Review | Dias Gigantes Vol. 1, de John Allison e Lissa Treiman

SINOPSE: Susan, Esther e Daisy começaram a universidade há três semanas e logo se tornaram amigas. Agora, longe de casa pela primeira vez, as três querem se reinventar. Entretanto, diante de garotos com culpa no cartório, “novas experiências”, gripe, mofo misterioso, neochauvinismo e a voluntariosa intrusão indesejada da “academia”, elas podem se considerar sortudas se sobreviverem a tudo isso. Sair de casa para a faculdade é sempre uma época de crescimento, mas para Esther, Susan e Daisy as coisas vão ficar um pouco mais esquisitas.

Seguindo a trilha de Noelle StevensonDaniel Clowes com a Enid Coleslaw e Jeffrey Eugenides com as irmãs Lisboa, a narrativa de John Allison se centra na amizade entre as três jovens nas primeiras três semanas da universidade. A história acontece na Inglaterra e as três estão residência estudantil, longe de casa e com todo o tempo pela frente. O título Dias Gigantes lembra essa fase da vida de muitos, bem apropriado, pois qualquer dia, por mais anódino que possa parecer, é gigantesco e a HQ traz a temática de maneira divertida do início do fim.

Esther de Groot, Daisy Wooton e Susan Ptolemy, as protagonistas desta HQ, possuem características divertidas, embora possa parecer familiar, os autores tornam seus personagens tão agradáveis ​​que não se parecem com estereótipos, mesmo que, em algum nível, isso seja o que são. Esther é uma especialista em fazer o caos e protagoniza cenas dignas de uma rainha do drama. Susan é a cínica do trio e Daisy é aquela amiga inocente e desinteressada que vive no mundo da lua. Há o galã, o nerd e todos aqueles arquétipos de histórias com universitários, além do campus, as aulas, as festas da universidade, uma rave e mais jovens, de todas as cores e procedências. Precisamente, o desenho de Lissa Treiman e as cores de Whitney Cogar trazem o cotidiano das três jovens abordando a diversidade e o empoderamento, presente em todas as cenas do volume, o que dá aos cenários um tom pitoresco. E tratando da arte de Treiman, encanta nao só pelo visual convidativo e expressivo, mas também por dá a cada um dos personagens um visual único, com uma linguagem corporal e expressões faciais particulares. 

 

As anedotas de Daisy, Esther e Susan são envolventes, com gags que personalizam bem cada uma, sem perda de suas características. Todos as três personagens têm intervenções memoráveis ​​e cenas em que são absolutamente bem desenvolvidas. Por exemplo, mas sem dá spoilers, quando Daisy escreve um romance e o seu envolvimento com uma pílula para uma gripe. Ou quando Esther, vestida no estilo steampunk chega a uma sessão de Santería, um ritual afro-caribenho. Ou o fanzine feminista que Susan edita.

Entretanto, se procuras uma narrativa gráfica conceitual, Dias Gigantes não tem aspectos que o classifiquem como tal. É uma história em quadrinhos mais episódica do que serializada, embora o volume reúna os primeiros quatro números da série e funcione em ordem cronológica, dificilmente se poderia considerar um “arco de história”, mas Allison aborda este estilo como se fosse os primeiros dias na universidade, co

Originalmente criada em 2011 como uma série derivada de Scary Go Round, do autor John Allison, e depois publicada de forma independente em editoras de quadrinhos pequenas, Dias Gigantes foi parar na Boom! Studios onde segue sendo publicada. Em 2016, foi indicada a dois Prêmios Eisner (Melhor Minissérie e Melhor Escritor/Artista) e quatro Prêmios Harvey (Melhor Série Inédita, Novo Talento Promissor/Lissa Treiman, Melhor Publicação Original para Jovens Leitores e Melhor Série Contínua ou Minissérie) e, em 2018, foi indicada ao Prêmio Eisner de Melhor Série Contínua. Publicado pela Devir, numa edição caprichada que segue a original da Boom! Studios, Dias Gigantes não é uma HQ particularmente ambiciosa ou desafiadora, mas é uma leitura divertida com uma arte atraente e promete na sequência.

 

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