Review | Trilogia Blacksad de Díaz Canales e Juanjo Guarnido

Um prato cheio para os fãs de uma boa história policial e um deleite para os apreciadores de um bem trabalhado roteiro noir. Blacksad se encaixa nos dois, uma trama de investigação com aquele clima e aura noir, mas tudo isso com personagens antropomórficos e com a fenomenal e detalhista arte do espanhol Juanjo Guarnido, o afiado roteiro de Juan Díaz Canales temos uma história envolvente e ágil, com as características principais de cada animal nos traços e nas cores são um charme à parte, são realmente sensacionais, nota-se a dedicação em cada página, em cada plano aberto, como um grande filme.

Até agora já temos três volumes lançados pela editora Sesi – SP e hoje faremos aqui no Mundo Hype um panorama dos três, no primeiro volume Algum Lugar em Meio Às Sombras, acompanhamos o detetive John Blacksad, um gato que investiga a morte de Natália, uma ex namorada que fora assassinada junto com seu novo amante. Como nada é o que parece, sua investigação toma os caminhos mais sangrentos e obscuros até chegar ao seu clímax. A história fecha muito bem nesse volume um, como um capítulo de uma série policial ao encerrar o problemático caso da bela atriz

Capa de Arctic Nation

No volume dois, Arctic-Nation seguimos John ao bairro The Line, onde o sequestro de uma criança e um grupo de fanáticos que acreditam na  supremacia branca, aqui genialmente retratados como tigres brancos, ursos polares e raposas do ártico, faz novamente sua investigação transitar pelos gélidos becos de intrigas e morte, com uma ambientação que lembra os filmes de dupla de policiais dos anos 80, graças ao parceiro/repórter fuinha, Weekly, com direito a tocaias e piadas.

Um ponto que merece ser citado é o cuidado com as relações entre personagem e animal escolhido para retratá- los, cada um possui trejeitos de seus animais reais, altivez, posturas distintas que claramente nos lembra a sua contra parte do modo que conhecemos, os desenhos aqui mantém a impressionante qualidade do volume anterior, porém sentimos uma profundidade a mais, seja na persona de Blacksad ou no mundo que adentramos junto a ele, o violento mundo de traições e desvios de conduta. O detalhado cenário criado por Guarnido nos ambienta na atmosfera esfumaçada e misteriosa das investigações de Blacksad.

Capa de Alma Vermelha

Como um gato real, Blacksad é desconfiado e alerta, a todo momento temos percepção dos sinais que os felinos desenvolveram para detectar perigo e resposta rápida à ameaças, e assim já familiarizados e afeiçoados ao personagem, chegamos no terceiro volume, Alma Vermelha, onde temos uma ameaça atômica de proporções globais ameaçando o futuro, aqui, John se envolve com uma escritora e reencontra um antigo professor, que cabe dizermos é uma clara referência à Einstein, aqui sabiamente representado por uma coruja.

Sem esquecer de uma rápida aparição de Hitler. A trama toma proporções de espionagem e queimas de arquivo onde John precisa esconder seu antigo mestre e descobrir um modo de revelar os verdadeiros interessados nas informações para a fabricação da bomba H. Nesse volume especificamente, temos lembranças de Maus de Art Spiegelmen.

Esses três primeiros lançamentos da editora Sesi podem ser lidos individualmente, mesmo tendo como fio condutor as investigações do detetive Blacksad e poucos personagens recorrentes, as histórias se fecham em cada volume, ainda teremos mais dois títulos previstos, O Inferno, O silêncio e Amarillo.

A editora mostrou inovação ao lançar em um belo formato europeu que valoriza a arte e os detalhes de cada página, com uma ótima gramatura de papel, as história lidas aqui nos proporciona uma grande  experiência ao terminar cada edição, ainda impressionados com o detalhado trabalho de Guarnido e ansiosos pela continuação.

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