Review | Trindade – Volume 1(Universo Renascimento DC)

“A curiosidade sobre a vida em todos os aspectos é o segredo das pessoas muito criativas.”

A frase de Leo Burnett, um dos maiores na história da publicidade criativa, retrata muito o papel que Francis Manapul é, em seu Instagram, nos mostra um roteirista diferente, que tem pouco ou nada a ver com o típico artista de super-herói. Além de ser comum vê-lo colaborar em vários projetos de arte e continuamente tentar novas formas artísticas para aperfeiçoar seu trabalho que já é um dos mais destacados no mercado americano.

Para uma pessoa tão criativa, não deve ser fácil entrar no universo dos quadrinhos de super-heróis. Um universo que pode parecer engessado pelo posicionamento das editoras, e cujos personagens podem ser tornar pelo menos labiríntico para novas idéias, além é claro do gosto do público que pode ser bem imutável. E dentro do que Susan Sontag trata das limitações, Manapul consegue se inspirar e muito.

E o que faz em Trindade – volume 1, título que a Panini trouxe recentemente, parece ser o ponto culminante de uma longa jornada que o autor e o artista vem cobrindo desde que chegou na DC Comics. Algo não tão difícil, pois Geoff Johns soube usar o seu talento, não o afastando dele, fazendo seu artista em como em Adventure Comics, em The Flash ou, mais recentemente, Justice League. Mas, o canadense também queria mostrar seu estilo de escrever e mostrou em The Flash e como também aqui em Trinity pontos compartilhados como a família e seus problemas.

Francis Manapul deixa claro o que ele quer com essa HQ. Com a série tenta preencher com algo meio distante do Universo DC já há um alguns anos: a humanização dos personagens. Em apenas 24 páginas e um jantar na casa desse novo estranho, Clark Kent , junto com Batman Wonder Woman, fala sobre perdas, sobre família, sobre amizade, sobre paternidade. Os dois principais ícones do Universo DC, Batman e Superman, possuem filhos e comungam em problemas.  O volume mergulha neste aspecto humano, interpretando o passado, mergulhando na história dos personagens, na infância que passaram e na humanidade que seus familiares representam.

A relação entre os três personagens é muito bem trabalhada. E há pontos que intrigam bem na história, mas não soltarei spoilers, só digo que um dos melhores quadrinhos DC lançados ultimamente. Confiram. A arte é magnifica, Manapul dilui em seu desenho não só a inventividade de apresentar os personagens de acordo com as vinhetas formadas por seus símbolos, mas pinta aquarelas em cores e detalhes fascinantes. Outros dois desenhistas, Clay Mann e Emanuela Lupacchino completam a série, mas seguem com o estilo apurado do mestre que abre o volume.

Uma série que define bem o que é a criatividade que Manapul explora em outras frentes e agora demonstrando na arte de escrever argumentos. Certamente, quando Albert Einstein disse que a criatividade era contagiosa, não se referia apenas às diferentes pessoas que povoam este mundo, mas às diferentes facetas de um único indivíduo. Curtam que vale a pena, com certeza, uma das séries que será premiada este ano de 2018.

REVER GERAL
Argumento
9,5
Arte
10

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here