Review | 15h17 – Trem para Paris, de Anthony Sadler, Alek Skarlatos, Spencer Stone e Jeffrey Stern

O acaso talvez seja o pseudônimo de Deus quando ele não quer usar sua assinaturaTheophile Gautier.

O livro 15h17 – Trem para Paris, lançado este ano pela BestSeller, que narra a surpreendente iniciativa de três amigos americanos que, em meio à viagem de lazer, acabaram conseguindo impedir o ataque de mais um soldado do Estado Islâmico a matar dezenas de pessoas em um atentado terrorista. O título ganhou até uma adaptação para o cinema, com o filme homônimo, dirigido por Clint Eastwood.

Clint Eastwood e os heróis do trem de Paris, que fizeram os próprios papeis no filme homônimo.

Anthony Sadler, Alek Skarlatos e Spencer Stone, os três amigos americanos venderam sua história de vida para a PublicAffairs e The 15:17 to Paris foi publicado nos Estados Unidos, no aniversário de um ano do ato de heroísmo que rendeu aos três homens a Legião Francesa de Honra. O jornalista Jeffrey E. Stern ajudou a escrever sobre os acontecimento na França, como também um pouco de suas vidas até a fatídica tarde. 

A frase que abre o título é um “prefácio’ tão perspicaz, que reflete, de um modo simples, diante dos acontecimentos narrados nas suas páginas, que não haveria outra melhor para dar início. 15h17 – Trem para Paris, escrita em terceira pessoa, é tanto uma narrativa cheia de ação e aventura, quanto um importante registro histórico de um evento sem precedentes, embora pareça o roteiro de um filme da franquia Mission: Impossible (exceto pela ausência de Deus ex Machina), estamos tratando aqui de uma história real, com heróis reais.

Os acontecimentos giram em torno da relação entre Alek, Spancer e Anthony, três amigos de infância que tiveram seus destinos novamente ligados por uma excursão pela Europa e por um atentado terrorista, evitado por eles. Inicialmente é narrada a peculiar infância deles, seu amor por armas e sua paixão por história, especialmente pelas guerras, sem deixar de lado toda a dificuldade que tiveram ao tentar sem sucesso se adaptar ao pequeno colégio cristão, que era para eles um ambiente hostil, cheio de pessoas com quem não compactuavam em absolutamente nada.

Com o desenrolar da história, acabamos nos apegado aos personagens, e durante todo o livro, existe uma certa “coleta de dados”, vamos criando pontos ao longo da leitura, que acabam no final sendo ligados uns aos outros, mas poderá não fazer sentido, pela forma que os fios narrativos são interligados. Alguns leitores podem até achar enfadonho a leitura, mas a maneira de como o clímax é decomposto ao longo da narrativa, como flashbacks, um recurso bem utilizado que garante a apreciação da mesma.

O livro é repleto de lições para situações de perigo, de noções de primeiros socorros, conhecimentos envolvendo cultura e geografia, além do que é praticamente um diário de bordo sobre como e onde fazer turismo na Europa, dá para curtir bastante as viagens, especialmente a viagem à Alemanha.

Por fim, vale ressaltar que a leitura se dinamiza, visto que enxergamos os acontecimentos de diferentes pontos de vista, até mesmo no do antagonista da história. Os conflitos resultantes do clímax são resolvidos, e o final da história é emocionante. Vale conferir e refletir sobre como algumas vezes encaramos pequenas coincidências, que consoam no fim para beneficiar a justiça e a honra daqueles que tem coragem para pôr em risco suas vidas, em detrimento de tantas outras. Como Mario Sérgio Cortella costuma dizer “A sorte segue a coragem”, e de fato a coragem desses jovens é algo a se admirar, não á toa tiveram tanta “sorte”.

Dependemos do apoio de leitores como você para ajudar a manter nossa redação sem fins lucrativos forte e independente.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Você não está conectado à internet