Review | Máquinas Mortais, de Philip Reeve

Peter Jackson vai encabeçar mais uma grande produção inspirada em obra literária. Desta vez, o diretor de O Hobbit e Senhor dos Anéis, adaptará Máquinas Mortais de Philip Reeve que no Brasil é publicado e distribuído pela Harper Collins.

Sobre o Autor

O primeiro livro de uma tetralogia nomeada “As Crônicas das Cidades Famintas”, lançado oficialmente em 2001, ajuda a dar um novo gás ao gênero do steampunk.

Philip Reeve é ilustrador e trabalhou boa parte da vida em uma livraria. Teve uma breve passagem pela comédia em shows pequenos na cidade onde vivia, como roteirista.

Seu primeiro livro com temática adulta é Mortal Engines (Máquinas Mortais) que ganhou o Prêmio de literatura Nestlé Smarties e foi um dos finalistas do Whitbread Book Award.

 

O que permeia a história principal

Em Máquinas Mortais, a humanidade passou perto de um fim definitivo em um conflito nuclear e biológico chamado de Guerra dos Sessenta Minutos. O mundo virou um campo aberto quase morto, a tecnologia foi está quase extinta e todos as tentativas humanas se voltaram para um único e difícil objetivo: sobreviver, juntamente de suas cidades.

Para sobreviver, as cidades precisam escapar sobre esteiras e engrenagens gigantescas, como tanques de guerra. Sobreviver significa fugir da radioatividade e das doenças que advém disso.

Arte conceitual divulgada por Peter Jackson para Máquinas Mortais.

A regra que dita essa corrida pela sobrevivência é o Darwinismo Municipal que determina que metrópoles consumam as cidades menores e que estas menores, consumam os vilarejos e assim por diante.

A história que realmente queremos saber

A história é protagonizada por Tom Natsworthy, um aprendiz de historiador da terceira classe. Num impeto de coragem, ele salva a vida de seu grande ídolo, Thaddeus Valentine – o maior arqueólogo vivo de Londres. Isso o coloca numa perseguição pelas entralhas de Londres, atrás de Hester Shaw. Hester é uma garota maltrapilha com uma cicatriz enorme no rosto e cheia de sede de vingança.

Tom conhece a verdadeira face de seu herói e se vê, novamente, em um lugar que não gostaria de estar, ao lado de Hester ele precisa sobreviver e voltar ao ponto inicial dessa jornada: Londres. Os dois precisam sobreviver aos imprevistos que encontram pelo caminho nessa aventura e unir forças para alcançar esse objetivo e descobrir mais sobre as razões que os levaram até ali.

Pontos Positivos

Além da trama ser envolvente, de fato, há um mérito em trazer uma distopia onde a tecnologia não é o centro da trama – principalmente sendo tão nova (sendo publicada, a primeira vez, em 2001). Ainda que haja tecnologia, ela é limitada e não caminha para o caminho comum. Isso não é, de longe, algo inovador. Diferente é a maneira como se conta a história.

O livro se encaixa bem no gênero steam-punk e traz um frescor para gênero. Philip Reeve tem um jeito muito simples de contar história e envolvente ao mesmo tempo. Tem quem acredite que o simples seja raso. Nesse caso não. Ainda que, da maneira como descrita, a tecnologia seja intermediaria, o gênero é bem pontuado.

A maneira simples de Philip Reeve, ao contar essa história, é a parte mais divertida de toda a obra. Temos ação, aventura e uma pitada de suspense na medida certa. Mesmo com tantas descrições de maquinas e objetos que podem soar confusos, você não é tirado da aventura em nenhum momento. O ritmo da leitura flui bem. É, de fato, uma leitura leve embora trate de um tema pesado com algumas boas e surpreendentes viradas de história.

É divertido imaginar o mundo como Reeve traz em seu livro. Além do senso de proteção ao passado, Reeve fala do cuidado com o reutilizável, um discurso bem contemporâneo. O universo criado pelo autor tem uma riqueza gostosa de explorar.

Pontos Negativos  

Personagens são as linhas que costuram uma trama e, enquanto um ou outro é extremamente rico e interessante de acompanhar, ainda que seja o vilão, o mocinho da história é um chato. Ter um personagem tão bobo guiando uma história como essa, às vezes nos faz perder o interesse no que ele tem para dizer e em alguns momentos nos faz revirar os olhos com as coisas que pensa e diz.

O livro é classifico como ‘jovem adulto’ por alguns leitores, talvez seja por conta do publico e pela identificação, mas Tom é um garoto fútil, ainda que tão ambicioso e, aparentemente, inteligente. Lembra, em alguns instantes, a superficialidade de alguns personagens de John Green, por exemplo.

A parte boa de Tom, assim como Hester Shawn (que, comparada a ele, é excelente) é que ambos fogem do padrão de protagonistas de aventuras que vemos por aí, ela ainda mais por fugir do que chamamos de ‘padrão’ de beleza. Além de se enquadrar naquele padrão que gostamos de ver: garota destemida e espirituosa.

O grande problema, dentre os personagens, fica concentrado em Tom. Os demais conseguem escapar quando pensamos nesses padrões comportamentais.

O que poderia ser ruim, mas não é

Valentine, o dito vilão da história, foge completamente do arquétipo do vilão. Mesmo tendo ‘duas-caras’, não é isso que Reeve quer que você veja. Como vemos, antes de mais nada, a face paternal e heroica do personagem, é difícil acreditar que ele possa ser diferente daquilo ao longa da história e esse, em meio aos personagens ruins, Valentine é um achado.

Vale a pena se aventurar nas cidades sobre rodas

Para os leitores mais ávidos e para os mais despretensiosos, Philip Reeve traz algo que, mesmo não sendo inovador, refresca um gênero cheio de grandes nomes e já sem novidades há alguns anos. Uma história envolvente e interessante de mergulhar por algumas horas, com reviravoltas e cheia de ação vertiginosa, Máquinas Mortais não promete muita coisa, mas entrega absolutamente tudo o que você gostaria de ler: uma história eletrizante, criativa e inteligente, além de tudo, dinâmica.

Assista ao trailer da adaptação de Peter Jackson para Máquinas Mortais.

Dependemos do apoio de leitores como você para ajudar a manter nossa redação sem fins lucrativos forte e independente.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Você não está conectado à internet