Review | Todos os Santos, de Marcello Quintanilha

Clássicos das Artes Marciais, Editora Bloch, 1990

Todos os santos exalta um dos mais prolíficos artistas nacionais, o premiado Marcello Quintanilha, do modo que realmente merece, em um belo acabamento e homenageando/reunindo desde seus primeiros anos na extinta editora Bloch desenhando o Mestre Kim no final dos anos 80, até recentes tiras do Jornal Estado de São Paulo e cartazes para diversos eventos.

Neste livro temos também, pela primeira vez, a cultuadíssima “Acomodados. Acomodados.”, que, apesar de vencedora do prêmio da 1ª Bienal Internacional do Rio de Janeiro de 1991, jamais chegou a ser impressa.

Quintanilha é daqueles autores que fala muito com poucos quadros, na mesma cena mostra vários ângulos, na vírgula, expressa sentimentos e pensamentos, no enquadramento mostra vários pontos de vista dos personagens em cena, protagonistas, coadjuvantes e observadores.

É identificável em cada história separada aqui a honestidade que Quintanilha imprime nas narrativas, como já ficou provado em seus trabalhos como Talco de Vidro, Hinário Nacional e Tungstênio, trabalho que ganhou uma adaptação para os cinemas, a qualidade narrativa de Quintanilha também é indiscutível.

Guerra dos Mundos, O Estado de São Paulo, 2010

Temos também, uma entrevista com Paul Gravett, curador, pesquisador e grande influente crítico de quadrinhos da Europa, uma matéria de Márcio Paixão Filho feita a partir de uma entrevista de 2015.

Todos os Santos é um grande marco para o autor nacional pois mostra a qualidade criativa e narrativa que temos em nossa terra, já provado várias vezes com diversos títulos também lançados pela Veneta, não devemos em nada para qualquer autor europeu ou americano.

Marcello Quintanilha atualmente possui uma suntuosa lista de premiações, em 1991 foi premiado no Salão do Humor de Ribeirão Preto, nas primeiras edições da Bienal internacional de Quadrinhos do Rio de 91 e 93, por Sábado de Meus Amores de 2009 recebeu o troféu HQ Mix de melhor desenhista nacional. Com Tungstênio, foi agraciado com o Fauve Polar no tradicional Festival de Angoulême de 2016, dois Rudolph Dirks Award (melhor desenhista e melhor roteirista latino-americano), além do HQ Mix para melhor roteirista nacional. Talco de vidro recebeu a premiação de melhor obra internacional no Splash Sagunt Comic Festival em Valência e o HQ Mix de destaque internacional. Hinário nacional seu mais recente trabalho recebeu o prêmio Jabuti 2017 na categoria História em Quadrinhos.

Material altamente indicado para fãs de arte em geral e não apenas quadrinhos, devido o formato e tipo da publicação, e claro, a qualidade do artista.

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