Review | Cyanide & Happiness: Zoológico da Porrada

Editora Devir

Uma filosofia: venha com o sarcasmo e fique com os trocadilhos. Para quem não conhecem, os quadrinhos de Cyanide & Happiness são uma série de tirinhas figurativos vilanescos, muitas vezes obscuros, e sempre sarcásticos, caracterizados no explosm.net. Originalmente criadas como tirinhas para a Internet, Cyanide & Happiness surgiu em 2004, escrito e ilustrado por Rob DenBleyker, Kris Wilson, Dave McElfatrick e Matt Melvin e começou a ser publicado em janeiro de 2005 nas redes sociais Myspace e Facebook (onde gerou mais de um milhão de visitas por semana).

Cyanide & Happiness, lançamento da Devir, traz uma veia cômica que ofusca os sentidos mais literais, caminhando entre o humor negro, as piadas de duplo sentido e o maneirismo. Qualquer um que lida regularmente com os quadrinhos de Kris, Robb, Matt e Dave em seu site pode dizer que assentados lá estão piadas sobre câncer, zumbis, Jesus, etc, nada politicamente correto. O contraste entre o desenho quase infantil de Cyanide & Happiness e sua temática adulta, carregada de humor politicamente incorreto, pode ser uma das explicações para o seu imenso sucesso.

O zoológico da porrada é a terceira publicação que os artistas das tirinhas de C & H lançaram, e a primeira edição que sai por aqui. A edição da Devir reúne 120 tirinhas selecionadas, incluindo algumas inéditas, repletas de piadas inapropriadas estrelando personagens frequentemente depravados, mas que raramente têm nomes e distinguem-se apenas pela cor da roupa. Inclui um prefácio de Alexis Ohanian, um dos co-fundadores da Reddit, para lhe dar uma ideia de quão grande foi a base dos fãs que esses quadrinhos obtiveram.

A maior parte do trabalho entre seus criadores foi desenvolvido via Skype; sendo que os autores só se encontraram pessoalmente na Comic-Con de San Diego, em 2007. O grande sucesso das tiras na internet (só no site Explosm a tira tem cerca de 20 mil visualizações diárias) deu origem ao The Cyanide & Happiness Show, uma série defilmes para a Internet animados em flash.

O livro não tem tanta coesão, então às vezes as transições de quadrinhos para quadrinhos são um pouco chocantes. Dito isto, tive uma forte preferência pelos novos quadrinhos sobre os antigos. Não conhecia essas tirinhas “questionáveis” que brinca com o ofensivo absoluto, que tratam tiroteios em escolas como fosse engraçado. Embora eu entenda que essa é a marca do humor que encontraremos neste álbum , há uma diferença muito clara entre subverter ou criticar a cultura que permite essas horríveis tragédias e se alimentar dessa própria cultura.

Pessoalmente, gostei deste álbum pelo humor sarcástico, mas sinto que a maior parte de seu material mais ofensivo cai, especialmente quando seus quadrinhos se divertem em questões delicadas, como abuso doméstico ou tragédias lá dos Estados Unidos (por exemplo, o 9 de setembro). Mas, exatamente como o prefácio diz os méritos deste livro residem parcialmente no fato de que não é editorializado e censurado como os quadrinhos de jornais do passado.

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