Review | Asa Quebrada, de Antonio Altarriba e Kim

“Por trás de um grande homem sempre há uma grande mulher”. Esse conceito pode ser atribuído à Petra em Asa Quebrada, onde Altarriba esmiúça a vida de sua mãe desde o nascimento, lutou para nascer e mesmo quase sendo morta por seu próprio pai, cresce e mostra se tornar uma mulher forte e determinada.

Devido a criação religiosa, aprende a perdoar e cuida de seu pai em seus últimos anos de vida, mesmo após seus irmãos seguirem suas vidas. Petra passa a vida escondendo a deficiência de seu braço, passando despercebida e em silêncio por vários momentos da história da Espanha, servindo generais em reuniões de guerra, como governanta, passou pelos momentos escuros da revolução e presenciou discussões do mais alto escalão, sempre em silêncio e com a coragem que sempre a acompanhou.

Ao conhecer Antônio,  começamos a ligar fatos com a leitura anterior, A arte de voar, nela temos Petra como coadjuvante,  porém, identificamos agora que muitos dos acontecimentos tiveram grande participação dela, mas novamente, nos bastidores, momentos chave que teriam sido totalmente diferentes se ela tivesse outra atitude.

Ao lermos os acontecimentos em que ela participava, sempre com a mesma discrição, notamos um momento político cada vez mais sombrio, se em A arte de voar, entramos no front de batalha, aqui vemos as decisões tomadas na calada da noite, as viradas da maré para favorecer quem tinha mais apoiadores, a sujeira que era empurrada para debaixo do tapete.

Uma vida sofrida, mas podemos perceber que nada abalava sua vontade, nos piores momentos que passava com Antonio, Petra conseguiu fazer o melhor, a força que ela tirava de sua fé sempre a ajudou a superar seus obstáculos. No fim da vida, diferente de Antônio, na casa de repouso, por estar entre pessoas com o mesmo pensamento, ela tem uma tranquilidade que há muito não experimentava.

O próprio autor diz, no posfácio que, mesmo com sua asa quebrada, Petra voou de galho em galho mais alto que Antônio com seu ímpeto rebelde e contestador. Conquistou um respeito que poucas mulheres de sua época e viveu, mesmo que amargamente, de certo modo feliz, o que nos deixa a pergunta, quantas “Petras” existiram durante esse período negro da história e quantas ainda existem? Altarriba acerta novamente na narrativa e transforma simples personagens em fortes e interessantes protagonistas. Mais um acerto da editora Veneta em nos trazer uma graphic novel que é um documento histórico de uma época que os registros continuam confidenciais.

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