Review | Persépolis de Marjane Satrapi

Persépolis parece que foi escrita para nos propor um momento de reflexão. A autora Marjane Satrapi, retrata sua própria vida em forma de quadrinhos tratando de um tema delicado. O Oriente Médio e seus costumes.


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palavra Persépolis que deriva dos persas, tem tudo a ver com a história de Marjane. De início temos uma breve aula do que era  a terra dos persas e o que se tornou o Irã nos dias de hoje. Marjane nascida em 1969, narra sua vida e como era conviver no Irã da década de 70, seus costumes, tradições, religião, comportamento e principalmente mesmo que sutil, como foi a chegada da influência ocidental no oriente. Aos poucos a pequena criança, que gostava de questionar o comportamento das pessoas, que se interessava pela guerra e se orgulhava da história de sua família e de seu país, se viu obrigada a deixar de lado sua liberdade e seus gostos, para que pudesse continuar livre e viva.

Através de seus diálogos e reuniões em família, Marjane, nos conta o exato momento em que os líderes religiosos ganharam a preferência do povo para comandar o país, mesmo que sob suspeita de fraude nas eleições. A transição foi impactante, tirou a liberdade de um povo, em troca de uma guerra, algumas leis e regras de conduta que deveriam ser seguida a regra, caso não, usariam de pena de morte por denegrir a imagem da pessoa perante a sociedade. Algumas regras como: O uso do véu, o uso da barba, o uso das camisas de manga longa, os capuzes, as cores das roupas, maquiagens e por aí vai.

Fato interessante é abordado em um dos capítulos, levanta-se a dúvida de como um grupo tão religioso e extremista conseguiu convencer tantos jovens, homens e mulheres a servir uma guerra de bom grado?

Um dos parentes de Marjane, conta que a maioria das pessoas do país ainda eram analfabetas e por esse motivo, pouco se importava com política e estudo, mas por outro lado, a religião consegue cativar todos pela emoção e convencer facilmente de que para conseguir chegar ao paraíso é preciso eliminar os problemas terrenos e servir ao todo poderoso criador.

A autora nos faz olhar para o oriente de forma diferente, a maioria dos ocidentais costumam achar que dentro de todo árabe, existe um terrorista, pronto para sacrificar a própria vida se preciso (mesmo que em forma de piada). Porém não é bem assim. A história traz o preço que todo aquele povo teve que pagar, todas as mortes e mutilações que a guerra proporciona, todo desgosto por ver o país ruir em uma guerra sem esperança (IrãIraque).

Ao longo da trama os anos passam, Marjane começa a amadurecer e encarar a vida de forma diferente. Viajando para lugares e passando por situações extremamente difíceis. O impacto de conviver no ocidente com costumes do oriente e vice e versa.  Marjane se vê no fundo do poço, e mesmo depois de muita reflexão e sorte, consegue se reerguer e escrever essa ótima história. Em 2007 foi produzida também, uma animação baseada nessa edição, também recomendamos que assista!


Eu adoro histórias que se baseiam nos grandes acontecimentos da humanidade, Persépolis ganhou prêmios e não foi a toa. É uma ótima HQ, faz a gente ter uma impressão diferente do oriente. Um dado interessante é que através das décadas, o pai de Marjane fala que a guerra já levou mais de 1 milhão de pessoas, sem contar as que estão, órfãs, mutiladas e sem destino.

É triste ver o que o fanatismo faz com a humanidade, o que pessoas que são intolerantes e intoleráveis, podem acabar com o futuro de um país. Não baseio essas palavras apenas em um país, mas em vários que sofrem ao redor do mundo, que perdem tudo, que morrem tentando fugir da morte e vivem tentando sobreviver. Há de chegar o dia que nada disso mais seja necessário, que o ser humano consiga civilizadamente resolver questões difíceis, e não tirar a vida do outro como se isso fosse o único caminho para resolver problemas e realizar conquistas vazias e fúteis. Enquanto colocarmos religião e política acima de tudo, esse mal perdura. Mantenho a esperança de que um dia a vida vai ter o valor que se deve ter.

A nós que estamos no ocidente, sempre olhamos a desgraça desses países de forma dura e rija. As vezes nos comove, porém é passageiro. Muitos livros e quadrinhos, representam a visão direta das pessoas que sofrem, das que realmente perdem com a guerra. Não vamos generalizar, existem pessoas boas ainda nesses lugares rezando pra quem quer que seja, pra que tirem eles desse inferno de fogo cruzado. Alguns países viraram uma zona de guerra infinita, sem data para acabar.

O ocidente se aproxima oferecendo ajuda, mas a verdadeira intenção, fica por conta apenas das riquezas naturais como o petróleo por exemplo. O triste é que quem joga esse jogo, nunca se machuca, o sangue derramado fica por conta dos peões que estão no tabuleiro da guerra, perdendo suas vidas em troca de um céu que muitos nem sabem se existe!

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