Review | Superman – Entre a Foice e o Martelo de Mark Millar e Dave Jonhson

Uma nova origem, um novo país, uma velha história!

Depois de anos de espera, pedidos e suplicas, eis que a Editora Panini atende ao pedido de seus fãs e republicam de uma forma melhorada, a tão aclamada e desejada edição de Superman: Entre a Foice e o Martelo. Publicada originalmente em 2003 com o título Superman: Red Son, teve sua primeira publicação aqui nas terras BR em 2006 com uma edição em capa cartunada. Agora é reapresentada ao grande público em uma edição capa dura que merece sua atenção.

Por mais sugestivo que seja baseado no título, de qual premissa se trata Superman – Entre a Foice e o Martelo, temos uma história alternativa de um dos maiores símbolos americanos de todos os tempos. A ideia genial partiu da cabeça de uma das mentes mais pensantes e criativas da indústria dos quadrinhos, Mark Millar.

Basicamente, toda grande ideia surge de uma dúvida: E se… O Superman não tivesse caído no Kansas/EUA e sido encontrado por Jonathan e Martha kent, mas sim caído nas terras geladas da grande União Soviética?

Será que poderíamos acreditar que o maior de todos os super-heróis iria manter sua mesma fibra moral, caráter e amor ao povo terrestre se tivesse sido criado em outro extremo?

Essa pergunta foi a responsável por essa bela edição que merece compor a prateleira de todo bom fã de quadrinhos.

SUPERMAN: ENTRE A FOICE E O MARTELO

Partindo de um princípio, conforme mencionado acima, Superman, agora é um grande símbolo da União Soviética. Pupilo de Stalin, criado em uma grande fazenda coletiva, o Homem de Aço é braço direito do grande homem que comanda suas terras com seu implacável regime comunista, tornando Superman seu principal trunfo para tal. A população está segura, os crimes diminuíram exponencialmente, não há mais nada com o que se preocupar, um vigilante alienígena, com super força, super audição, olhos de raio-x, super sopro, voa, visão com raios laser e é mais rápido que uma bala, está atento a tudo e a todos, e o principal de tudo isso… Ele faz parte do povo!

Os autores deixam claro que Superman, sempre será Superman. Não importa onde esteja, ou que tipo de regime ele tome frente, ele sempre representará esperança pra uns e ameaça para outros. O curioso fica por conta da impressão que os próprios americanos tem em relação ao Super, como se fosse algo além de impensável, cruel e apelativo. Seu país o clama, deseja que Superman seja o futuro substituto do já velho Stalin. Alguém como ele colocaria não apenas a grande pátria no eixo, mas também o mundo todo. A representação do puro poder. Além de ser uma história de uma nova e fictícia origem, o leitor consegue simpatizar e entender muito melhor o personagem, uma demostração clara da forma como Superman enxerga as coisas, vai muito além das fronteiras criadas pelo homem. Apesar de tudo, temos um Super otimista que encara o bem maior como prioridade e não deixará de subjugar ninguém que ameace a paz na terra. Claro que sua criação diferente o faz de uma forma ou outra enxergar as coisas de uma perspectiva melhor, mas isso não significa que afetará suas piores decisões em momentos extremos.

Esqueça as esperançosas e vivas cores azul e vermelha e seu simbolo amarelo que representa o tradicional herói. Seu uniforme agora ostenta seu grande símbolo no peito de sua foice e martelo (representação do regime socialista comunista) com sua predominante cor cinza e capa vermelha.


Ao leitor novo de Superman, vai conseguir entender perfeitamente toda trama, não há nada que impeça isso – e também muito pouco se é pedido para que entenda todo contexto. Claro que Millar não deixaria de presentear os fãs mais antigos do Kriptoniano, incluindo em sua realidade vários e vários elementos que fazem menção as suas histórias convencionais. Personagens fundamentais como Lex Luthor, Louis Lane, Batman, entre outros pilares da DC.

SUPERMAN: ENTRE A FOICE E O MARTELO

Claro que nessa realidade alternativa, os personagens também sofreram mudanças de origem, motivações e filosofias de vida, mas com a essência semelhante que os mantem interessante da mesma forma que sempre foram. Ao fim da edição, desperta a sensação de querer ler novamente e tentar pegar todas as referências usadas ao longo da trama, mesmo que tenha sido apresentadas subliminarmente.

A mescla de ficção e realidade torna essa obra, algo diferente lembrando muito de forma direta as diretrizes dos camaradas do Grande Irmão (1984 – George Orwell – Leia aqui!). Além de encaixar bem com os acontecimentos do universo DC, Millar consegue adaptar de forma plena, os acontecimentos de nossa realidade, como a influência dos EUA na economia global, a corrida armamentista (que foi adaptada para a corrida armamentista super-heroica) e dentre toda a rivalidade que a extinta União Soviética possuía com os EUA também vimos muito sobre a politica da década de 70, onde é ambientada a história. Menções sobre as bombas da época, apresentadas pelo EUA e pela URSS são representadas pelo mostro americano e o Superman. Mesmo Superman não reparando, o partido comunista o quer e usa de sua imagem para criar na volúvel população o sonho soviético. Um primor aos fãs da DC, uma lição de história e uma versão pra lá de especial, desse que é um dos (se não o maior) super-heróis mais conhecidos e amados de todos os tempos.

Comente caso tenha lido, o que achou dessa aclamada edição?

Curta comente e compartilhe o Mundo Hype nas redes sociais e não perca nossos reviews, noticias e artigos. E lembre-se:

“Ele está de olho em você!”

SUPERMAN: ENTRE A FOICE E O MARTELO

REVER GERAL
Nota
9
Leitor compulsivo, bebedor de café e entusiasta quando se trata de leitura. Tecnólogo em Marketing por formação e Locutor por paixão. A minha missão declarada é tornar você, um leitor tão apaixonado quanto eu. A leitura é fonte inesgotável de conhecimento. Conheça-te a ti mesmo!

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here