Review | Willow by Julia Hoban

Poucos livros foram capaz de me surpreender tanto quanto Willow. É uma capa que a grosso modo não te transmite nada, mas depois que você lê a sinopse aí sim tudo começa a fazer mais sentido.

“Os pais de Willow morrem em um trágico acidente de carro, a deixando não só com a dor de enfrentar uma perda, mas também com o peso da culpa, já que era ela quem dirigia. Sete meses depois, seu irmão maior quase não fala com ela, acha que seus colegas de classe a culpam pelo ocorrido e Willow se livra do sofrimento marcando todo seu corpo com as feridas do passado. Mas quando um garoto chamado Guy descobre seu segredo, nascerá uma intensa relação que conseguirá tirá-la desse mundo estranho que ela mesmo formou. É difícil guardar um segredo quando você o leva escrito pelo corpo todo.”

Julia Hoban foi no âmago da sua personagem, e me passou uma confiança, uma certeza do que queria passar que eu fiquei encantada; o que foi ótimo pois estava um pouco cansada de livros que não te acrescentam nada, livros sem nenhum objetivos e com histórinhas sem nexo.
Willow vê sua vida mudar no dia em que é motorista de seus pais e se envolve num grave acidente que resulta na morte deles. Nesse dia em diante sua vida muda drasticamente em todos os sentidos.
Agora Willow é uma adolescente que não tem pais, pois – segundo ela própria – os matou. É obrigada a ir morar com seu irmão David, que é casado, a única pessoa que restou de sua fámilia. Deixa sua cidade e a melhor amiga, Markie, pra trás e tentar dar continuidade com a vida… pelo menos tentar.
Tanto sofrimento e culpa faz com que Willow arrume uma válvula de escape. GILETE. Quando tudo o que sente, as lembranças, a tristeza vem à tona, a gilete passa a ser a sua mais nova amiga e companheira. Cortes de alívio nos braços, nas pernas e sem nem mesmo ligar para quando fará isso, seja no banheiro da escola, no parque, em casa ou na sala de aula.
Willow às vezes me intringava. Não fiquei chateada ou achei a leitura maçante. A leitura foi ótimo, muita introspecção e sofrimento; mas o fato de Willow sofrer tanto e querer “se vingar” pelo havia feito me intrigava. Era um luto, uma comiseração em demasia, em alguns capítulos ou trechos eu não fui capaz de compreender. Aí vinha aquele pensamento: “E se fosse comigo? Faria a mesma coisa?” Até Guy chegar. Vi que não era a única; ele teve as mesmas reações, porém conseguiu ser mais compreensivo e atencioso.
Guy é um carinha muito inteligente e interessante, foi capaz de apoiá-la e ajudá-la. A amizade entre eles cresceu foi muito bonita, fez Willow perceber que não estava tão sozinha e excluida do mundo. Tudo aquilo que era sem cor foi transformado quando estava com ele; tudo era diferente até ela. As coisas antes de Guy pareciam ser mais fáceis pois tudo o que ela se permitia sentir era um dor física sem precedentes.

” – Você não parece nada com Próspero. – Willow protesta. – Se eu tenho a dizer alguém, você se parece com… Bem, é exatamente com Ferdinand.
Willow pára para pensar em quão isso é certo. Claro que ele é como Ferdinand: é o heroí romântico perfeito. Também recorda as palavras que Miranda pronuncia quando vê pela primeira vez Ferdinand:
“Ó admirável mundo novo que possui tanta gente assim…”
Ao contrário de Miranda, Willow está em um mundo novo, e mesmo que nunca tenha escolhido estar aqui, ela ficou surpresa por ter encontrado alguém tão incrível como Guy.”

Eu adorei e recomendo!
10 de 10 universos
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