Review | Promethea de Alan Moore

Alan Moore, o mago mestre dos quadrinhos escreve mais uma icônica história recheada de mística, magia e fantasia. De início já nos deparamos com um feiticeiro sendo perseguido por cristãos. Na tentativa de salvar sua filha (Promethea) dos perseguidores, ele pede e acredita no fundo do seu coração que os Deuses antigos irá salvá-la de tal mal. Em um segundo momento já somos apresentados a personagem principal  Sophie Bangs, uma universitária pouco interessante ou pouco atraente para o padrão da época (1999). Rapidamente Moore já envolve todo peso fantasioso e mágico sobre a personagem, nos apresentando aos poucos sua mitologia e despertando uma curiosidade positiva, uma vontade de saber e conhecer mais desse cenário.

Basicamente Promethea é fruto da imaginação daquele que acredita de verdade nela, um ser dotado de poderes mágicos, que pode nos salvar ou nos preenche nos momentos mais íntimos e difíceis, sendo manifestada sua vontade por meios artísticos, como: escrituras, poesias, desenhos e músicas dedicadas a tal entidade. Promethea não necessariamente é uma pessoa, mas sim uma entidade que de quando em quando, desde o início dos tempos se manifesta em algumas pessoas tornando uma espécie de duas almas compartilhando o mesmo corpo e pensamento. Com seus poderes diferentes, cada Promethea que é apresentada ao longo da história possui uma característica forte, como se cada uma fosse a representação de uma personalidade humana diferente.

Como nem tudo são flores e magias, temos o cerne dos vilões que agem às escuras, dentro de pessoas de respeito e influência que querem e planejam o apocalipse no momento do Bug do milênio. Uma Nova York futurista, com carros voadores e roupas inteligentes, é muito bem ilustrada por J.H. Willians III, com uma linda arte e cor como poucas obras vistas por ai, não só Alan Moore merece o crédito mas também Willians e Mick Gray.

Com certeza o destaque fica por conta da mitologia que Alan Moore consegue materializar, basicamente ele nos mostra que não há realidade e ficção, tudo faz parte do plano, tudo é necessário para viver e morrer. Uma mistura mística, mágica, fantástica, que envolve a história de Deuses da nossa era, com as fábulas que conhecemos, tudo através do poder da imaginação.

Um dos pontos altos da história que mais gostei, são as explicações sobre o surgimento da humanidade, sobre o caminho que tomamos até aqui e o caminho que iremos trilhar, tudo baseado em um mix de fatos e mitos com uma forte influência astrológica com cartas de Tarô, tudo explicado detalhadamente pelas cobras do caduceu de Promethea. Pode parecer através desse pequeno texto que a história não tem um foco específico, mas somente quando você ler, vai entender as sensações e propósitos das personagens, a busca pelo conhecimento do propósito da vida, a mistura das mitologias, grega, romana, nórdica, egípcia entre outras, uma história como nenhuma outra.

Lembrando é claro que temos que reconhecer que há momentos e momentos para se apreciar uma estória, recomendo que já tenha lido obras desse segmento, que deixa em foco muito mais a filosofia da história do que os personagens em si. Digo isso porque, caso você ainda não tenha uma experiência com histórias do gênero pode estranhar de primeiro momento, pois a história exige muita atenção aos detalhes e claro, muita imaginação. Abra sua mente, leia e aproveite. Ficaremos aqui esperando incansavelmente o segundo volume!!!

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