Review | Tengu, de Lucas Ribeiro Pereira

Os quadrinhos independentes estão crescendo e pra nós, leitores e amante da Nona Arte, temos encontrado trabalhos incríveis que merece destaque. Os sites de financiamento coletivo tem ajudado muito, mas ainda falta um canal para divulgar o trabalho de nossos autores. Nós, aqui, do Mundo Hype, tentaremos suprir esse espaço para trazer mais notícias e artigos sobres os quadrinhos nacionais.

Por ora, apresentaremos o trabalho de Lucas Pereira na HQ Tengu – Ataque Surpresa (奇襲 “Kishū”), que conseguiu ser financiada ano passado pelo Catarse. E foi através do crowdfunding que soube um pouco sobre a obra e conseguir uma edição para a gibiteca daqui. Como envolve mitologia, me encantou de imediato e no caso, não perderia aquele material por nada. Inclusive, já começou a campanha de Tengu – Hangeki (反撃), o volume 2 dessa trilogia deste paulista de Guarulhos, mas vamos focar no primeiro volume. Lucas é um cara fissurado na cultura oriental, Tolkien e Heavy Metal, que atua no mercado de sketch cards, ilustrando cartões colecionáveis para Marvel, além de ter publicado pela Editora Draco, Clhithmaek’ Tyvh, da coletânea Cthulhu Verde. Atualmente, ilustra a edição Eridhia da webcomic Justiça Sideral, de Deyvison Manes.

Inspirado pelo trabalho de Takehiko Inoue (Vagabond), Kazuo Koike (Lobo Solitário), e Hiroshi Shiibashi (Nurarihyon no Mago), Lucas reúne um pouco daqui e dali e desenvolve sua própria narrativa sobre mitologia japonesa e samurais. Mas foi o estilo mudo de Shaolin Cowboy do norte-americano Geof Darrow que levou a estruturar Tngu como um quadrinho sem falas.

A história é ambientada na era dos samurais e conta sobre o conflito de dois Guardiões de um templo em um vilarejo, contra Oni, um ser monstruoso vindo das profundezas de Tokatsu, um dos oito infernos japoneses. Oni pretende dominar o Japão invocando demônios ao unir todas as relíquias dos youkais. Os Guardiões são dois youkais, Tengu, um monge xintoísta que é um ser meio homem meio corvo e Yuki-Onna, também monja que domina o clima e o gelo.

O quadrinho é todo colorido, tem 48 páginas, e possui duas partes, sendo 26 páginas da história em si e 22 páginas de editorial e extra, com galeria de artistas, processo de criação e uma introdução à mitologia japonesa. Lucas Pereira foi cuidadoso em convidar um bom colorista para a HQ, Nelson Zorzetto que é cuidadoso na escolha dos tons para o cenário e o pessonagem.

A narrativa é bem interessante, por ser simples e direta ao ponto, sem arrodeios, com traços marcantes, cenas de lutas incríveis, bem sequenciadas e cinematográficas, além de uma cena que impressiona pela movimentação e a abordagem em página dupla. Dentro da narrativa temos um prelúdio, que segue o estilo Ukiyo-e, um gênero de xilogravura e pintura que ficou conhecida como estampa japonesa, contando a história do aprisionamento do demônio Oni por um guaxinin gigante, o youkai Tanuki. Após essa breve ambientação, temos o quadrinho em si, onde encontramos o presente dos aprendizes treinados por Tanuki. Abaixo uma amostra das páginas:

Tengu é um trabalho bem feito, com destaque ao uso das cores e a condução da narrativa  sem diálogos. Valoriza a mitologia japonesa, mesmo com personagens, no caso o personagem-título, já bastante utilizado no cinema (Mighty Morphy Power Rangers), televisão (Jiraya), animação (Pokemon), mangás (Rosario+Vampire, Naruto, One Piece, ) e videogames (Ragnarok Online, Art of Fighting), que poderia até soar meio clichê, mas que o autor transpõe a riqueza temática da mitologia envolvida.

Uma aventura épica que iremos acompanhar, já que o segundo volume está em campanha para financiamento. Assim como as estampas pintadas japonesas, Tengu compõe bem o início da aventura, como uma lenda fosse e que os youkais contra-ataquem.

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