Review | As Viúvas, de Lynda La Plante

Uma homenagem póstuma aos nossos maridos criminosos

O livro As Viúvas pode ser encaixado no estilo de Livro Pipoca. São 400 páginas de pura diversão. E isso tem um motivo.

Antes de ser um livro, As Viúvas foi uma série de sucesso na televisão inglesa na década de 80 onde chegou a ter 2 temporadas. Em 2015, Steve McQueen, diretor de cinema ganhador do Oscar de melhor filme por 12 anos de escravidão se interessou em transforma-lo em um filme para o cinema, e a autora aproveitou para transformá-lo neste romance que acaba de ser lançado pela Editora Intrínseca no Brasil.

As Viúvas, narra a estória de Dolly, Linda e Shirley que não tinham nada em comum até ficarem viúvas simultaneamente, quando seus maridos morrem num golpe frustrado ao tentarem assaltar um carro forte.

Todas, cada uma a sua maneira, passam a viver o luto, até que Dolly, a mais velha e viúva de Harry Rawlins , que era o chefe do grupo, descobre arquivos do marido cheios de provas que comprometem diversos lideres do crime local e com todas as explicações sobre seus esquemas de roubos.

Logo ela percebe que tem muita gente interessada nestes arquivos, pois passa a ser assediada /perseguida tanto pela policia, que deseja prender todos os “nomes” destes arquivos quanto pelos bandidos locais, que veem ali uma chance de se livrar da policia e ainda aumentar seu poder de atuação, já que a morte de Harry deixou uma vaga de chefão do crime em aberto.

Surge então uma ideia maluca na cabeça de Dolly:

Porque vender aquelas informações por uma ninharia se podemos executar o plano de nossos maridos e ganhar um milhão de libras?

De acordo como o plano, são necessárias quatro pessoas para executar o assalto, assim ela decide convocar as outras viúvas para ajuda-la a terminar o plano que matou seus maridos. Uma homenagem póstuma aos homens de suas vidas.

Dolly é decidida e pragmática. Mas atrás da mascara de frieza, é uma quarentona que trabalha como voluntária em um convento cuidando de crianças órfãs. Linda é fogosa e desbocada, trabalha em um fliperama numa zona da cidade cercada por prostitutas e afins. Está constantemente bêbada. Shirley é uma dondoca de 20 e poucos anos que ainda mora com a mãe. Ex-miss, entende tudo de roupas e maquiagem. Mas para que o esquema funcione elas precisam de um quarto elemento, e é ai que surge Bella, stripper e dançarina, com um jeito impetuoso de quem não leva desaforo para casa.

Impossível imaginar que tão diferentes “talentos” sejam capazes de executar um roubo de tal proporção, mas a autora vai aos poucos nos convencendo que elas foram feitas para isso, e logo estamos torcendo por nossas “meninas bandidas”.

Acompanhar todos os detalhes do plano é pura diversão. As páginas passam sem percebermos. Elas precisam aprender a despistar a policia, roubar e arrumar carros, atirar com espingardas pesadas, cortar portas com serra elétrica, comprar roupas especiais, carregar peso, chantagear pessoas e etc. A autora não esqueceu nenhum detalhe.

Mas estamos em um livro de assalto, então nem tudo é tão fácil e tão claro. Pessoas começam a morrer e o detetive encarregado do caso tem uma verdadeira obsessão com Harry Rawlins.

Elas precisam tomar muito cuidado para executar o plano sem que ninguém perceba o que estão fazendo. Nem bandidos, nem a policia.

Mas filmes e livros precisam de plot twists, certo?

Lynda La Plante, a autora, além de escritora é roteirista de series, já tendo ganho Prêmios Emmy e Bafta, portanto ela sabe o que prende o leitor.

O principal plot twist do livro nem chegou a ser tão surpreendente, mas é extremamente importante para acelerar a narrativa, pois a partir deste ponto o leitor precisa saber qual será o impacto daquela descoberta para nossas meninas. E o impacto é cruel.

Lutando para que tudo isso de certo, vamos acompanhando o crescimento no relacionamento destas quatro mulheres com vidas tão diferentes e isso torna a estória ainda mais atual, pois acaba sendo um hino ao empoderamento feminino. No começo elas se detestam, e são muitos egos em um mesmo ambiente, mas o tempo mostra que mulheres unidas podem fazer tanto ou até mais do que homens. E que até as mais fortes escondem esqueletos no armário.

Vai sair de férias? Este livro é perfeito para te acompanhar.

Para homens, com certeza será um ótimo divertimento. Mas as mulheres que o lerem, com certeza vão chegar ao fim da leitura com um sorriso estampado nos rostos que levará um tempo para ser apagado.

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