Review | Weird Western, de Robert E. Howard

Review | Weird Western, de Robert E. Howard

A primeira obra que assimilamos o tradicional nome de Robert E. Howard definitivamente é a do cimério Conan, seu personagem mais famoso. Em sua curta vida, Howard nos presenteou com mais outros personagens, Solomon Kane, Bran Mak Morn o rei dos Pictos, Rei Kull que foi o precursor de Conan e Red Sonja que apareceu apenas no conto A Sombra do Abutre de 1934, para somente nos anos 70 se tornar a guerreira que todos conhecemos pela mente de Roy Thomas, todos possuindo contos calcados no que convencionou ser chamado espada e feitiçaria, e como o próprio nome diz, histórias envolvendo aventuras, batalhas sangrentas, catacumbas amaldiçoadas, belas mulheres e magos maléficos.

Porém, nosso emblemático contador de histórias percorreu também os caminhos dos pioneiros do oeste, os famosos westerns, mas no caso temos também elementos fantasiosos e também enveredando pelo universo do horror cósmico de H.P. Lovecraft (com quem Howard trocou correspondência durante anos) e assim, chegamos a esse primeiro volume de Weird Western publicado com excelência pela editora Clock Tower em um bem sucedido projeto pelo Catarse.

Para todos se situarem, um bom ponto de partida para assimilar os contos presentes são as ótimas histórias do Mágico Vento da Bonelli do mestre Gianfranco Manfredi e também em algumas das histórias de Zagor, criação do próprio Sergio Bonelli , que seguem a fórmula explorada aqui, onde histórias de faroeste encontram um inexplicável horror sobrenatural.

Mas vamos ao que interessa, temos nesta edição oito contos principais e mais 5 apêndices que complementam a leitura, e neles o mistério e o terror do desconhecido rastejam pelas páginas. Iniciando com O Horror da Colina, onde a cobiça de um explorador tem um inesperado encontro com um ser da noite, em O Vale dos Perdidos, que poderia facilmente ter sido escrito em parceria com Lovecraft, seguimos um conflito entre duas famílias que culmina em uma grande descoberta cósmica no meio de um vale no árido oeste, com criaturas típicas do mundo subterrâneo.

No conto O Coração do Velho Garfield temos a história de Jim Garfield e sua misteriosa longevidade com um estranho coração forte. O Homem no Chão traz um tradicional duelo de cowboys com um desfecho no mínimo intrigante. Os mortos lembram percorre um sangrento caminho místico através de depoimentos de uma misteriosa morte nos fundos de um saloon. Pelo amor de Barbara Allen é uma viagem através das memórias e vidas de um jovem visitando seu antepassado em um devaneio com um triste acorde musical em seu fim.

Em o Cavaleiro do Trovão uma jornada mística em busca de respostas para aquietar o espírito de um descendente Cherokee percorre enevoados caminhos que envolvem conquistadores e maldições, nesse conto temos uma narrativa que lembra muito os contos que veríamos de Conan. A Sombra da besta, temos quase que um clássico conto de casa mal assombrada, onde novamente a ambientação e a narrativa seguem a mesma linha dos contos de Lovecraft.

Após esses contos, temos um apêndice com O Estranho caso de Josiah Wilbanger uma suposta história real onde Josiah misteriosamente sobrevive por doze anos após ser escalpelado pelos Comanches. O conto clássico do sudoeste é uma carta enviada a August Derleth fundador da editora Arkham House. Temos também o poema A Terra Sombria e para finalizar uma carta escrita por Lovecraft para a Fantasy Magazine sobre a tragédia do suicídio de Howard aos 30 anos e o impacto na literatura.

Não podemos nos esquecer das belas ilustrações no início dos contos de autoria de Giovani Luengo que nos ambienta no que iremos encontrar pela frente, e também, as metas estendidas desenhadas por Leander Moura. Um trabalho que mostra que a genialidade de Robert E. Howard em apenas 30 anos de vida produziu um material de qualidade inigualável, e ainda nos dias de hoje continua relevante e com a mesma força de quando foi criado 85 anos atrás.

“Os homens humildes e fortes sempre vão para as terras virgens e lutam as heróicas batalhas para abrir caminho para a civilização. Então vem a civilização, caracterizada principalmente pelos seus elegantes homens perspicazes, gentis e afáveis, que brincam com negócios, leis e política e lucram. Eles desfrutam do trabalho de outros homens, enquanto os verdadeiros pioneiros morrem de fome.”

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