Review | Contato Visual de Cammie McGovern

Eu já tenho esse livro há muito tempo e precisou do lançamento de Amy & Matthew (da mesma autora) para eu dar uma chance para ele. Esse livro foi uma surpresa tão boa que eu quis mais livros da Cammie McGovern para ler (Já comprei meu exemplar de A&M).

Um suspense contado sobre o ponto de vista de uma mãe que tenta fazer com que seu filho autista que presenciou um assassinato envolvendo uma garotinha conte para a polícia o que realmente houve. 

“Ela é encontrada morta. Ele, vivo. Ela foi a vítima. Ele, a testemunha. Um crime que choca, que provoca a opinião publica e pede solução imediata…”

Uma mãe que faz tudo pelo seu filho. Essa pessoa é Cara, que tenta ajudá-lo de todas as formas possíveis a se comunicar e “dizer” o que aconteceu no playground da escola. Contato Visual não é um livro simples e de agradável leitura. Muitas vezes me vi incomodada por nunca ter pensado nas diversas formas em que um autista vive ou então em como ele pode ser ajudado em interagir com o mundo ao seu redor. 
E digo a você que fará a leitura que preste bastante atenção desde o momento em que iniciar a leitura, porque tudo é importante para desvendar o que está acontecendo. Todos os personagens são importantes, mas a autora me deixou tão confusa que eu mudava a todo o momento o meu “suspeito”. E isso de certa forma foi muito bom, me deixou ligada no enredo e em cada pequena coisinha que estava acontecendo na trama.
É uma narrativa densa, eu descreveria assim, que dosa na medida certa um fictício suspense com informações e descrições tão fundamentadas, que assustam pela impressão de veracidade que passam sobre o universo autista em muitas nuances. Os pensamentos insondáveis de uma criança presa dentro de si mesma e os sentimentos de todos os envolvidos num assassinato inexplicável; o cotidiano de uma escola como milhões de tantas outras… o Bullying e como crianças podem ser cruelmente sádicas.

“Eles respiraram fundo e viram Adam fechar os olhos para absorver as maravilhas dessa nova música: um vibrato em língua estrangeira em surround-sound. Adam amou ópera desde a primeira vez que ouviu. Quando um disco acabava, ele chorava até que alguém fosse até o toca-disco, levantasse a agulha e começasse o disco de novo.”

E como não somente o mundo de uma criança, temos também o tempero da história de uma mãe que quer com todas as forças o melhor para seu filho que nunca será como as outras crianças ditas “normais”. E não só isso, como também toda a história de vida de Adam desde o nascimento, as primeiras desconfianças de que ele não estava se desenvolvendo bem, porque não andou logo, ou não falou suas primeiras palavras, e como não focava nas pessoas que interagiam com ele. 

“Sozinha com a mãe, Cara manteve uma atitude estoica de ânimo sobre o bebê e seus escândalos. Toda noite elas se faziam as mesmas perguntas enquanto Adam chorava – Ele estava cansado? Está com fome? -, mas a resposta era nenhum das duas coisas. Ele era um menino sem paz em seu próprio corpo. Se outros bebês se acalmavam depois de serem levados ao colo, ele se contorcia nas mãos que o seguravam, se afastava do peito de Cara, endurecia em seus braços.”

Todos esses ingredientes que citei sem duvida levam o leitor do riso ás lágrimas, da ternura ao ódio; e elevam esse livro ao patamar muito alto. Recomendo sem medo de errar! Qualquer que seja o estilo literário do leitor, esse livro tem a capacidade de se encaixar em todos.

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