Review | Amor para um Escocês, de Sarah MacLean

Uma história de amor e superação de traumas por um casal que foge do convencional dos romances de época

Continuando minha saga com a trilogia Escândalos e Canalhas da autora Sarah MacLean, hoje trago a resenha de Amor para um escocês, segundo livro da série publicada no Brasil pela Editora Gutenberg.

Nesse livro temos o Duque de Warnick, Alec Stuart, que conhecemos no primeiro livro a partir de sua amizade com o Marquês de Eversley, décimo oitavo duque de uma linha sucessória repleta de acidentes, no caso, uma sucessão de duques morreram tragicamente em um período de duas semanas. Como um escocês turrão que não têm boas lembranças da Inglaterra, ele administra suas novas aquisições de forma distante, garantindo o suficiente para manter os empregados e seus dependentes, mas sem se importar muito com o que realmente acontecia com suas posses inglesas.

Depois de cinco longos e plenos anos vivendo tranquilo na Escócia, Alec é contatado pelo seu advogado porque uma pupila sua, sobre a qual ele não tinha conhecimento, estava no centro de um escândalo. Essa pupila, Lillian Hargrove, viveu sozinha por anos, sendo esquecida até pelos próprios empregados da casa onde morava. Quando recebeu um pouco de atenção de um artista libertino, a jovem acaba sendo enganada e ficando no meio de um escândalo sem precedentes. O artista havia pintado Lillian nua, e planejava expor a pintura para toda Londres, querendo ganhar fama com a exposição da moça.

A situação em que o artista deixa Lillian faz com que ela seja motivo de escárnio e piada da sociedade. Com este ocorrido, Alec acaba indo parar em Londres, desejando resolver o mais rápido o possível o problema de sua pupila, ou seja, casando-a e passando e problema para outro, mas as coisas não acontecem da forma que ele esperava.

Já vi algumas resenhas comparando o primeiro com o segundo livro, mas, já adianto, é complicado comparar as duas histórias, pois elas são únicas. Enquanto no Cilada para um marquês (resenha já disponível no site – link aqui) estávamos lidando com um desabrochar de uma mulher que, se estivesse em grupo, não seria notada pelo seu marido, em Amor para um escocês temos um casal lidando com os demônios do próprio passado. Lillian se sente culpada por ter sido enganada por alguém que ela acreditava amor, enquanto Alec se sente imperfeito por seu passado, um bruto que não merece um futuro bom. Antes de aceitarem o amor e a reciprocidade, eles precisam primeiro a lidar com os próprios dilemas e defeitos.

Talvez fosse por isso que ele soube, no mesmo instante, a verdade sobre ela. Por isso ele enxergava os defeitos dela com tanta clareza. Defeitos enxergam defeitos.

Os dois são muito obstinados em seus desejos e opiniões, o que acaba rendendo cenas engraçadas das discussões do casal, e cenas emocionantes de compreensão e cumplicidade. Um casal bem fora dos padrões dos romances de época, pois, dessa vez, Lillian não é tão inocente como a maioria das protagonistas. Isso me fez gostar mais do livro? Sim! Porque ela não é inocente por falta de conhecimento, mas de uma forma diferente, por não conhecer o que é ser amada, seja pela família, por amigos ou por alguém amado.

_Por que?

_Porque amor é para aqueles que têm sorte.

_O que quer dizer? – ele perguntou, sentindo-se desconfortável com a triste verdade das palavras dela.

_ Apenas que não estou entre as pessoas de sorte. Todos aqueles que eu já amei foram embora.

Além de uma história de superações e recomeços, esse livro mostra de uma forma tocante o que um ato de confiança pode fazer com a vida de uma pessoa, principalmente com a vida de uma mulher, seja no passado, seja no presente. Achei bem interessante a nota no final do livro onde a autora fala sobre as mulheres que passam pela situação de terem seus nudes vazados, e que, por mais que o tempo passe, as pessoas e o julgamento das mesmas ainda não muda. Sarah MacLean conseguiu tratar do tema de forma leve, mas que nos causa impacto, ao perceber o quanto uma situação dessa pode machucar alguém, e, mais ainda, alguém vulnerável.

Minha reputação está arruinada porque eu sou uma mulher, e nós, mulheres, não nos pertencemos. Nós pertencemos ao mundo. Nosso corpo, nossa mente.

Eu me apaixonei pela Lillian. Sarah conseguiu escrever uma personagem forte e, ao mesmo tempo, frágil, que anseia pelo toque e por atenção, visto que passou muito tempo sozinha, vivendo entre dois mundos sem ser aceita por nenhum deles.  Foi uma personagem eu cresceu ao longo da história e se mostrou bem mais do que esperavam dela.

Alec Stuart, o demônio das Highlands, foi um dos mocinhos que mais me encantou em romances de época. Por mais que tenha demorado a compreender e aceitar que era amado, foi uma surpresa maravilhosa nesse livro entender o porquê de Alec se sentir rejeitado. Ele não é um libertino comum, como os mocinhos comuns nesse estilo de livro, sequer é um libertino de verdade. Ele é um homem marcado por um passado triste, e que deixou que eventos do passado o marcassem de forma a acreditar que não era merecedor de qualquer tipo de amor. Por mais que a cabeça dura dele irritasse algumas vezes, suas atitudes eram bem fundadas em tudo o que viveu.

Se você quer romance, peça-o a um escocês.

Outra coisa que eu amei nesse livro foi a presença das Talbots, as irmãs perigosas. Elas deixaram o clima do livro mais leve e me roubaram boas risadas nos momentos em que apareciam. Sesily é a mais divertida de todas, e, quando qualquer uma das irmãs aparece, é motivo certo de riso. O casal do primeiro livro da trilogia aparece aqui – Sophie e Rei, visto que o marquês e o duque são melhores amigos. Além disso, para quem leu a série anterior da autora, Clube dos Canalhas, vai reencontrar alguns dos queridos personagens dessa série. Clube dos Canalhas também foi publicada pela Editora Gutenberg.

Das irmãs Talbot, Seraphine não aparece nesse livro, sendo que sua história será contada no terceiro livro, Perigo para um inglês, que em breve será resenhado também.

No mais, esse livro foi escrito de uma forma leve e tratou de assuntos que poderiam ter dado muito problema se Sarah MacLean não soubesse lidar tão bem com as palavras. Uma história de amor, duas histórias de superação e um lugar definitivo na minha lista de favoritos de romances de época.

E vocês, já leram algum livro da autora? Quais foram? Deixem aqui nos comentários.

 

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