Review | Todos os Pássaros no Céu de Charlie Jane Anders

Uma história de guerra entre ciência e magia

A Editora Morro Branco nos traz mais um premiado sucesso. Todos os Pássaros no Céu da autora Charlie Jane Anders ganhou os prêmios Nebula Award, Locus Award e finalista do Hugo Awards. Um livro que mistura fantasia, ficção cientifica e um toque de romance.

Na trama, somos apresentados a Patrícia, que aos 6 anos descobre que pode falar com pássaros e com os outros animais, e a Laurence, um garoto que desde pequeno era apaixonado por ciência, computação e eletrônica, construindo supercomputadores e máquinas do tempo de 2 segundos. Eles se conhecem por acaso, ainda na escola, e por serem tão diferentes um do outro, nasce uma amizade que os ajudará a passar por esse difícil período. Juntos enfrentam o bullying para viver um pouco em paz.

Eles sabem que são diferentes e devido a fatos misteriosos até para eles, se veem obrigados a se separar. Dez longos anos se passam e eles voltam a se reencontrar, Patrícia formada bruxa numa escola de magia e Laurence um cientista tentando salvar a humanidade. Conforme eles retomam a antiga amizade e a conexão entre eles retorna, eles se veem em lados totalmente opostos em uma guerra entre ciência e magia onde o destino do mundo acaba dependendo dos dois.


A autora nos apresenta aqui uma história repleta de detalhes, é construída com muitos elementos da ciência e da natureza, tudo é muito bem explicado e fundamentado, nesse ponto já se nota a preocupação da autora em pesquisar para passar as informações mais precisas possíveis, mesmo se tratando de um assunto que muitos não conhecem a fundo, como a ciência, e outro tão amplo pela parte da imaginação, a magia.

A autora fundamenta bem a vida dos personagens na infância, a relação com os pais, a vida na escola e as dificuldades de crianças consideradas “diferentes” e por isso sofrem bullying. Porém nessa ambientação toda da infância nos leva a crer que a história tomará um rumo e, quando se reencontram na vida adulta, a história toma outra direção. A autora também se preocupa em ambientar bem a vida adulta dos personagens, para que fique claro os fatos que levam ao ponto culminante, porém, por já ter a ambientação de toda a infância, a vida adulta dos personagens acaba se tornando uma coisa um pouco cansativa e monótona, a história fica meio parada da parte principal dando passagem a vida adulta e a uma junção de ocorrências na tentativa de explicar o porquê de cada fato no final.

O vilão, Theodolphus Rose, aparece logo no início da história, bem ambientado, pertencente a uma linhagem secreta de assassinos. Entra na história com objetivos claros, mas, devido as regras de sua linhagem, tem de tentar chegar aos seus alvos de formas menos evidentes. Ele aparece ainda na infância de nossos personagens e torna a história muito mais interessante, mas, por algumas regras do clã de assassinos, somos levados a crer que o vilão irá desenvolver outros planos. Mas a autora acaba por anular um pouco Theodolphus na história, bastando sua forte participação apenas na infância de Laurence e Patrícia. O personagem que tinha tudo para ser um ótimo antagonista, foi mal aproveitado, tendo um fim um tanto fácil demais para o tipo de vilão que se mostrou ser no início da história.

Crianças – disse Theodolphus Rose – São adultos que ainda não aprenderam a transformar o medo em fantoche.

O final do livro também acaba tomando um rumo muito inesperado, fugindo do que a própria história nos leva a crer que aconteceria. A história começa de uma forma e muda o que tinha como principal vantagem, fazendo o final se tornar fraco e com muitas pontas soltas. O romance que se desenrola entre os personagens no decorrer do livro também acaba sendo muito clichê. Trilha o caminho mais fácil e totalmente previsível.

Mas mesmo alguns pontos do livro sendo cansativos, a autora se mostra de uma imaginação incrível, sem medo de sair dos padrões desse tipo de escrita, a riqueza de detalhes demonstra a preocupação em mostrar o real da ciência e ela traz duas formas distintas de ver o mundo: do ponto de vista científico e do ponto de vista da natureza/magia.

Ela apresenta essas duas visões de mundo e faz com que percebamos que se trata exatamente do que vivemos hoje: olhar o mundo pelo olhar da ciência, de como funciona cada coisa, descobrir outros mundos e outras vidas, o olhar para a natureza, a beleza do mundo, das florestas e dos animais temperado com essa vontade de manter tudo em ordem e cuidar da natureza.

                É aí, nesses dois pontos de vista tão opostos que tudo acontece…

[email protected]: Sociedade é a escolha entre a liberdade nos termos de outra pessoa e a escravidão nos seus.”


A história é boa e surpreendente pelos rumos que toma, te aconselho a ler o livro sem expectativas e contar aqui pra gente o que achou da leitura.

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REVER GERAL
Nota
6
Sou a romântica desse enorme Multiverso! Livros são minha eterna paixão, HQs entraram arrombando a porta do meu coração e estão me levando a uma alegre falência... como não se apaixonar pelo Batman ou não amar o Aquaman vulgo Jason Momoa. Este é o meu mundo! Seja bem vindo a ele!

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