Review | O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati

Um dos mais impressionantes romances alegóricos deste tempo - Otto Maria Carpeaux

É Chegada a hora de apresentarmos um pouco sobre a literatura italiana do século XX. O livro da vez no Mundo Hype é o clássico O Deserto dos Tártaros escrito pelo jornalista italiano Dino Buzzati. Seu romance ganhou vida em 1940 e foi adaptado para as telonas em 1976 com o mesmo titulo. Assim como alguns livros resenhados aqui como, Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola e As Últimas Testemunhas, apresentaremos mais uma versão de um livro publicado pela Editora Tag Livros com o selo Tag Curadoria.

Nesse romance de Buzzati,  o leitor acompanha um pouco da vida de Giovanni Drogo um até então aspirante a Tenente. Em uma manhã de setembro, Drogo finalmente encontra seu primeiro desafio militar, o Forte Bastiani. Sem saber onde fica tal localização, só lhe resta imaginar como é o forte, imponente? Amedrontador? Nada se sabe. Convocado a comparecer ao forte, Drogo imagina como será sua vida dali em diante, os grandes desafios da carreira, suas batalhas, seu triunfo e claro seu tão sonhado (mesmo que timidamente) dia de glória. Dia esse que Drogo será admirado por todos, dia esse que sentirá que tomou a escolha certa, dia esse que sentirá que sua vida faz sentido e tudo valeu a pena.

Após sua longa viagem pelas terras áridas de um semi-deserto, Drogo chega ao tão desejado local. Sua desilusão é latente, sua alma se empalidece, sua projeção de forte não era exatamente aquilo que encontrou, um lugar tranquilo, sem a imponência que Drogo esperava, sem o lastro militar que tanto imaginou. Agora, tendo ele investido suas esperanças no tão afastado da civilidade Forte Bastiani, deseja regressar a sua vida na cidade, pegar os cacos de sua desilusão e voltar para o estágio anterior de tudo aquilo. Retomaria sua vida simples, tentaria o serviço militar na região e aposentaria a imagem de um Forte Bastiani imponente e agitado.

Porém, antes que pudesse retornar, Drogo é convencido pelo seu superior a ficar apenas 4 meses e conhecer um pouco mais do ambiente e da rotina, tempo apenas para que não lhe prejudique a carreira, pois as burocracias e processos militares não lhe permitia regressar sem que prejudicasse sua imagem.

Para essa vaga eventualidade, que parecia tornar-se cada vez mais incerta com o tempo, os homens consumiam ali a melhor parte das suas vida.

Agora em um novo momento, Drogo conheceria novos oficiais, nova rotina, refletiria sobre sua missão de vida, seus valores, seu desejo de proteger o forte da ameaça que vem do norte… Os Tártaros. Embora fosse um embate quase utópico, Drogo ansiava pela guerra, ansiava pelo dia que honraria sua carreira triunfando perante os tártaros, mesmo esses que nunca chegavam, esperaria em nome de tudo que acredita, esperaria… esperaria.

O DESERTO DOS TÁRTAROS - MUNDO HYPE
FILME – O DESERTO DOS TÁRTAROS 1976 | FORTE BASTIANI


Por mais simples que possa parecer a obra de Dino Buzzati, o livro traz tantos pontos importantes, tantas metáforas da vida, que chega a ser assustador. São tantas frustrações e desilusões que só quem acredita em algo de verdade pode entender. Quem nunca conheceu alguém que abriu mão de tudo que a sociedade pregou como vida feliz, para correr atrás de seu sonho. Aqui Drogo abre mão de tudo por sua carreira militar. Mulheres, filhos, família, amigos e até mesmo suas próprias convicções. Drogo deposita tudo na glória da guerra, no dia em que sua vida fará sentido, no dia em que entenderá o por que veio ao mundo.

Buzzati usou o militarismo como pano de fundo, mas podemos substituir por qualquer profissão. A sede insaciável de se ver vitorioso e importante é pertinente a todos os seres humanos. Drogo vê o tempo passar, quase como algo palpável, seu jeito de pensar muda, suas certezas morrem e nascem outras. O conselho de pessoas mais velhas, antes eram tão ilógicos, agora parece fazer todo sentido.

Um livro sobre a vida, tempo, escolhas, ilusões, desilusões e glória. Com certeza mais um livro favorito. Uma escrita que beira comparações Kafkanianas e muito próximo aos roteiros de García Márquez, mas sem o realismo mágico. Um romance para indicar aos bons amigos, e fãs de um bom romance.

Aos poucos a fé se enfraquecia. É difícil acreditar numa coisa quando se está sozinho e não se pode falar com ninguém. Justamente naquela época Drogo deu-se conta de que os homens, ainda que possam se querer bem, permanecem sempre distante; que, se alguém sofre, a dor é totalmente sua, ninguém mais pode tomar para si uma minima parte dela; que, se alguém sofre, os outros não vão sofrer por isso, ainda que o amor seja grande, e é isso que causa a solidão da vida.

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