REVIEW: Samurai X/Rurouni Kenshin

Republicação
do clássico pela JBC chega ao fim

        
       Samurai X
é um dos animes que ajudaram a marcar o território da cultura japonesa no Brasil
nos anos 90. Recentemente, a JBC iniciou a republicação do mangá em terras
tupiniquins da obra escrita pelo mangaká Nobuhiro Watsuki sobre o samurai
andarilho Kenshin Himura, lendário guerreiro que ajudou a derrubar o regime político
do xogunato e deu início à era Meiji, mas que após o fim de uma batalha,
resolve que nunca mais matará e que seguirá o caminho de Rurouni (título
inventado pelo autor para os samurais sem mestres, que viram andarilhos) para
proteger os fracos.
        Este
paradoxo, o samurai que usa espada que não mata, é o ponto forte da obra.  Em todas as histórias contadas no mangá, este
fato ganha atenção especial, afinal, um samurai de verdade luta arriscando sua
vida em nome de um ideal ou de aprimorar suas habilidades como espadachim. Porem,
Kenshin usa uma Sakabatou, espada de lamina invertida, a representação máxima,
e quase metafórica, de seus anseios.
        Tendo como
plano de fundo um período histórico real, a obra pode ser dividida em três sagas,
Tóquio, a maravilhosa saga de Kyoto e a saga de Enishi. A primeira serve
basicamente para apresentar os personagens secundários (todos eles, sem
exceção, muito bem trabalhados). Nela vemos Kenshin enfrentando o clã
Oniabanshuu, Os espadachins Raijuta e Jin-E e outras pequenas histórias. A
segunda, o ponto máximo da obra, mostra Kenshin enfrentando o seu sucessor
Makoto Shishio, um brilhante espadachim que sobreviveu a uma tentativa de
assassinato de companheiros e que visa vingança contra o governos, enquanto o
arco final mostra Kenshin enfrentando fantasmas do passado. Mais informação de
que isto acabariam estragando a experiência.
        Usar um período
e alguns personagens reais tornam a obra ainda mais interessante. É possível ter
uma ideia de o que foi aquela época quais foram os desafios encontrados pelo
governo com o fim da era dos samurais. Mas nem tudo são flores. O mangá sofre
do mesmo mal de que qualquer obra que envolve lutas e que se alongam. Vilões inexpressivos
e desinteressantes que estão ali apenas para fazer volume. Além disso, o traço
do autor torna algumas lutas difíceis de entender o que esta acontecendo. (pode
ser um problema meu, acostumado com quadrinhos americanos que, em geral, tem um
traço mais limpo. Mas o próprio Watsuki desaprova seus desenhos…) Mas ainda
assim, é uma obra altamente recomendável. Fica a Dica.

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