Review | Um cântico para Leibowitz, de Walter M. Miller Jr.

Review | Um cântico para Leibowitz, de Walter M. Miller Jr.

Clássico da ficção científica, pouco conhecido e recentemente reeditado pela Aleph

O mundo como conhecemos foi devastado por uma guerra nuclear. No século 26, a ciência e a tecnologia são repudiadas, o conhecimento é tratado como uma espécie de “pecado”. Por isso, a parca documentação que sobrou é guardada em mosteiros, como uma forma de ser preservada e estudada.

O livro “Um Cântico Para Leibowitz” é divido em três partes (Fiat homo, Fiat lux e Fiat voluntas tua) e todas se passam no Mosteiro da Ordem de Leibowitz, em intervalos de mais ou menos 600 anos. A escrita é recheada de referências bíblicas e de críticas à religião e à ciência.

Um dos fios condutores da história são as tentativas dos monges em decifrar o que diz essa documentação antiga, tratada como “relíquia”. Interessante também a atmosfera de tensão que se estabelece nas relações entre os monges e deles quanto ao conteúdo dessa documentação. A revelação da origem dessa relíquia é um baita alívio cômico.

É o tipo de leitura que leva o leitor, pelas descrições, diálogos e temas, imerso numa reflexão crescente e, de repente, o livro te entrega uma cena bizarra, uma frase engraçada, que te tira do torpor.

Sobre o autor, importa dizer que lutou na Segunda Guerra Mundial e participou da destruição de um monastério italiano (Abadia dos Beneditinos), episódio este que certamente inspirou a criação do enredo. Suicidou-se, aos 72 anos.

Recomendadíssimo, um clássico da ficção científica, filho único do autor Walter Miller Jr.

Dou destaque ao seguinte trecho, ainda que eu pudesse citar uns dez:

“Os homens, quanto mais se aproximam de um paraíso por eles mesmos construído, mais impacientes parecem ficar com a sua obra e consigo próprios. Fizeram um jardim de prazeres e, progressivamente, tornaram-se infelizes à medida que crescia em riqueza, poder e beleza; talvez, porque então foi-lhes mais fácil ver que algo faltava nele, alguma árvore ou arbusto que não crescia. Quando o mundo jazia na escuridão e na tristeza, era fácil crer na perfeição e desejá-la ansiosamente. Mas quando tornou-se brilhante com a inteligência e as riquezas, começou a pressentir a estreiteza do fundo da agulha e a exasperar-se, pois nada mais havia a esperar. E agora iam destruí-lo outra vez — este jardim do Paraíso, civilizado e sábio — iam outra vez dilacerá-lo, para que o Homem pudesse voltar a esperar no meio da escuridão angustiosa”.

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