Review | Conto de Areia de Jim Henson e Jerry Juhl

Jim Henson é um dos nomes mais respeitados entre os criadores de histórias de Hollywood, responsável por personagens emblemáticos e inesquecíveis como, Os Muppets, Vila Sésamo e A Família Dinossauro juntamente com seu parceiro nos roteiros Jerry Juhl, ambos encantaram (e ainda encantam) o mundo com seus bonecos e suas inovações desde os anos 60.

Durante seus anos de manipulador de bonecos Henson e Juhl criaram um roteiro que deveria ter sido transformado em um longa metragem, o filme seria Conto de Areia, uma grande viagem surrealista que foi muito elogiado por vários estúdios na época mas infelizmente nenhum deles aceitou financiar e lançar o projeto, sendo engavetado por tempo indeterminado, após o falecimento de Jim Henson, sua filha, Karen Henson, diretora-executiva da The Jim Henson Company, responsável pela curadoria de todo material deixado pelo pai, encontrou o roteiro e em parceria com a editora Archaia e o desenhista Ramón K. Perez finalmente o lançaram em graphic novel.

Não espere uma história linear, com um final feliz e com todas as perguntas respondidas, em Conto de Areia precisamos nos atentar a todos os detalhes da arte de Ramón K. Perez para tentar, isso mesmo tentar, ter uma ideia do que está acontecendo na frenética perseguição que se inicia logo após a imensa festa preparada para o protagonista Mac. Ele então é perseguido por uma infinidade de locais, e por diversos tipos de personagens, usando de diversos artifícios para escapar e seguir em sua sobrevivência.

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O melhor a se fazer é não ter pressa e apreciar o que se passa nas páginas, mesmo com pouquíssimos diálogos toda a ideia da história é muito bem transmitida. Uma boa dica antes de iniciar essa experiência surrealista é assistir ao curta metragem Time Piece, concebido também pela dupla Jim Henson e Jerry Juhl e ao longa The Cube para entrar no espírito e no ritmo desta obra.

Com um apoteótico final que nos leva a pensar mais ainda sobre o tempo, este roteiro perdido de Jim Henson finalmente pode ser lido por mais fãs de sua obra e abre espaço para infinitas discussões e interpretações sobre os significados de cada detalhe escondido nas páginas dessa fenomenal graphic novel. A história é praticamente uma união de ideias já usadas por Henson e seu parceiro Jerry em Time Piece e The Cube, justamente chegando em pontos de superação e aflição com a mesma intensidade.

Imagino o quanto Jim Henson ficaria satisfeito ao ver o trabalho executado por Ramon Perez, seja na arte ou na fidelidade ao roteiro desenvolvido e transportado para as páginas desta hq. Se Conto de Areia fosse bem sucedido em ir para as telas quando foi criado possivelmente teria sido da mesma maneira que foi retratado aqui, uma homenagem fiel a mente de dois criadores sem limites para imaginar boas e indagadoras histórias.

Em relação ao acabamento gráfico da editora Pipoca & Nanquim, as escolhas aqui foram todas acertadas, seguindo o modelo lançado pela editora Archaia em formato de um caderno de roteiros moleskine, está impecável, mais um acerto para o catálogo da editora e mais um título de primeira linha que está sendo apresentado ao público que ainda não conhecia o trabalho desse gênio que foi Jim Henson.

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