Review | Você, de Caroline Kepnes

Você, de Caroline Kepnes, foi lançado nos EUA em 2014 e logo se transformou em um best-seller no New York Times, tendo seus direitos adquiridos para se tornar uma minissérie de televisão.  A serie foi comprada pela Netflix e passou a ser exibida por aqui este mês de dezembro, causando uma grande divisão entre público e crítica. Enquanto muitos gostam,  outros estão achando o  texto um pouco problemático, por romantizar o psicopata.

Ao ver que seria lançado como uma serie Netflix este ano, resolvi ler este livro. Além disso a capa do livro trazia a recomendação de Stephen King, renomado autor de Thrillers e Lena Durhan, criadora da hypada serie Girls com características feministas. Mas para mim foi mais um caso de marketing enganoso de editora. Infelizmente, para mim, o livro foi uma grande decepção. Ao terminar, a impressão que ficou é que os roteiristas do seriado vão ter que tirar água de pedra para prender a nossa atenção, pois como livro, em minha opinião, a autora não teve sucesso.

Mas deixe-me tentar explicar o porque achei este livro tão fraco. Caroline Kepnes é uma autora estreante, e para mim esta inexperiência fica explicita no texto do livro.

A história

Você é a estória de Joe. Ele trabalha em uma livraria desde mais novo e é ali que ele conhece Você, ou melhor, Beck, uma bela garota aspirante à escritora que entra ali para comprar um “livro de pessoas inteligentes”, de acordo com a lógica de Joe.

Você
Você – Joe (Pen Badgley) conhece Beck (Elizabeth Lail) na livraria em que trabalha

Ele não se formou em nenhuma faculdade, mas acredita que leu muita coisa na vida e sente-se a vontade para julgar alguém pelo seu gênero literário preferido, além de muitas outras características elitistas.

Apaixona-se por Beck a primeira vista e tem certeza que ela irá se apaixonar por ele e que eles foram feitos para viver um com o outro para todo o sempre.

Parece bonito. Poderia ser uma romântica estória de amor, mas Joe é um psicopata. Simples assim.

Através do nome do comprovante do cartão de credito ele consegue stalkear toda a vida de Beck, o que, aliás, é muito fácil, pois ela é ridiculamente insegura e tem sua vida toda aberta na internet.

Mas nem tudo é assim tão simples. Beck tem um namorado que não liga muito para ela, mas que ela vive perseguindo igual a uma mocinha submissa e também tem uma amiga muito rica e elitista, que não permite que Beck misture-se com aqueles que ela considera inferiores e tem interesses escusos nesta amizade.

Você e os Clichês Tóxicos

Chegamos ai aos clichês: Joe terá que se livrar dos dois para que Beck possa perceber que tudo o que ela precisa nesta vida é de Joe. Mas nem isso é suficiente, pois Beck é péssima. Superficial, mimada, estupida e burra como uma porta.

Aliás, este livro é uma convenção de pessoas tóxicas. Para mim foi impossível me afeiçoar a qualquer um dos personagens. Fiquei até com pena da autora, pois deve conviver com gente tão insuportável para ter conseguido criar personagens assim.

No começo a leitura estava até difícil devido ao estilo narrativo escolhido pela autora. Claramente a intenção é nos colocar na cabeça de Joe, portanto o livro é todo em 1ª pessoa, o que deixa o livro neuroticamente verborrágico, pois Joe fala e reclama sem parar. Ele detesta tudo e todos. E detesta, e detesta, e detesta. Era para ser sarcástico e irônico, mas para mim era um depressivo destilando fel o tempo todo, o tipo de gente que em tempos atuais tornou-se extremamente fácil encontrar, já que com a internet todo mundo tem opiniões e conhecimentos melhores que os outros. E para mim, o tipo de gente de quem venho fazendo força para me distanciar.

Mas mesmo assim, torcemos por ele, porque os personagens que ele decide eliminar são tão insuportáveis, que torcemos pelo psicopata, por mais arrogante que ele seja.

Outro ponto muito negativo do livro é que Joe não tem alguém que lhe ameace. Quando lemos um thriller, precisamos ter a policia e o bandido. Aqui ele comete crimes e nunca tem ninguém para lhe investigar. É tudo simples. Talvez, como psicopata ele não tivesse medo mesmo, mas aqui ele não tem medo, porque realmente a autora não quis criar nenhuma ameaça para ele. Talvez sua maior ameaça seja a própria Beck, mas ela é tão mesquinha que mais uma vez me peguei torcendo pelo psicopata.

Ainda não vi a serie, então não posso opinar, mas ouvi opiniões dizendo que a serie tenta vender Joe como um “bom psicopata”. Eu não acho que esta tenha sido a intenção da autora, mas seus personagens coadjuvantes são tão chatos, que ela acaba criando esta sensação na obra.

No fim, a discussão sobre o problema da falta de privacidade em tempos de redes sociais ou de como se comporta um psicopata, ou até sobre relacionamentos tóxicos e abusivos, fica bem rasa e alguns momentos difícil de seguir. Li por ler. Como comecei tinha que acabar. E não mudou nada em minha vida.

Como já disse, difícil imaginar que tenham feita uma serie deste livro. No máximo daria um filme. Mas lá fora o livro fez tanto sucesso, que a autora acreditou em seu potencial e escreveu uma continuação chamada Hidden Bodies. Joe é novamente seu personagem principal.

Pensando se vale a pena conferir a serie ou não.

E você já leu o livro?  Ou viu o filme? Acha que vale o esforço? Deixe seus comentários.

E se você curte thrillers psicológicos e livros de suspense, não deixe de ler nossa lista de Thrillers lidos em 2018 https://mundohype.com.br/listas/thrillers-lidos-em-2018/

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