter sucesso e fama a todo custo.
Pessoas não passam de um “Às’ escondidas nas mangas de Maurice. Trunfos a serem jogados e descartados por ele na hora exata. As ações que ele pratica não lhe trazem o menor sentimento de remorso, culpa, empatia ou compaixão. Pessoas , para ele, significam peças importantes de um jogo de xadrez que ele vai movendo e usando numa impetuosa partida. São meros trampolins sociais. É pular em cima delas e se projetar. LI-TE-RAL-MEN-TE.

Olha, fazia tempo que eu não sentia tanta raiva por um personagem. Maurice (o bonitinho mas ordinário) conseguiu entrar na minha listinha de desafetos literários com louvor.

Fiquei muito contente de a TAG ter trazido para o Brasil e em primeira mão para seus associados, o Irlandês John Boyne. Mesmo autor do inesquecível e marcante “O menino do pijama Listrado”, que emocionou tantas pessoas.
Em “uma escalada para o céu” o autor também traz algumas breves nuances do Holocausto, sem se aprofundar muito no assunto, mas o suficiente para nos lembrar do maior genocídio que o mundo já conheceu. Traz também outros detalhes para nos tirar da zona de conforto. Que não vou citar aqui, para não estragar as surpresas.

O livro é dividido em três partes e apesar de enveredar bastante o universo literário não se tornou uma leitura cansativa . A leitura fluiu bem, os personagens foram bem construídos e cada um nos traz um sentimento diferente.
A leitura mexe muito com nosso estado de espírito. As ações dos personagens ao longo da trama nos transmitem raiva, aflição, compaixão,revolta. É incrível como aciona em nós aquela tecla do senso de justiça.

É perturbador sim pensar que existem vários “Maurices” por aí, dirigindo carros, liderando empresas, pintando paredes, servindo mesas. Indivíduos inescrupulosos. Homens e mulheres transitando por aí como verdadeiros camaleões . Camuflados na sociedade. Passando todos os dias por nós, despercebidos.
Que venham mais leituras assim em 2020.
Com certeza foi um dos melhores títulos trazidos pelo selo TAG Inéditos de 2019.

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