Review: Detective Comics #1 – Escola de Heróis (Renascimento)

Se falamos de super-heróis temos dois títulos que possuem a marca de serem míticas, não por terem sido o conteúdo original do nascimento de dois dos mais importantes personagens do gênero, como também por estarem próximos da cifra de 1000 números. Um número único e mítico reservada para a Action Comics que viu surgir o Superman, e que um ano mais tarde, a Detective Comics, traria o Batman.

Um momento importante que não deve ser ignorado pela importância capital que tem para o meio das Histórias Sequenciais, as HQs. A nova Detective Comics estreia no Brasil pela Panini no formato lombada, com periodicidade mensal, trazendo uma das séries mais interessantes e atraentes de tantas que estão vindo a luz pelo Renascimento.

Detective Comics começa com a premissa de uma poderosa ameaça incógnita que vigia nas sombras tanto o Homem-Morcego como a todos aqueles de seu convívio, o que faz decidir ter uma força-tarefa para lidar com as ameaças, uma equipe que possa fazer frente ao inimigo oculto. Recorre assim a Batwoman, a Órfã (Cassandra Cain), Red Robin e Spolier, como também a um dos vilões mais importantes de Batman, o Cara de Barro (Clayface), que tentará se redimir de seus crimes.

James Tynion IV é o roteirista encarregado de dar forma a isso tudo, o recrutamento, as primeiras fases do treinamento destes  “soldados” com os quais Batman espera poder se reforçar e superar o inimigo desconhecido. E o resultado é bem gratificante, pela maneira dos relacionamentos construídos neste heterogêneo grupo, sobradamente dotado individualmente, mas que deverá aprender muito a trabalhar como unidade de combate disciplinada.

A série traz uma das melhores facetas do personagem de Bill Finger e Bob Kane, o de líder táctico. É uma das minhas preferidas, sua forma de encarar os problemas, marcar quem é quem, ao mesmo tempo que deixa claro sua postura e autoridade, é feito com maestria, como nunca foi feito nos últimos anos. Um Batman colaborativo, que ensina e que também aprende a arte da socialização. Tynion nos retrata a um Batman tenso e brusco, mas humano, que busca nos seus próximos para afrontar o perigo que se aproxima. Diferente da Liga ou dos Renegados que já liderou, aqui parece bem mais motivado por saber da ameaça que o cerca.

Tudo discorre de forma orgânica, de tal maneira que uma situação tão anômala como a presença do Cara de Barro no grupo seja aceita sem nenhum pestanejar. Uma boa amostra do que Tynion está preparando para o grupo  para este primeiro arco argumental.

Uma amostra do trabalho de Barrows.

E por detrás de uma boa história nos quadrinhos, tem que ter um bom desenhista, e temos dois artistas que são capazes de aportar o que Tynion coloca em seus textos. Nos referimos a Eddy Barrows e a Álvaro Martinez. Barrows demonstra que segue em um estado de forma excelente e se marca não só com quadros de uma sólida narrativa e uma composição de página que traz sentimento às cenas convencionais. Martinez é um artista que melhora a cada número que realiza, afirmando seu estilo próprio e se afastando de suas influências criativas. Cumprindo bem a tarefa, pois faz bom uso da figura humana, com boas proporções e sobretudo pela fluidez que mostram os personagens que parece se mover a todo momento.

A boa construção narrativa de Martinez

Uma HQ que merece a atenção pelo que Tynion planeja. Um tomo donde Batman impressiona a cada quadro, mostrando seu lado mais racional e humano simultaneamente, capaz de inspirar a sua equipe. Uma Hq de ação, com um mistério para resolver e superar em equipe. E é que os tempos trazem, mudanças.

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