Review | Meu Pecado, de Javier Moro

Meu pecado de Javier Moro foi um dos lançamentos de Fevereiro da Editora Planeta.

Confesso que quase me deixei abater pelo titulo brega e pela capa deste livro, ambos de dar vergonha de ler em publico, mas acho que tudo isso foi proposital.

Ainda bem que deixei o preconceito de lado e segui em frente com a leitura, pois o autor nos leva por uma grande viagem à uma época histórica que me parecia tão próxima, mas que durante a leitura, eu percebi que não sabia nada sobre aquele momento do mundo.

O titulo nos remete a uma novela mexicana ou a um chick lit de banca de jornal da década de 80, mas este livro é muito mais do que isso.  É uma pequena lição de história. E se dependesse de mim o nome deste livro seria simplesmente Conchita.

O autor Javier Moro, famoso por romancear fatos históricos, desta vez leva o leitor aos anos 30, onde todos os sentimentos eram exagerados, como nos filmes em preto e branco que assistíamos no passado. As mulheres eram divas e os homens cavalheiros. E todos se apaixonavam perdidamente.

O cinema de Hollywood estava em transição. O cinema mudo dava espaço ao cinema falado, e isso se tornou um problema para os estúdios. Um filme, sendo mudo, podia ser assistido em qualquer lugar do mundo, mas agora filmes falados em inglês não conseguiam atingir todas as massas.

Estamos nos primórdios desta mudança, então ainda não existiam dublagem ou legendas.

Sendo assim, a maneira que os estúdios encontraram para continuar atingindo diversos mercados, foi gravar o mesmo filme em diversos idiomas. A produção normalmente tinha um astro americano que gravava o mesmo filme em diversas línguas, e o elenco coadjuvante mudava de acordo com a língua a ser falada na película. Isso fez com que Hollywood tivesse artistas do mundo inteiro.

E é neste mundo competitivo que chega Conchita Montenegro.  Ela nasceu na Espanha e  começou a trabalhar cedo como bailarina. Com 19 anos, após alcançar o sucesso em um filme feito na França, ela recebeu uma proposta da MGM (Metro Golden Mayer) para trabalhar como atriz em Hollywood e foi para lá com sua irmã mais velha, que tinha como missão cuidar da menina mais nova.

Mas Conchita não era muito afeita a regras e como toda mocinha de filme antigo, se apaixonava  facilmente.  Ao chegar à Hollywood foi logo recebida pela colônia espanhola que já estava bem instituída por ali e fez diversos amigos que passaram a suprir a saudade que ela tinha da Espanha, mas aos poucos foi vivendo novas paixões, que logo  lhe ajudaram  a crescer em Hollywood, até conseguir quebrar a barreira da língua e conseguir papeis em grandes filmes americanos também.

O autor vai costurando a história de Conchita com diversos fatos históricos e nomes famosos. Ela conheceu Chaplin, ou melhor, ele se encantou com seu visual de ninfeta com seus 19 anos. Conheceu  o Gordo e o Magro e Buster Keaton, quer eram obrigados pelos estúdios a fazer os mesmos filmes em diversas línguas. Recebeu conselhos de Greta Garbo e conheceu Rita Hayworth antes do sucesso. Mas a relação que mudou sua vida foi com Leslie Howard, que viria a ficar mundialmente  famoso no papel de Ashley Wilkes em  E o Vento Levou, mas que nesta época já era o principal galã da MGM. Eles se apaixonaram durante as filmagens do primeiro filme americano de Conchita, mas este amor nunca pode ser definitivo, pois Leslie Howard era casado. Não podendo te-lo, ela acaba se casando com Raul Roulien, um brasileiro que foi galã em Hollywood na mesma época e chegou a ser apontado como um substituto de Rodolfo Valentino.

Mas ela nunca esqueceu Leslie, e 13 anos depois, em plena Segunda Guerra Mundial, um reencontro entre ambos acaba trazendo importante influência na participação da Espanha no conflito mundial.

E assim como estas, são muitas historias que o autor vai nos trazendo e são tão interessantes, que parecem fictícias, e me deixavam curioso, me fazendo pedir ajuda ao Google,  que na maioria das vezes  acabava confirmando que era quase tudo verdade.

Ler este livro me levou ao passado. Trouxe-me vontade de assistir velhos filmes em preto e branco e viver em outra época.

Mas também me fez perceber que hoje no Brasil, só conhecemos artistas que foram gerados pela televisão, e nem sabemos o que existiu antes disso.  A história de Raul Roulien é uma delas e vale uma pesquisada no Google. Quantas histórias saborosas como esta deste livro não foram perdidas com o tempo, principalmente em nosso país que parece não se interessar por sua história.

Porém nem tudo é perfeito. O livro apresenta 3 pontos negativos em minha opinião:  Seu titulo, que mascara uma ótima historia. A diagramação da Planeta, que parece que quis gastar menos papel , então precisou diminuir a fonte do texto e deixar menos espaço nas margens.  E por fim, senti falta de fotos da época, algo que seria muito interessante para melhor contextualizar a obra e seu momento histórico. Mas nada disso estraga a leitura.

Por fim, parabéns a Javier Moro  por ter conseguido levantar tantos detalhes e trazer a luz um personagem tão interessante quanto Conchita Montenegro e obrigado a Editora Planeta por ter trazido a obra para o Brasil.

E você? É fã de cinema? Já ouviu falar sobre algum destes personagens citados neste livro?

Já leu este livro? O que acha do titulo dele? Vende a estoria ou afugenta o leitor?

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