Review | Trapaça Mortal, de Frank Tallis

Sinopse: Em Trapaça Mortal, uma bela médium é encontrada morta com um tiro no coração, e o Dr. Max Liebermann, um jovem discípulo de Sigmund Freud, é chamado para ajudar o amigo, o inspetor Oskar Rheinhardt, a investigar as circunstâncias misteriosas que cercam o caso. O quarto em que estava o corpo fora trancado por dentro, e um bilhete enigmático sugeria haver uma força sobrenatural e malevolente em ação. Usando a nova ciência da psicanálise, Liebermann perscruta a mente dos suspeitos de Rheinhardt, na tentativa de desvendar esse crime desconcertante. Enquanto isso, seu encontro com uma jovem governanta inglesa que sofre de histeria, mas é dotada de uma notável compreensão da medicina forense, lança novas luzes sobre o caso e sobre o futuro do próprio Liebermann…

Confesso que o nome e a capa em si não me chamaram a atenção no primeiro momento para este livro. Nem no segundo. Acabei adquirindo-o por indicação de uma amiga em 2018 (sendo que o livro foi publicado no Brasil em 2007 pela Editora Record), pois nunca tinha ouvido falar sobre ele. Como estava afastada dos suspenses policiais, Trapaça Mortal de Frank Tallis foi um ótimo meio de voltar para o gênero.

Neste livro, o médico psicanalista Max Liebermann auxilia na investigação de um assassinato que ocorreu em circunstâncias pouco comuns, praticamente sobrenaturais. No caso, uma médium é encontrada morta com um tiro no peito em uma sala trancada por dentro, nos andares superiores do prédio onde morava. Enquanto participa da investigação, Max tem que lidar com dilemas pessoais, a relação com a sua família, com seus pacientes, colegas de trabalho e com a sociedade preconceituosa do inicio do século XX, visto que o nosso protagonista é judeu em uma época onde o antissemitismo estava em crescimento na Europa. Além de Max, a história gira também em torno do investigador Oskar Rheinhardt, investigador responsável pelo caso da médium encontrada morta, de como tenta de todas as formas possíveis desvendar o mistério do homicídio.

A escrita de Trapaça Mortal é fluída, com capítulos curtos que dão mais dinamismo à história, e intercalando situações e personagens que sequer imaginaríamos que fossem tão importantes para a conclusão do caso. A ambientação é muito bem feita, tanto para os locais quanto para os fatos históricos, como as teses cientificas de Freud sendo questionadas quando publicadas, antissemitismo e resistência na mudança de tratamentos médicos e psicológicos. Os personagens, mesmo aqueles com aparições rápidas, foram bem construídos e encaixados na trama. O próprio mistério em si é empolgante. Afinal, quem foi o verdadeiro assassino, um ser humano ou um demônio?

O modo de como o mistério foi resolvido foi condizente com a história e com o proposto pelo autor, sendo que fiquei surpresa quando descobri o que realmente aconteceu. Algumas deduções foram forçadas em alguns momentos, por mais que o autor tentasse colocar as idéias de Freud no livro, e ao mesmo tempo criticando seu exagero pelo apelo sexual. Mas isso não atrapalha na fluidez da leitura. A trama foi tão bem enredada ao ponto de certos exageros passarem desapercebidos.

É uma leitura que vale a pena, onde a psicanálise é utilizada para a resolução de um crime, onde descobrimos que revelamos muito mais do que podemos imaginar com um simples gestou ou expressão. O próprio Freud aparece ao longo da história, quase como um presente para aqueles que gostam de seus estudos e interpretações. Para os fãs de Lie to me e análises comportamentais, Trapaça Mortal é uma boa pedida.

O livro faz parte de uma trilogia, e o próximo livro é Sangue em Viena.

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