Review | Skyward – Conquiste as estrelas, de Brandon Sanderson

O norte-americano Brandon Sanderson, desde seu primeiro livro, Elantris, construiu narrativas fantásticas que fortaleceram sua carreira ao longo dos anos. As sagas Mistborn -Nascidos da BrumaOs ExecutoresThe Stormlight Archives são exemplos dessa sua força narrativa e quando assumiu a série épica Roda do Tempo, para terminar o último livro da série, após a morte de Robert Jordan, aprova o quão brilhante é o seu trabalho, com seus intricados sistemas de construção e magia, personagens bem trabalhados e histórias cativantes que nos deixam sem fôlego e querendo mais. Agora, Sanderson oferece uma nova saga, Skyward, onde abandona a fantasia que estávamos acostumados e se empreende numa ficção científica com o espaço exterior como cenário de fundo.

Derrotada, devastada e levada quase à extinção, a raça humana se vê presa em um planeta distante, constantemente atacado por misteriosos combatentes alienígenas. Spensa, uma adolescente, anseia por se tornar piloto e se juntar à resistência. Quando descobre os restos de uma velha nave, um modelo que a garota nunca tinha visto na vida, percebe que esse sonho pode enfim se tornar realidade. Para isso, no entanto, a garota precisará consertar a grande nave, aprender a pilotá-la e – talvez o mais difícil – convencer a inteligência artificial que controla os restos da embarcação a ajudá-la: essa incrível nave, de alguma forma, parece ter uma alma própria.

Sanderson cria sua sci-fi, mesclando Star WarsEnder’s Game, mas conseguindo fazer uma narrativa com um diferencial. Mesmo tendo as batalhas épicas espaciais que tanto gostamos em Guerra nas Estrelas, e as lutas no treinamento e os horrores da guerra que Orson Scott Card apresentou em seu livro, o autor carrega no drama, no humor e no romance para compor uma boa narrativa juvenil com toques de autoconhecimento e questionamentos sobre paradigmas.

Spensa Nightshade, a jovem protagonista, com seu sonho de ser piloto da Resistência, a única barreira que protege seu mundo dos ataques constantes de uma espécie alienígena conhecida como Krell é a narradora da história, fluída e dinâmica, em um tom casual e juvenil. Apesar de ser uma narrativa para o público juvenil, não é algo ingênuo, há personagens bem trabalhados, e uma elaboração narrativa que nos lança em um cenário difícil, enfrentando uma perspectiva sombria e apresentando a um personagem que simplesmente não se importa em obedecer às probabilidades, tornando Skyward – Conquiste as estrelas (Planeta/Minotauro, tradução de Márcia Blasques) uma narrativa cativante.

Spensa é uma protagonista como um Harry Potter, peculiar e fascinante, que cresce em meio ao preconceito que sua família passa, em busca do seu valor naquela sociedade fictícia. O elenco de personagens que a cercam, conseguem evoluir em igual, com seus próprios anseios e dificuldades, desenvolvidas para serem acompanhadas, com profundidade que leva a uma maneira agradável de acompanhar.

Skyward – Conquiste as estrelas é um início promissor de uma trilogia. Brandon Sanderson consegue desenvolver uma história que se desenrola como seria de esperar dos personagens e do mundo que criou e deixa muitas coisas para os próximos volumes; não temos um cliffhanger no final, como poderíamos esperar, mas uma parada, um momento de recapitulação e um olhar para o futuro. Um futuro que promete muitas aventuras. Vamos aguardar que a Planeta não demore com o segundo volume.

 

 

 

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