Review | Liberdade – A espiã que (meio) gostava de mim de Andrea Portes

SINOSPE: Paige Nolan é uma jovem fora do comum: fluente em vários idiomas, faixa preta em diversas categorias de luta e dividida entre namoricos.  Mas ela também tem um lado cínico… Afinal, seus pais são ativistas pelos direitos humanos, jornalistas acostumados a denunciar desmandos de ditadores e coisas do tipo. Por isso mesmo, ela devia saber que bancar a heroína numa lanchonete no meio do nada ia acabar mal. Agora ela está sendo cortejada por uma agência de espionagem superconfidencial. A missão? Resgatar Sean Raynes, um dos heróis de Paige, agora vivendo na Rússia.Ciente dos interesses ocultos de governos e corporações mundiais, dificilmente ela gostaria de trazer do exílio o homem responsável por expor as técnicas inconstitucionais de espionagem usadas pelo governo americano. Apesar de metade do país o considerar um traidor. O problema é que a agência — e o espião a la James Bond Madden Carter — tem informações privilegiadas sobre os pais da garota. Os mesmos pais que ela acreditava terem morrido no interior da Turquia, ao perseguir uma denúncia sobre terroristas ameaçando freiras indefesas…

Quando mais jovem, tinha certa predileção por filmes e romances de espionagem. Um gosto que vinha da minha mãe, que me apresentou John Le Carré, Frederick Forsyth, Robert Ludlum, entre outros. O mistério, a tensão, o romance, os casos eram meios condensadores para o climax de cada uma daquelas narrativa de espionagem. Não encontrava títulos atuais nessse estilo, e esse Liberdade: A espiã que (meio) gostava de mim trouxe um pouco daquela lembrança, mesmo sendo uma leitura juvenil, esperava até mais da narrativa, mas até que gostei.

A autora Andrea Portes tem como características escrever livros com um clima um tanto sombrio, muito sarcasmo e doses de humor. Foi assim com Anatomia de um excluído (Galera Record, 2017) e O tempo das Borboletas (HarperCollins Brasil, 2016) e agora com essa narrativa juvenil de espionagem. Apresentando Paige Nolan, uma jovem norte-americana, cujos pais jornalistas desapareceram em uma viagem à Síria. O tormento de não ter mais notícias de seus pais, aliado ao seu treinamento, fazem que encontrem uma organização do governo, a fim de recrutá-la, como está disposta a fazer qualquer coisa para ter informações sobre seus pais. Paige concorda, e sua primeira missão é se infiltrar na Rússia para encontrar um inimigo de estado e matá-lo.

Numa narrativa de primeira pessoa, Paige ou melhor, Liberty (Liberdade), seu codinome de espiã, narra essa missão na Rússia. Divertida e envolvente, a linguagem usada pela autora aproxima o leitor da trama. Personagens simples, mas bem construídos, sem aquele nível de complexidade que conhecemos dos autores citados, o que torna a leitura fácil e rápida.

Como seu codinome é o título do livro, não entendi o porquê que cada pessoa na Rússia sabia o nome real de Paige. Como, isso não derruba o propósito dela ser uma espiã? Um furo narrativo que passou. Outro aspecto que não conseguir engolir é o uso do romance sem medida, a própria personagem diz ter um tipo de transtorno dissociativo, que lhe atrapalhava nos relacionamentos. E não é que se apaixona literalmente no segundo em que vê um cara. Irrealista, o que obviamente, lembrando de James Bond, pode até ocorrer nos filmes, mas mesmo para o gênero não cabia. 

Apesar disso, é agradável, tem cenas hilárias entre Paige e Madden, embora haja esses furos de enredo e um final meio que apressado, a autora realiza sua proposta, divertir. Livros nem sempre precisam ser super profundos e significativos. E é o que Andrea Portes faz, entreter em Moscou da Máfia russa.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here