Review | Misconduct

Meu primeiro contato com a autora Penelope Douglas foi sensacional, porque sou muito apegada à autoras boas que deixam uma boa impressão. E agora meu cérebro está aqui num cricricri danado para eu poder começar a escrever essa resenha e expressa coisas maravilhosas que li. Cadê? Cadê? Porque estava vindo de uma maratona para terminar quatro livros pendentes do ano passado e isso sugou todas as minhas forças e a minha vontade de ler foi embora.  Então eu poderia começar dizendo que estava numa ressaca literária intensa e Misconduct salvou a pátria nesse dia maravilhoso, pois ler algo cativante era justamente o que eu estava precisando.
A escrita da Penelope te conduz com cadência e habilidade em cada ponto do livro; não é nada maçante e nem contraditório. Mas o que realmente deixa o leitor viciado no que ela tem a dizer é o rumo que a história toma, porque temos dois personagens com personalidade muito fortes duelando pela vontade de ficar juntos e não poder por foras das circunstâncias de terem se encontrado num momento errado. E esse ponto manteve toda a narrativa muito vívida e alerta o tempo todo.

“Mas agora ela estava aqui, e ainda era a professora do meu filho, isso é perigoso e proibido, o que só aumentou o meu fascínio por ela, e ela tinha estado esta noite tão quente como naquela sacada aqueles meses atrás, a diferença é que agora eu não podia tocar nela porra”

Easton Bradbury foi uma das primeiras protagonistas que não me fez revirar os olhos a cada vez que abria a boca, e em muitos momentos durante a leitura me vi rindo das suas atitudes positivas e bem pensadas. Ela é uma ex-tenista que decidiu dar outro rumo a sua vida depois de deixar o passado de lado, e agora quer se tornar a melhor professora que a escola privada de New Orleans conhece. Ela tem como objetivo tentar conduzir seus alunos com maestria e tocar seus corações com a habilidade e novos métodos de ensino que possui, mas não claro sem alguma rebeldia por parte de alguns alunos… ou por parte de um em especial.
E quando Easton conhece Tyler entende porque está tendo tanta dificuldade em atingir o filho dele, que tem causado prolemas nas suas aulas e não colaborado para as mesmas. Senhor Marker é aquele tipo de homem em sucedido que sabe tudo e muito mais sobre seus negócios, porém quando se trata de alcançar seu filho é outra coisa.

“Eu não me dava exatamente bem com o meu pai o tempo todo, quer dizer, mas eu o respeitava. Christian não poderia respeitar-me menos do que ele já fazia. E foi ficando cada vez mais difícil ignorar a voz na minha cabeça que dizia que era tarde demais”

Fiquei comovida na maneira da autora trazer a atenção para uma profissão que é pouco abordada nos livros. A arte de ensinar tem sido tão desvalorizada tanto por parte dos governantes como por parte dos próprios alunos que ver como a autora soube abordar um tema tão cativante  sob o ponto de vista de alguém capaz. Amei cada pedacinho disso, e me fez lembrar da minha adolescência na escola. Easton tem métodos bem diferentes, e acho que se realmente aplicados poderiam ter um bom resultado por parte de pais e alunos. Outro fator também, é em como nos EUA a escolas privadas voltam bastante sua atenção para a interação entre pais e alunos e o modo como os professores interagem em com isso. Vi um pouco disso em Gilmore Girls quando a Rory vai para Chilton e a
Lorelai tem algumas reuniões com os professores. Vemos muito disso em Misconduct.

“Mas a verdade era que eu meio que me importava. Eu gostei e na minha memória não me lembrava de ter desfrutado tanto de uma mulher desde a nossa noite juntos, e nós só tínhamos conversado. Seu mistério tinha feito à atração mais divertida, e eu não queria que isso acabasse”

E em um mundo literário onde o importante é o que você tem e não as pessoas que lhe rodeiam, quem lhe dá amor ou os laços que você faz durante a vida, devo dizer que esse livro traz à tona assuntos muito importantes como o que deve ser colocado em primeiro lugar na vida de uma pessoa. Nos livros vemos muitas pessoas bem sucedidas e vivendo de prazer e nunca se questionando o que andam fazendo da sua vida e as decisões erradas que fizeram, e foi nisso que Misconduct me conquistou porque abordou um homem maduro procurando respostas e tentando resgatar o que perdeu.
Ambos os personagens tem falhas e personalidades muito fortes, porém são muito conscientes disso e tentam se adaptar um ao outro. Não há guerra de quem é o mais forte, ou quem tem que ser submisso ao outro. Uma relação em igualitária e equilibrada. A atração mútua e proibida traz muita interação e aquele jogo que eu tanto gosto quando os personagens precisam lutar para ficarem juntos está lá o tempo todo mantendo o leitor acesso e ciente de algo novo pode acontecer a qualquer momento e a página virar.

“Eu pensei que a mídia seria um ótimo lugar para a rede e ser visível para as minhas aspirações políticas, mas fazer algo que você não podia tocar fazia eu me sentir vazio”

Preciso apenas citar a chateação que foi para mim de ter muitas cenas de sexo, mas até que foram divertidas e sempre com bastante diálogo (algo que eu sinto falta nessa cenas, porque parece que tudo no final é só isso!). E até mesmo quando eu achei que a autora fosse me fazer infartar com uma cena previsível, ela ia lá e tirava isso de cena e eu podia respirar aliviada. E foi por isso que todo o livro vale muito a pena, porque é cheio de enredo, tramas e um plot twist muito bom.
E devo acrescentar aqui como essas sinopses tem me deixado desanimada, porque quando as leio não sinto nada. Se não fosse essa capa, sei não… ela é cheia de suposições, enquanto essa sinopse é totalmente vazia.
Recomendado!
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