Review | Nada a Perder de Jeff Lemire

Desde as primeiras páginas notamos que o pesado tom de drama e isolamento permeia todos os quadros, e que irá permanecer assim em toda a história, logo no primeiro diálogo no velho bar e o confronto que irá seguir por toda a hq.

O contraste de cores, o passado em cores e “alegre” ou mais suportável do que o presente em cores opacas e frias, a constante presença de neve deixa tudo mais sombrio e claro traz um tom gélido para as cenas e os diálogos de Derek.

Em vários momentos a hq lembra o filme O Lutador, com Mickey Rourke, em ambos roteiros os protagonistas têm um conflito com o passado, um vazio, um fantasma que paira por entre as cenas, no caso aqui os balões e as imagens, as paisagens melancólicas dão uma ambientação triste e vazio de cada um que mora ou apenas sobrevive naquele lugar.

Lemire é um mestre da narrativa, através até de simples onomatopeias nos coloca de espectador em cada um dos quadros mostrados nas páginas da graphic novel. O som dos passos de cada personagem, o andar do persistente cão atrás de Derek, a lembrança de um acidente se intercalando com o presente é assustadora, mesclando quadros e cores.

Notamos a violência e a vida problemática que acompanhou o aspirante a estrela do hóquei Derek Oulette com esses flashes do passado, o que o levou de volta aquele lugar frio, sem esperança, quando toda sua carreira estava promissora, justamente a maneira que seu pai o tratava refletiu no seu caminho, e no caso negativamente, é de se arrepiar o momento da libertação de Derek.

As cores aqui novamente são um destaque a parte, o traço dos personagens e do cenário é amplo e pode parecer simples, mas traz uma crueza e uma ambientação que impressiona nos fazendo sentir a atmosfera fria e as personalidades de cada personagem, cada sensação e sentimento.

O pano de fundo e a mensagem que fica é o deixar para trás, superar e seguir em frente, a aceitação e a libertação de toda a violência. O que Derek e também sua irmã finalmente alcançam em suas decisões de aceitarem tudo que já passaram e que ainda irão passar, o passado não pode ser mudado, então que possam moldar novamente o presente e o futuro, juntos.

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