Review | Princesa de gelo de Thayane Gaspar

Alessa possui muitos órgãos dentro de si que ajudam-na a manter seu corpo vivo, porém, o coração não é um deles. Sem sentimentos. Gélida. Turva. Faz um tempo que seu coração não bate, nem nos momentos em que a adrenalina deveria prevalecer, ou quando seu sangue corre nas veias, ela não se dá por vencida: sempre o nega. 
Acontecimentos passados transformaram seu lindo coração em um objeto frígido com uma alma mórbida. Mas era necessário, precisava negar, para a sua própria sobrevivência. A fachada era seu mecanismo de defesa contra esse parasita que a debilitava: o amor.
Já no primeiro capítulo, acompanhamos Alessa na ação decisiva de arrancar a sensação de estar morta em vida – e isso é aterrorizante pra ela – , e com uma lâmina assistir o desfalecimento de seu corpo. Mas de fato, não contava com a intromissão de Eric Lacrov nos seus ‘não planos para o futuro’.

“Quanto tempo é necessário para mudar o mundo? Também não tenho ideia, mas posso lhe dar uma noção de quanto tempo se leva para mudar um destino e duas vidas.”

Meu psiquiatra favorito, Augusto Cury, diz o seguinte: “Quando uma pessoa pensa em suicídio, ela quer matar a dor, mas nunca a vida”.  E isso se dá nesse caso, e é tão triste ver como alguns motivos nos levam a não ver uma saída. Precisou Eric salvar-lhe a vida para conseguir ver muitos outros motivos para viver. E ele é tão fofo, encantador e interessado no mundo de Alessa, que a tira do chão, tornando-a mais vulnerável, muito mais complicada e descomplicada do que antes; no entanto, fazendo com que enfrente seus temores.
Foram muitas emoções: me irritei com Alessa muitas das vezes por causa de seu cinismo, da sua morbidez, até nos tratos com Eric que sempre era um fofo, tímido e super simpático. Porém, ver que a cada diálogo, ele superava a barreira que ela impunha, desbravando as pontes que ela construía em volta de si, e tornava tudo diferente no meu ponto de vista. 

“Quis gritar, mas eu já estava sem voz de tanto que eu gritava por dentro todos os dias”.

Esse livro me fez perceber mais uma vez, que duas pessoas podem ter um enlace perfeito, mesmo sem intensas expressões de afeto; mostrando assim que o que a pessoa é no coração é muito mais importante e apaixonante.
Poucos livros são capazes de absorver cada espaço dentro da minha cabeça, ou fazer com que fique (quatro) horas virando compulsivamente as páginas. “Princesa de Gelo” teve esse poder sobre mim, e foi uma grata surpresa marcá-lo como favorito, e poder recorrer a sua viciante leitura sempre que quiser. 147 páginas de puro vício, envolvendo suicídio e auto-punição descrito de forma lírica.
* As imagens contidas nesse postem pertencem à página Hey Love.

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