REVIEW: PLANETES (parte 1)

 
“Que
tal? Não é lindo? O meu mar.
Infelizmente…
Vejo apenas um deserto.”
     Desde que a humanidade
conseguiu registrar seus atos conseguimos perceber uma certa tendência a
querermos expandir nossos limites. O homem pré-histórico era nômade por
natureza, tivemos vários líderes políticos que faziam do expansionismo sua
marca registrada (Alexandre o Grande, Julio César, Genghis Khan…), o período das
grandes expedições para a Africa Subsaariana e posteriormente para a América e
a Oceania… São muitos os exemplos que mostram que somos uma galera
irrequieta, um ser que não sabe ficar quieto no próprio canto. E aparentemente
estamos rumando para mais uma jornada, nossa estrada são as estrelas, a
fronteira final.

        Embora este sentimento tenha florescido durante a guerra
fria, ainda hoje não conseguimos alcançar o status que Stanley Kubrick e Arthur
C. Clarke imaginaram no clássico eterno 2001 – Uma odisseia no Espaço. E é
impossível ler Planetes, de Makoto Yukimura, sem perceber que ambas as obras
tem muitas coisas em comum: Gênios que olham com ansiedade e esperança para as
estrelas e sonham com o dia em que as alcançaremos, embora ainda sejam sonhos
pé no chão, sabendo que a estrada será longa e cheia de percalços. É assim em
2001, é assim em Planetes.

        No mangá, seguimos Hachimaki, Fee e Yuri, tripulantes da nave
Toy Box. Eles trabalham como “Lixeiros espaciais”, retirando os destroços de
satélites, naves ou quaisquer outro lixo que a sociedade de 2075 tenham lançado
para o espaço e tenha entrado em órbita com a Terra. Um trabalho absurdamente humilde,
no contexto da história, e que serve maravilhosamente para a ideia da obra,
mostrar o cotidiano e os problemas que podem ocorrer com aqueles que caminham
no espaço.

        
          Indo na contramão da maioria das histórias de ficção
cientifica modernas, Planetes consegue, saindo de algo grandioso (nada é maior
que o espaço, afinal) para criar aventuras extremamente minimalistas. Pouco
importa a ação que é colocada na história em alguns segmentos, o que interessa
é como ela altera a psique dos protagonistas, principalmente de Hachimaki. Isto
cria várias situações intimistas para que, quando somos levados para a imensidão
espacial, percebemos o quanto, por maior que pareçam dentro de nós, nossos
problemas pessoais nada interferem na ordem universal.

    Com um roteiro esperto, cheio de tiradas, metáforas e diálogos
magnificamente escritos e uma arte que transita com absoluta elegância entre o
comum e o exuberante, Planetes é não apenas um mangá, mas uma das maiores obras
da ficção cientifica moderna.

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