Planeta Comenta DC no Multiverso: Esquadrão Suicida #1-8 (1987)

Li Esquadrão Suicida #1-8, do encadernado Suicide Squad: Trial by Fire.

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Das cinzas da minissérie Lendas, lançada em 1986, surge a segunda encarnação da força tarefa conhecida como Esquadrão Suicida, formada por vilões e mercenários condenados, que em troca de missões literalmente suicidas, podem ter sua pena amenizada pelo governo.

Esquadrão Suicida #1 por John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel.

A história já começa violenta, mostrando o grupo terrorista Jihad simulando um ataque a um aeroporto dos EUA em seu próprio país, o Qurac. O detalhe é que a simulação é tão real que eles cometem um verdadeiro genocídio dizimando todas as pessoas que participavam desse teste. Com isso, Amanda Waller recruta seu primeiro grupo do Esquadrão Suicida formado pelo Coronel Rick Flag, Tigre de Bronze, Pistoleiro e Capitão Bumerangue, cada um deles sendo mencionados de maneira mais detalhada, com mais informações, e ainda Plastique e Verme Mental.

Nesta primeira edição somos apresentados a todos os principais personagens que comporão as histórias seguintes, incluindo alguns funcionários que trabalham na Prisão Federal de Belle Reve, e até mesmo ficamos sabendo que a prisão foi erguida nos Pântanos da Louisianna. Ostrander também apresenta cada membro do Jihad e suas habilidades. Amanda Waller já é apresentada como uma chefe de equipe fria e determinada. Essa primeira edição termina com os integrantes do Esquadrão – que é uma divisão da Força Tarefa-X – prontos para viajarem ao Qurac e acabar com o Jihad. Todos os ingredientes foram bem apresentados deixando o leitor com vontade de continuar a ler, e lembrou um pouco bons filmes de forças especiais que são especialmente formados para combater o terrorismo – com o detalhe de que, desta vez, trata-se de uma força tarefa formada por vilões.

Esquadrão Suicida #2 por John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel.

O Esquadrão chega ao Qurac e encontram com um membro infiltrado – Sombra da Noite. O Coronel Flag com seu espírito de liderança nato, passa instruções detalhadas das funções de cada um. Ao começar a invasão, Plastique trai o grupo mas é surpreendida por mais um membro do Esquadrão infiltrado – Nêmesis. Segue-se uma sequência de batalha de tirar o fôlego e o grupo consegue sair do Qurac com seus dois integrantes disfarçados, a traidora Plastique, mas com uma baixa – Verme Mental.

A história é recheada de reviravoltas, com personagens “mudando” de lado de forma inesperada, e a morte de Verme Mental num momento que mostra a total falta de moral do Capitão Bumerangue que poderia ter salvo a vilã. Poderia muito bem ser o roteiro de qualquer filme de ação e espionagem em Hollywood. O roteirista trabalha muito bem a personalidade de cada um e entrega um thriller de ação e suspense de primeira.

Esquadrão Suicida #3 por John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel.

Depois de ter seus planos para destruir as Lendas do universo DC, o Glorioso Godfrey está preso em Belle Reve. Darkseid convoca Lashina para liderar as Fúrias até a Terra, libertar Godfrey e levá-lo de volta à Apokolips para ser punido pessoalmente por Darkseid. Enquanto isso, as consequências do ataque do Esquadrão ao Jihad começam a ser sentidas em Belle Reve – a traidora Plastique começa a sofrer lavagem cerebral, Sombra da Noite discute com Waller sobre seu papel como infiltrada no Qurac e Nêmesis ainda em débito, não tem outra saída, a não ser continuar com suas missões suicidas. Rick Flag flagra a lobotomia em Plastique e dá um ultimato à Waller para que ela cesse com essa monstruosidade. Nessa hora de tensão, as Fúrias
invadem o QG da Força Tarefa X e, após um confronto com alguns membros do Esquadrão, conseguem levar Godfrey de volta à Apokólips.

É possível ver alguns fragmentos de insegurança e dilema moral em Rick Flag, ao mesmo tempo em que o Capitão Bumerangue, o alívio cômico da série, é realmente um perfeito mau caráter. Amanda Waller se mostra a pessoa ideal para comandar com mãos de ferro um grupo de alta periculosidade como esse. É interessante como Ostrander retrata de modo bem realista os vilões. Quando Flag convoca o Pistoleiro em sua cela, para ajudar contra a invasão das Fúrias, ele simplesmente se nega, enquanto que Bumerangue covardemente foge escondido. Na verdade, apenas os “mocinhos” do Esquadrão sobraram para enfrentar as guerreiras de Darkseid e não tiveram nenhuma chance. Mais uma boa história de personagens.

Esquadrão Suicida #4 por John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel.

Central City tem um novo vigilante – Guilherme Hell – porém, trata-se de um extremista neonazista, líder da organização racista Império Ariano. Matá-lo não vai adiantar, pois o transformaria num mártir. É preciso desacreditá-lo perante seus adeptos, e isso é mais uma missão para o Esquadrão Suicida. Capitão Bumerangue se infiltra na organização, e num duelo de arco e flecha, o Pistoleiro consegue derrotar e expor Guilherme Hell perante seus seguidores. Embora Hell, cuja identidade é James Heller não possa ser julgado, como disse o Coronel Flag, o importante é que a opinião pública já está contra ele. E o Tigre de Bronze completa dizendo que o importante foi o Esquadrão destruir a capacidade de manipulação de Heller. Essa era a missão e eles a cumpriram.

Uma história que resume bem a essência do Esquadrão – “Assumimos as batalhas à medida que aparecem, é o melhor que dá pra fazer”.

Esquadrão Suicida #5 por John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel.

A escritora Zoya Trigorin escreveu seu livro “Pássaro de Fogo” que revela e condena o sistema de armamento nuclear de seu país, a URSS. Ela está presa e os líderes políticos ainda não sabem o que fazer com ela. Matá-la seria transformá-la num mártir. Uma das opções seria trocá-la por um político preso nos EUA. Enquanto isso, em Belle Reve, uma equipe do Esquadrão Suicida formada por Tigre de Bronze, Rick Flag, Magia, Pistoleiro, Pinguim, Sombra da Noite e Nêmesis são enviados à URSS para resgatar a escritora russa. Chegando lá, o plano estava sendo bem sucedido quando um detalhe importante pode por tudo a perder.

Uma história de espionagem de primeira, com bons momentos para cada personagem e uma reviravolta no final, bem no estilo de Ostrander.

Esquadrão Suicida #6 por John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel.

O plano de resgate da escritora Zoya Trigorin deu errado e agora o Esquadrão Suicida precisa fugir do local e chegar até a Embaixada Americana. Mas para isso, eles precisam enfrentar um exército bem armado, pegar um trem sem serem desmascarados durante uma noite inteira e buscar proteção. Uma fuga desenfreada, onde dois membros – Sombra da Noite e Nêmesis – precisam se esconder num vagão frio e isolado, para não levantar suspeitas na quantidade de pessoas que vieram no voo. Particularmente, detalhes como esse enriquecem a trama e mostram que, mesmo sendo histórias antigas e mais simplistas, não deixam de ser bemdesenvolvidas. Infelizmente a operação fracassada gera mais problemas para os integrantes do Esquadrão, e eles têm apenas trinta minutos para decidir o que fazer. O suspense continua na próxima edição.

Esquadrão Suicida #7 por John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel.

Sem outra saída, os integrantes do Esquadrão Suicida decidem fugir e atravessar as fronteiras da URSS. Para isso planejam usar passaportes falsos roubados de um grupo de turistas. O problema é que eles estão sendo
caçados por um grupo militar russo especial chamado Heróis do Povo. O Esquadrão vence a batalha contra o grupo de poderosos, mas são emboscados pelo exército russo. Mesmo assim, o Esquadrão consegue ser resgatado, mas com duas baixas – a escritora Zoya Trigorin é morta e Nêmesis é capturado pelo governo russo.

Um arco recheado de ação, espionagem, traições e reviravoltas. E no final das contas, a morte de Zoya serviu como um símbolo da liberdade contra o sistema repressivo russo.

Esquadrão Suicida #8 por John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel.

A história é narrada e focada nas observações do psiquiatra encarregado da prisão Belle Reve para cuidar dos integrantes do Esquadrão Suicida. Ele começa contando suas preocupações com Amanda Waller e seu passado sofrido com a morte de seu filho e seu marido e o estupro de sua filha. Segue com o Coronel Flag que sofreu um colapso nervoso após o fracasso no resgate de Zoya Trigorin e a captura de seu companheiro de equipe, Nêmesis. Menciona a ajuda que June Moone recebeu da Madame Xanadú, que teme pelo futuro da jovem e sua outra personalidade, a Magia. Fala sobre sua preocupação com o relacionamento inapropriado entre sua assistente Marnie Herrs e o Pistoleiro, e encerra seu relatório citando o Capitão Bumerangue, um homem desprovido de qualquer senso de moral e que está agindo às escondidas como o Mestre dos Espelhos, que foi morto durante a Crise nas Infinitas Terras.

Uma história aparentemente simples, mas que ensina bastante sobre esses personagens e deixa o terreno preparado para futuros arcos.

Por Roger

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