Review | As crônicas de Lankhmar, de Howard Chaykin, Mike Mignola e Al Willianson

SINOPSE: Adaptação em quadrinhos das clássicas aventuras criadas por Fritz Lieber, que narram as peripécias de dois aventureiros numa grande cidade, controlada por guildas.

O cenário fantástico de Lankhmar é um dos mais conhecidos mundos do gênero. Criado em 1939 pelo escritor norte-americano Fritz Leiber (1910-1992), as histórias criadas influenciaram diversos outros autores, como também material para RPG, aqui publicados pela Retropunk, e para diversos quadrinhos, seriados e filmes. Leiber apresentava as aventuras de Fafhrd e Gatuno (Fafhrd and the Gray Mouser), dois personagens mais próximos dos defeitos e virtudes humanas do que o Conan de Robert E. Howard ou o Tarzan de Burroughs. Fafhrd, um bárbaro do norte, alto e robusto e Gatuno, um ladrão audaz, pequeno e rápido, que se encontram e se unem para sobreviver em um mundo decadente, em aventuras regadas a mulheres e bebidas, festas e jogos de azar, brigas e roubos, além de atrapalhadas missões e impiedosas batalhas.

Desde sua criação, o mundo da cidade de Lankhmar figura entre uma das mais importantes criações da ficção fantástica. Em português, poucas edições são encontradas, a maioria publicadas em Portugal, sem falar de alguns contos em revistas ou a história de ficção científica Os cérebros prateados (Hemus, 1961), continuando inédito no Brasil um trabalho grandioso como foi o do criativo Leiber. Uma exceção é uma raríssima adaptação em quadrinhos, Crônicas de Lankhmar – as aventuras de Fafhrd & Gatuno (Fritz Leiber’s Fafhrd & The Gray Mouser), que a editora Devir publicou numa edição caprichada, no formato original (16,5x24cm), toda colorida em papel couchê.

Originalmente publicada em 1991 pelo selo Epic Comics, retornou numa versão nos EUA, no ano passado, pela Dark Horse, a adaptação para os quadrinhos ficou a cargo de Howard Chaykin na história, Mike “Hellboy” Mignola nas ilustrações, arte-final de Al Williamson e cores por Sherilyn van Valkenburgh. Chaykin, conhecido por sua inovadora e controversa narrativas, como American Flagg ou Black Kiss, consegue passar junto com o desenho de Mignola, o estilo cruel e satírico dos personagens do mestre Leiber, fazendo deste trabalho, antes do estrelado, um de seus melhores trabalhos, contudo a parceria entre Chaykin e Mignola não se repetiu mais, após essa adaptação.

A primeira história, Péssimos encontros em Lankhmar, adaptação de Ill met in Lankhmar (1970), conto vencedor dos prêmios Nebula e Hugo de melhor conto, em 1971. A história mostra os dois aventureiros e suas duas namoradas, Ivrian e Vlana, enfrentando a Guilda de Ladrões e de Assassinos da cidade de Lankhmar.

Em seguida temos O Círculo maldito, adaptado de The circle curse (1970), o sinistro conto A torre assombrada, a partir de The Howling Tower (1941), O preço do alívio baseada no original The price of pain-ease (1970), os dois aventureiros confrontam a Morte; O bazar do bizarro, adaptação do conto Bazaar of the bizarre (1963), bem no estilo assustador de H.P. Lovecraft; a hilária Tempos difíceis em Lankhmar, é a próxima história, adaptada do conto Lean Times in Lankhmar (1959), onde o bárbaro se torna adepto de uma nova religião e larga as armas. A última história é a mais fraca, Quando o rei dos mares está fora, adaptado do conto publicado originalmente como When the Sea-King’s away (1960), na ausência do rei, os dois colegas aproveitam para assediar as mulheres do soberano.

Os desenhos  estilizados de Mignola combinam com a arte crua de Williamson, equilibrados para um tom realístico. O cenário de Lankhmar e seus arredores são expostos com cores e ação, junto ao sólido argumento de Chaykin.

Um título que proporciona uma ótima introdução ao universo criado por Leiber, esperemos que as editoras brasileiras publiquem mais dessa suas histórias, quem sabe a própria Devir traga mais deste cenário, enquanto isso vamos se contentar com este presente que a editora trouxe ao público leitor.

 

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