Review: Capitão América – Tempo Esgotado

Capitão América

Muito mais do que um homem vestido de bandeira

Atenção! Para visualizar o review da quinta edição da coleção clique aqui!O Capitão América, assim como Os Vingadores em si, nunca foram um campeão de vendas da Marvel. Sendo um cara fora de seu tempo, Steve Rogers sofre do mesmo preconceito que leitores casuais e roteiristas incompetentes tem com o Superman da DC – é impossível trabalhar com um personagem (que se veste de azul, vermelho e branco) sem cair no patriotismo exacerbado e no bom mocismo extremo.

Para quem acompanha os dois líderes dos maiores grupos de super-heróis dos quadrinhos, no entanto, sabe que nem sempre é assim. Volta e meia aparecem pessoas que entendem que o personagem – naquilo que ele representa como símbolo – serve como um perfeito elemento metalinguístico sobre os quadrinhos antigos e de como eles estão mudados hoje (com seus heróis assassinos e cidadãos cheio de ódio).

A maior virtude de “Capitão América – Tempo Esgotado”, de Ed Brubaker e Steve Epting, está justamente aí: nunca antes vimos o passado do capitão e dos outros membros dos invasores – equipe de heróis da Timely que lutaram ao lado dos aliados na segunda guerra – tão cinzento. Este passado é contado em “flashbacks”, sempre que o capitão conversa ou se recorda de determinados momentos de sua história, enquanto, no presente, ele corre contra o tempo para encontrar e desarmar bombas espalhadas pela Hydra e que explodiriam como plano do Caveira Vermelha para energizar um cubo cósmico artificial – plano este que, em partes, foi frustrado pelo seu misterioso assassinato.
Hoje, é fácil entender quem e por que mataram o Caveira na primeira edição de uma HQ que reiniciava a caminhada do paladino da liberdade. Mas, mesmo assim, é admirável a coragem e a forma como esta foi feita por Brubaker. Logo, uma sequência de histórias se iniciava, dando destaque aos tons de cinza no passado de um homem cujo escoteirismo é parte de seu dia a dia.
Alguns consideram esta fase, cuja continuação seria a antológica “O Soldado Invernal”, a melhor da história do bandeiroso… E eu concordo! Embora o capitão já tivesse passado por uma fase de fúria e descontentamento com o caminho trilhado pelos Estados Unidos anteriormente (quem não se lembra de quando ele virou O Nômade? Se não conhecem esta história, vale a pena dar uma olhada…), isso nunca foi mostrado numa história tão crua, violenta e séria. Todos estes elementos casam perfeitamente com o traço de Epting, que procura ser realista e dramático no presente, abusando de jogos de sombra e luz, além de quadros Widescreen e mais simples no passado, sempre compostos por vários quadros em preto e branco (como o do saudoso Jack Kirby), permitindo, assim, alguns momentos mais minimalistas.
Logo, a edição de “Tempo Esgotado”, se torna um pouco complexa – por conta de suas idas e vindas no tempo – para entender todas suas nuances de primeira. Mas esta é, sem dúvida, uma história excelente, sendo também a história exclusiva da coleção no Brasil. E melhor ainda, ela se complementa com a próxima (O Soldado Invernal), mostrando porque a Marvel está apostando num tom mais sério e pé no chão para as aventuras do Capitão nos cinemas.
Enfim, Soldado Invernal foi um sucesso… E que agora venha Guerra Civil!

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