Review: Thor – O Renascer dos deuses


O dia em que Donald Blake voltou a ser digno

             J.
Michael Straczynski é um roteirista muito competente quando não está tentando
reinventar a roda. Os monólogos que ele volta e meia escreve em suas obras de super-heróis
consegue trazer à tona conflitos pessoais muito interessantes da forma que
apenas Stan Lee consegui fazer. Assim, era de se esperar que ele se desse bem
com personagens traumatizados como Thor. Mas o que ele conseguiu fazer foi
além. Straczynski conseguiu colocá-lo no seu devido lugar de grandes heróis da
Marvel.
            Não
que a fase anterior do deus do trovão tenha sido ruim, mas Thor: Ragnarok tinha
todo o peso de ser a obra de morte de um herói, o que por si só já demonstra
que o personagem não vivia seus melhores dias. Deveras, muitos roteiristas se
perdiam ao tentar encaixar o lado místico da mitologia nórdica com o mundano, o
que fazia com que embora não fosse odiado, ele também não era o favorito de ninguém.
Traços desta dicotomia pode ser vista até hoje no cinema, onde os filmes que
adaptam Thor não são nenhum Lanterna Verde, mas também não é Guardiões da
Galáxia.
            Em Renascer dos deuses todo o panteão
divino de Asgard não existe mais graças ao resultado do combate de Thor contra
Aqueles que se Sentam Acima nas Sombras. Entretanto como se trata de uma
história Marvel ninguém fica morto eternamente, assim Thor é despertado por
Donald Blake, humano que outrora guardava em seu cajado o poder de se
transformar em deus e enfrentar vilões, e parte em uma missão de despertar
todas as outras divindades que também hibernavam.
            A trama, que começa como um conto
religioso que discute a necessidade de deuses para homens assim como a
necessidade de homens para deuses dá pano para as divagações do personagem-título.
Desta forma, o roteiro nos apresenta vários momentos de auto descoberta
utilizando-se da estrutura de Road Movie,
já que não há maneira melhor de se encontrar do que encontrando o mundo.
Nestes momentos, a arte de Olivier Coipel brilha. Tão emocionante do que ver
Thor segurar Tony Stark pelo pescoço é vê-lo olhar as estrelas.
            Thor provavelmente não é seu herói
favorito. É difícil fazer o leitor se identificar com um deus e seus dilemas míticos.
Foi por isso que Stan Lee criou o médico Blake. Humano, falho, fraco. É o ponto
de vista dele que nos mostra quem aquele ser realmente é. E a sua volta, da
forma como se deu, foi interessantíssima. Querendo ou não, só nos identificamos
verdadeiramente com personagens que, de alguma forma, nos represente.
            Mas, infelizmente, nem tudo é
perfeito. O plano do “vilão” do arco é cheio de furos e claramente só está ali
para gerar as cenas de ação do final da obra. Esta impossibilidade de manter o
ritmo e interesse do leitor sem ter um cara mal na história entretanto não tira
os méritos deste arco. Não é O Último Viking, mas também está bem longe de ser
só mais uma história de martelo e trovões.

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