Review – Homem-Aranha: De volta ao lar (Salvat)

A
dinâmica entra os velhos dramas e os novos arcos dramáticos

        O Homem-Aranha não se tornou o herói
mais popular da Marvel e um dos mais populares do mundo por acaso. Por debaixo
de sua máscara completamente coberta poderia estar o rosto de qualquer um. Mais
do que isso, seu alter ego, Peter Parker, é um sujeito como o leitor; nerd,
provavelmente com problemas com as garotas, alguns dramas familiares,
dificuldade de encontrar o seu lugar no mundo… O Homem-Aranha, apesar de seus
poderes, era o mais próximo de um herói que seus fãs chegavam, e toda vez que
os roteiristas fugiam muito desta humanização de um ser fantástico em prol de
uma narrativa espetaculosa o interesse nele diminuía, vide a Saga do clone.
        Independentemente de ela ter sido uma história
ruim, as vendagens de O Espetacular Homem-Aranha vinham diminuindo até que o
chefão criativo da Marvel chamou J. Michael Straczinsky ,o criador da série
Sci-Fi Babylon 5, para escrever a revista com desenhos do veterano Jonh Romita
Jr. Desta junção entre um novato e uma cara velha no mundo das Hqs nasceu De
volta ao lar, história do cabeça de teia que tem tudo a ver com sua criação: as
situações nela descrita são novas, mas o sentimento de que Peter é gente como a
gente volta a aparecer.
        Na trama, após se separar de sua esposa
Mary Jane, Peter se encontra no fundo do poço, mas para sua surpresa uma
enigmática figura com poderes e movimentos semelhantes aos seus lhe dá um
aviso: Morlun, um vampiro de pessoas com poderes totêmicos está chegando em
Nova York para caça-lo. Esta ideia aliás, de que os poderes do Aranha não
teriam sido tão obra do acaso como a origem clássica do herói reiterava tinha
tudo para ser o grande calcanhar de Aquiles da trama, mas isso não ocorre.
Primeiro porque o foco não é esse, mas sim em como Peter lida com o aviso e em
como ele está tentando endireitar sua vida (as sequencias dele voltando a dar
aula são incríveis). É esta volta a mecânica, ao jeito de contar histórias de
antigamente que justificam o titulo do arco.   
        Claro que uma vez que a ameaça de Morlun
tenha sido um elemento chave para a ignição da trama ela deveria sem bem
trabalhada. Em geral, novos vilões são vistos com desconfiança e rapidamente
esquecidos em pró de personagens clássicos, mas não é isso que acontece. Morlun
tem estilo, e aplica a maior surra no Aranha desde o arco Tormento, de Todd
McFarlane. As sequencias de lutas são bem escritas e o desenho competente, mas
o que fica é realmente a sensação de que a coisa estava feia, não com rodeios
pirotécnicos de roteiro para criar tramas rocambolescas, mas simplesmente por
haver uma sensação de perigo para o personagem principal.

        No fim De volta ao lar não é uma revista
perfeita. É Difícil não pensar nos motivos que fizeram Morlun demorar tanto
para ir em busca de sua presa, bem como a origem do herói, embora tenha sido um
excelente ponto de conflito do roteiro com o leitor, não é muita mais
aprofundado do que isso. No fim, a resposta para quem nasceu primeiro, a
radiação ou a aranha é um belo tanto faz, além do desenho de Romita Jr., que
tirando uma referência ao trabalho de seu pai (Romita Sr. Desenhava 3 ou 4
Homens-Aranhas por quadro para mostrar a velocidade e agilidade do herói,
Romita Jr. Fez 11) pouco sai do apenas aceitável. Ainda assim era um promissor
recomeço na vida do aracnídeo, pena que depois Straczinsky estragou sua
passagem com histórias horrendas como Pecados Pretéritos, A volta do Uniforme
negro e Um dia a mais…

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