Review | A Garota na Teia de Aranha, de David Lagercrantz

Quase ruim. Ainda precisa se esforçar um pouco.

Sim, sou fã da trilogia Millenium.

Tiro meu chapéu para a criatividade de Stieg Larsson e sua capacidade de ter criado duas estórias tão incríveis, já que considero os dois últimos livros da trilogia uma estória só.
Lembro de ter assistido no Netfilx toda a trilogia filmada na Suécia, completamente fiel aos livros e me certifiquei que minha memória tinha razão: A Trilogia Millenium é muito boa.

Sendo assim, dá até um pouco de dó de ler este citado “quarto” livro. É tão obvio que foi escrito por uma outra pessoa e que o talento deste é inversamente proporcional ao do autor original. Vou aqui chama-lo de fulano, pois nem me preocuparei em decorar seu nome, já que sei que nunca lerei nada de fulano fora do mundo da Millenium.

Ok, vamos dar um ponto para o cara. Imagina o peso que caiu sobre as costas do fulano sabendo que ia escrever algo que o mundo inteiro ia querer ler e comparar. Eu não sei se aceitaria e se aceitasse deveria viver a base de calmantes, mas já que o fulano tinha toda a certeza que o livro seria um sucesso de vendas, podia ter se esforçado um pouco mais para respeitar um legado tão importante.

Lisbeth Salander e Mikail Blomkosvist são dois marcos na literatura mundial e não há como negar isso.

Neste livro, Mikail até é um pouco respeitado e reverenciado, mas Lisbeth é quase uma coadjuvante de luxo, como se ela tivesse cobrado um cachê muito alto e tivesse sua participação reduzida. Tenho a impressão que ela só aparece realizando alguma ação lá pela pagina 150. Mas o pior é que ela é substituída por diversos papos “nerds cabeça” que tentam soar como modernos e antenados, mas só me passaram a impressão de uma aula chata de física quântica.

O autor tenta criar teorias da conspiração, mas são tão complexas que não nos envolvem. Enquanto Stieg Larsson ia nos envolvendo didaticamente numa estória mirabolante, aqui temos uma verborragia e muitos personagens muito inteligentes que parecem estar o tempo todo pedindo aplauso por serem tão geniais.

Até agora não sei se Ed Neeham era mocinho ou bandido. A trilogia tinha uma crítica forte a burocracia da sociedade sueca e principalmente ao machismo. Aqui o autor tenta criticar os tempos de Big Brother que vivemos, mas não sabe se critica os americanos ou se puxa o saco deles para vender mais livros por lá.

Certos momentos dão vergonha. O momento do crime contra o físico é inacreditavelmente mal escrito. Ele tenta trazer suspense e ação, tenta criar um clima que nos deixe tenso, mas como crer que na Suécia existam dois policiais tão imbecis e primários como os citados no livro. Podia recomendar que o autor assistisse mais filmes de suspense americano para aprender a criar situações climáticas, mas acho que ele não viu nem Loucademia de Polícia, pois até lá existiam “tiras” mais espertos. Difícil de engolir.

Mas o pior ainda estava por vir. O autor quis criar uma antagonista a altura de Lisbeth, mas a sua descrição de uma mulher quase mitológica é simplesmente sacal. Imaginei uma sereia feiticeira andando no meio de Estocolmo. Difícil descrever como nada ali cola. A mulher que controla todos os homens. É fulano tentando criar uma nova personagem marcante, mas eu não sabia se ria, chorava ou pulava páginas. E que chato todo mundo sempre querendo fazer mal a Lisbeth. Será que não dava para inventar um novo motivo para o vilão ser vilão?

Por fim, o autor é tão ruim que na cena em que ambas deveriam se encontrar e ser um ápice do livro, ele prefere contar a estória através de um outro narrador que simplesmente assistiu à ação de longe. Ali perdi totalmente meu respeito pelo cara.

Será que ele não leu o final da Garota que Brincava com Fogo? Tinha toda a chance para nos deixar tensos e querendo devorar as páginas para ver como Salander se safaria daquilo, mas não, preferiu um caminho totalmente sem sentido. O que seriam umas 20 páginas de tensão viraram um misero flashback preguiçoso. Nunca esquecerei isso em minha vida, e se fosse professor de redação recomendaria este livro a meus alunos, como um exemplo de como não se deve escrever.

Resumindo: ainda bem que não comprei este livro na euforia do lançamento. Pelo menos paguei menos para matar a saudade de Lisbeth.

Infelizmente, após ler este livro, encontrei poucas resenhas que concordassem comigo, sendo assim parece que o público assinou embaixo para e o cara se sentiu capaz de continuar criando a “nova trilogia Millenium”. Lançou um quinto livro que ainda está na minha fila, mas sem grandes expectativas.

Mas já aviso: aceito pagar “Dé real “ pelo próximo capitulo, e ainda tenho dúvidas se este escritor merece tanto. Eu preferia que tivessem dado o livro para o/os roteiristas dos filmes suecos, pois estes compreenderam os personagens da saga original.

Uma prova de que este livro é um grande caça níquel é que ele foi vendido para Hollywood  que resolveu faze-lo antes dos livros 2 e 3 em versão americana. O filme, diferente dos suecos e mesmo do americano de David Fincher foi somente baseado no livro, o que na minha opinião foi bom, pois deste material aqui era difícil gerar um filme com um minimo de consistência.

Eu recomendo pular direto para o filme. Não será o filme da sua vida, mas pelo menos passa mais rápido.

Crítica | Millenium: A Garota na Teia de Aranha

Dependemos do apoio de leitores como você para ajudar a manter nossa redação sem fins lucrativos forte e independente.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Você não está conectado à internet