Review | Ricochet de Keri Lake

Existe algumas maneiras práticas de acabar com a vida de um homem. A mais rápida é tirar dele tudo o que ama e adora, principalmente se seu ponto fraco for a família.

Nick Ryder passa exatamente por essa situação, depois que uma ordem do prefeito da sua cidade, usando uma estratégia brutal para fazer as ruas de Detroit mais “seguras” tirou tudo o que esse homem amava: seu filho e sua linda esposa.

“Todo mundo tem cicatrizes. O que faz a sua especial?”
“Eu nunca disse que eram especiais. Na verdade, eles são meu lembrete diário de que nada é tão especial, como as pessoas escolhem a acreditar. “

Após quase perder sua vida, o objetivo da vida de Nick, além de viver com as malditas lembranças daquela noite, é caçar aquele que o destruiu. Michael Culling. Quando se recupera, Nick passa a montar um plano estratégico de também tirar tudo o que Michael acha importante. Se mascara e o persegue como se fosse um sanguessuga. Seu propósito é sangue e vingança, mesmo que isso esteja envolvido muita dor e massacre.

O livro é muito bem marcado com cenas vivas de tortura e ódio, e para mim essas cenas funcionaram muito bem. Já tinha lido livros ditos “dark” que não me fizeram temer nada, apenas pensar: “É isso que é dark? Pois se for, tá fraco!”. Mas aqui encontrei cenas fortes, que não me deixaram piscar, além de perceber o que é ser uma pessoa que sofre tortura emocional. Já vi alguns autores tentar fazer isso e nada me convencia. Mas o que Aubree passa é chocante. Além de ser uma mulher bonita, jovem, casada; é tudo aparência pensar que leva a vida que qualquer mulher gostaria de ter por estar cercada de luxo e bens materiais. Por trás disso temos uma vida de terror, um marido cruel, abusivo em palavras e ações, um homem asqueroso. Um bandido. Um assassino.

“Se havia uma coisa que eu aprendi no jogo político de máscaras, foi quando rachar. Não enquanto as luzes batiam no meu rosto, ou quando os mais finos da cidade estavam perguntando-me que planos maravilhosos meu generoso marido tinha na loja. Era quando ficava sozinha no escuro”.

A vida de Aubree e Nick se cruzam na teia montada por ele em busca de vingança. E nessa parte eu fiquei bem atenta, esperando algum clichê, mas não encontrei. Foi um dos poucos livros que li que não tinha nada marcado, traçado e delineado para acontecer um atrás do outro. O ponto principal de Nick sempre foi a punição por ter perdido o que mais amava; e  o ponto em que ambos começa a se envolver demora bastante (o que eu achei ótimo!). A autora soube conduzir bem o desenrolar do seu enredo, dando tempo ao tempo e fazendo tudo passo a passo; o que tornou o livro mais cativante.

“Mesmo através da destruição, a vida poderia continuar a florescer nos lugares mais estranhos. A metáfora perfeita para a minha vida”

Sim, vemos a atração acontecendo, uma fascinação, um reflexo de almas quebradas que foram despedaçadas mas que de alguma forma de encaixam nesse encontro. E o desejo de Nick não só aumenta em relação a Aubree, como também em causar dor a alguém tão inocente e frágil.

“Ele matou aqueles homens. Por mim. Tão facilmente, e com tanta graça letal, que eu não sei se enrolo meus braços em torno dele ou se o temo. Em ambos os casos, Nick tornou-se instantaneamente algo mais do que o meu sequestrador. Ele se tornou meu salvador, meu salvador. Um anjo escuro, com sangue em suas mãos e fogo em seus olhos”.

Com cenas de tortura nos bandidos que me fizeram delirar de felicidade, cenas entre Aubree e Nick que me fizeram suspirar.

Chorei, sorri, me emocionei com Nick e suas questões psicológicas.

Um livro completo que eu adorei.
Recomendo muito!

Outras citações que amei:

“Eu quero vê-la”, ela desabafou.
“Ver o quê?” Eu não conseguia esconder o desgosto na minha voz, sabendo que ela avistou minha momentânea fraqueza.
“Sua cicatriz. Mais cedo você disse que nós todos temos cicatrizes.” Ela baixou a cabeça para trás sobre o travesseiro. “Vamos ver a sua.”
A mulher pensou que ela tinha me suavizado.
“Foda-se”, eu disse, saindo pela porta.

“Com o spray da água jorrando contra o meu rosto, lavando a sujeira, eu fiz um juramento na escuridão.Eu nunca mais seria a vítima de ninguém.”

“Nick não tirou nada de mim, ele me infundiu, mostrou-me a mulher que eu poderia ser, o que eu queria ser. Sexy. Feroz. Sem Vergonha. Aquela que tomava o que ela queria, sem desculpas. Sem medo. Ele pode ter encontrado uma fraqueza em mim, mas nele, eu encontrei a força. A experiência não curou-me do meu medo. Na verdade, ainda assim, meu corpo tremia como o nível de água em meu peito. Limitei-me a provar que eu não deixaria minhas ansiedades ficarem no caminho do que eu queria”.

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