Review | Novo Super-Man – Volume 1 (Renascimento)

Um novo Superman? O que vocês acham? Mas dentro dessa nova hype de novos títulos da DC Comics em seu Renascimento, temos um dos mais chamativos a primeira vista deste que foi anunciado no início deste ano. Gosto do azulão em suas diversas fases e admiro a cultura chinesa em geral, mas o Novo Super-Man é uma série que mais me chamou a atenção e estava louco pra ler. E finalmente, o resultado não me decepcionou.

Vale ressaltar que o universo super-heroico da DC e, especificamente, tratando do Superman agora é mais variado do que nunca. Neste Renascimento temos o conhecimento de pelo menos dois Superman/Clark Kent em Metrópolis, além de um Super Lex Luthor que protege a cidade, uma série que traz a Superwoman, que apresenta Lana Lang e Lois Lane de New 52 com poderes e, claro, também temos o carismático Jon Kent, filho do Superman clássico, que retornou depois da morte daquele dos Novos 52.

E somando essa turma toda, temos nada mais, nada menos de mais um Superman, que é um adolescente, um chinês que mora em Xangai e se chama Kong Kenan. Longe de uma visão cética de chamar a ideia como algo “nada a ver”, posso garantir que a série Novo Super-Man é bastante divertida.

Começamos pelos personagens. No caso do protagonista, Kong Kenan, um irresponsável que faz bulling com todos, dedicado a abusar de seus colegas, isto é, roubá-los, ameaça-os, insulta-los, se diverte com eles e todas aquelas coisas terríveis que amarga a vida das vítimas. Mas, aprofundando um pouco no personagem, vemos que é uma pessoa solitária cujo pai não liga muito pra ele e traumatizado pela perda da mãe. Após essa apresentação, temos a humanizamos do personagem, narrando seus dramas, mas tornando-o o herói que será, mostrando que, apesar de ser um valentão, também é um cara corajoso que ajuda os mais fracos, neste caso, paradoxalmente, as crianças ao enfrentar um supervilão naquele momento muito superior a ele.

Em poucas páginas conseguimos empatizar com o personagem que Gene Luen Yang nos apresenta, e pela maneira o roteirista merece elogios. O ato heróico é mostrado pela televisão, o que leva Kenan, pelo amor que sente por uma repórter e pelo pai não dar atenção ao caso, aceitar a proposta de uma cientista para participar de um experimento que o tornaria um super-humano. Fazendo parte de uma liga da justiça chinesa, com um Batman e uma Mulher-Maravilha enfrentam super-vilões e um grupo secreto que faz ações contra o governo.

Uma típica HQ de super-heróis, mas que merece atenção pelo roteiro sem estereótipos que Luen Yang desenvolve, que após uma etapa ruim na série regular de Superman em Novos 52, constrói algo bem diferente, com um tom juvenil que entretém bem e personagens com personalidades bem diferentes das suas contrapartes ocidentais. Kenan é impulsivo, cheio de piadinhas, bem sacana, mas destemido; Baixi (Batman) é um nerd antipático e Deilan (Mulher-Maravilha) é o equilíbrio entre ambos. A relação entre o três é interessante e dá lugar a momentos bastante cômicos. Outros personagens secundários como o pai de Kong e seu misterioso grupo revolucionário, ou a Dra. Presságio, que é evidente que esconde diversas coisas, são as peças chaves para que a série não seja alvo de piadas, e que trazem interesse para o enredo e, obviamente, manter o leitor viciado. Em suma, uma série simples e muito divertida, um pouco americanizada, sem muito da cultura chinesa, somente os aspectos gráficos e estéticos.

O desenho de Viktor Bogdanovic, com a arte-final e as cores, respectivamente, dos veteranos Richard Friend e Hi-Fi abordam bem o cenário de Xangai. Com um traço fresco, Bogdanovic combina seu estilo perfeitamente com o tom da coleção. Com ligeiras influências de Romita Jr., o estilo é limpo e claro, com falta de nuances e detalhes em alguns desenhos dos personagens, mas que lhes infunde um grande dinamismo, enfatizando as cenas de ação e especialmente os monstros e seres não-humanos.

Uma boa estreia, com uma história e personagens interessantes, com segredos a serem revelados e uma boa sacada para o cenário. Uma série que merece a atenção pelo potencial apresentado, vale a pena, conferir.

REVER GERAL
Roteiro
8,0
Arte/Ilustração
7,5
Interesse
7,5

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