Review | Nemo – As Rosas de Berlim

SINOPSE DA EDITORA: Dezesseis anos atrás, a famosa pirata científica Janni Nemo se aventurou nos recônditos gelados da Antártida para superar os feitos de seu pai em meio a uma tempestade de loucura e quase perdeu seu Nautilus e a própria vida. Estamos em 1941. Janni criou uma aliança estratégica muito vantajosa com o casamento de sua filha, Hira, e Armand Robur, filho do famoso terrorista aeronauta. Porém, ao descobrir que seus entes queridos tornaram-se reféns na assustadora Berlim, a rainha-pirata não tem outra escolha senão intervir diretamente, viajando até o coração da metrópole bestial. Lá ela enfrentará criminosos, monstros e lendas, incluindo os notórios “Heróis do Crepúsculo”, a contraparte teutônica da Liga Extraordinária de Mina Murray. E ao final dessa lista de adversários, Janni encontrará algo ainda pior.

Ao longo do tempo desde a sua primeira publicação, o universo ficcional da Liga Extraordinária expandiu-se, abrangendo todo o planeta (e um pouco além) em diferentes momentos da história, baseando seus personagens e cenários nas diferentes obras de ficção. Os dois primeiros volumes foram ambientados no século XIX , durante a Era Vitoriana, e depois expande para o XX e XXI , com o Dossiê Negro e 21st century: All that is left, além desta trilogia que tira o foco do grupo que forma a Liga para se concentrar na história de Janni Dakar, a filha do capitão original Nemo. Desta forma, Alan Moore e Kevin O’Neill continuam a desenvolver e expandir o mundo da ficção com o qual começaram a trabalhar há mais de 15 anos, e o mais interessante é um dos poucos projetos em andamento que Moore ocasionalmente sai de sua semi-aposentadoria para trabalhar.

A primeira história da Capitã Nemo, Coração de Gelo, nos levou a 1925, numa expedição à Antártida. Este segundo volume, Rosas de Berlim, ocorre 16 anos depois, em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial. Como diz o título, encontraremos em Berlim, uma Berlim projetada por O’Neill e Moore baseada principalmente na metrópole de Fritz Lang.

Janni e Broad Arrow Jack vêm a Berlim depois de receber a notícia de que sua filha, Hira, foi capturada, após a perda da nave de seu esposo, Armand Robur. Em sua missão de resgate, serão envolvidos nos conflitos do poder desta Alemanha governada por Adenoide Hynkel (o Hitler Chaplin em O Grande Ditador ) e a versão alemã da Liga, Die Zwielichthelden composta por Dr. Werner Mabuse, Dr. Helmut Caligari e o seu assassino Cesare, Carl A. Rotwang e a andróide Maria. Todos, por uma razão desconhecida, estão determinados a matá-los gerando uma narrativa de ação quase constante, exceto pelas cenas que explicam as razões disso tudo que serão o pilar sobre o qual o fio narrativo se baseia.

Como na primeira história desta trilogia, temos um roteiro de Moore completamente linear, uma narrativa sem complexidades, simples, guiado pelo tom de ação e aventura que já tinha no anterior, que li em versão digital. Para os desavisados, a dificuldade na leitura será presente, pois Moore decide usar a língua original dos personagens, resultando em muitas linhas importantes de diálogo inteiramente escritos em alemão não traduzido. Para quem não domina esta língua e não quer usar um tradutor automático, recomenda-se ir a anotações, o que dificulta a leitura, pois o alemão não é uma língua fácil de compreensão.

Por sua parte, O’Neill se lança do traço complexo para adicionar cenas incríveis, com projetos detalhados da cidade, navios e máquinas, bem como inúmeros acenos para referências literária, cinematográfica e culturais em geral daquele período. Embora consiga fazer ótimos desenhos, sem dúvida, Moore também desempenhou seu papel nesse aspecto dos quadrinhos, abordando detalhes à composição e ao enquadramento de suas páginas, guiando a história em sua sequencialidade.

Em suma, Rosas de Berlim é um belo conto deste universo, que contribui e desenvolve o o espaço e o tempo de vários personagens de importância (essencialmente aqui, os descendentes do Capitão Nemo). E acima de tudo, é Alan Moore e Kevin O’Neill, uma dupla consolidada, que trabalha procurando não só o desfrute para seus fãs, mas o prazer da releitura, de buscar amplas referências de suas novas histórias em quadrinhos e daquelas já lidas, o que não é pouca coisa.

A próxima parada, nesta trilogia, será em 1975, em uma história na Amazônia, com o título River of Ghosts e que poderia ser publicado em português em um ano, levando em conta as datas de publicação dos dois primeiros volumes. Aguardemos este próximo volume para continuar viajando por este universo.

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