Review | Terra dos Filhos de Gipi

O italiano Gian Alfono Pacinotti, conhecido simplesmente por Gipi é um dos grandes autores europeus de quadrinhos atuais, ainda pouco conhecido no Brasil, tivemos em 2018 o primeiro lançamento do autor por aqui, Terra dos Filhos, um retrato de um mundo pós-apocalíptico e violentamente habitado pelo que restou de um fiapo de humanidade em algumas poucas pessoas.

Gipi transmite toda a sensação de isolamento e abandono com uma arte magistral, um traço muitas vezes sujo e com muitos rabiscos aumenta a sensação de isolamento da história, toda a movimentação é de uma sutileza impressionante, fluida e marcante, cada espaço preenchido carrega emoção.

A dureza desse mundo que os garotos nasceram e estão sendo criados não permite momentos de amor ou demonstrações de afeto, o pai os ensina a sobreviver e apenas isso, não sabem ler e nem conhecem o que os levaram a desgraça do mundo atual, porém, após os eventos iniciais e a tentativa de leitura de um caderno, aqui registrado em dez páginas de rabiscos como se nós estivéssemos lendo, mas na verdade estamos vendo as escritas pelos olhos dos personagens, que não conseguem distinguir nada que está ali, e assim, entramos de corpo e alma na busca pela leitura do manuscrito.

Os jovens são impulsionados por uma esperança de encontrar alguém disposto a lhes revelar o que o pai escreveu naquelas páginas, passando por situações e descobertas gradativas, com a estranha família que encontram em sua busca, o linguajar e as gírias usadas pelas pessoas remetem ao passado, ou nosso presente, “giga”, “likes”, tudo nos mostra que a sociedade passou por uma mudança realmente brusca, onde os mais velhos guardam a nostalgia de algo que não voltará mais.

Um ponto muito bem criticado por Gipi acontece na reta final da graphc novel, ao mostrar um grupo que serve ao culto do deus Phoda, fazendo alusão aos que confiam cegamente em um líder religioso, o desfecho da história nos deixa com a sensação de que a única ação a ser tomada para a humanidade começar a tomar um novo rumo seja na base do amor e afeto.

Uma bela hq que passa rapidamente devido os poucos diálogos, mas muito bem representada na arte, nos cenários e nas expressões dos personagens, a editora Veneta lança mais um trabalho que facilmente pode figurar entre os melhores do ano.

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