Review | Uma Mulher na Escuridão, de Charlie Donlea

Alguns escolhem a escuridão; outros são escolhidos por ela

A Mulher na Escuridão é o 4º livro do escritor de suspense Charlie Donlea a ser lançado no Brasil pela Faro Editorial.

Desta vez o livro do autor tem uma pegada um pouco diferente.

Diferente de seus outros livros onde o objetivo é descobrir quem é o assassino, em A Mulher na Escuridão temos a estória de duas mulheres que enquanto investigam um caso com uma diferença de 40 anos, acabam descobrindo informações sobre suas próprias vidas.

Como os outros livros de Charlie Donlea, logo no primeiro capitulo já temos a cena de um crime, onde um homem sente prazer enforcando mulheres em uma estranha maquina de tortura.

Estamos em 1979, onde conhecemos Angela Mitchell.

As emissoras de televisão informam que existe um assassino serial chamado Ladrão, matando mulheres em Chicago.

Ele é chamado assim, porque na verdade as mulheres estão desaparecendo,  sendo que até o momento somente um corpo foi encontrado.

Angela é uma mulher solitária. Casada, dona de casa, mas cheia de manias tipicas de quem tem TOC, ou até autismo, que incluíam até autoflagelação.

De repente se vê obcecada com o caso.

A partir de recortes de jornais, a pacata dona de casa,  passa a fazer uma investigação e consegue encontrar um padrão para os crimes. Porém, após enviar suas evidencias para a polícia, ela desaparece e tudo leva a crer que ela foi morta pelo Ladrão.

40 anos depois, em 2019, conhecemos Rory Moore.

Ela é uma mulher cheia de tiques nervosos e Donlea cria uma personagem incrível, pois conseguimos sentir todos os maneirismos de Rory, desde suas roupas que beiram um uniforme, até a maneira de viver quase isolada, sentindo dificuldade em ser tocada até num aperto de mão. Ela é advogada, mas não consegue exercer a profissão, pois não tem um perfil socialmente ajustado.

Mas além destas características, existe uma mulher extremamente inteligente que tem o dom de conseguir refazer uma cena de um crime enxergando detalhes que ninguém conseguiu perceber.

Rory está prestes a começar um novo caso a pedido de um policial amigo, quando seu pai, que era advogado, falece.

Como não tem o perfil para exercer advocacia, a intenção de Rory é encerrar o escritório, conversando com os clientes e transferindo todos os casos que o pai vinha tratando para outros escritórios de advocacia da cidade.

Porém existe um caso cujo julgamento está no final, e o juiz responsável pelo processo,  exige que Rory termine o serviço de seu pai.

Este “serviço” é exatamente o caso do Ladrão. Ele foi condenado em 1979  e logo sabemos que somente pela morte de Angela Mitchell.

Porém ele sempre alegou inocência. Não foi possível condena-lo pelos crimes das outras mulheres, porque os corpos nunca foram encontrados, assim como o de Angela também.

Agora, depois de 40 anos, ele está prestes a ser liberado da prisão, pois teve sua pena reduzida por bom comportamento.

Porém, ao mexer nos papeis de seu pai, Rory percebe que ele esteve trabalhando para o ladrão durante estes 40 anos.

No inicio era um advogado tentando livrar seu cliente da cadeia, mas com o passar dos anos, fica claro que a função de seu pai era descobrir se Angela estava viva ou não, já que o Ladrão fora condenado somente por este crime, mesmo sem provas mais contundentes, como arma do crime ou mesmo o corpo da vitima.

Charlie Donlea gosta de criar narrativas diferentes e aqui ele consegue de novo.

O primeiro grande mistério do livro é saber quem é o Ladrão, pois no começo sabemos que ele está para ser solto, mas só lá pelo meio do livro é que descobrimos sua identidade. E quando a identidade do mesmo é revelada, fica a pergunta: Será que prenderam a pessoa correta? E o que terá acontecido com Angela? Ela foi assassinada ou fugiu? E será que o pai de Rory estava realmente se esforçando para que seu cliente fosse libertado?

Rory segue atrás destas respostas, porém a verdade que ela encontra é muito mais chocante do que ela podia imaginar.

Diferente de seus outros livros, desta vez o autor já nos dá diversas dicas desta verdade, e nós leitores vamos percebendo o que está acontecendo antes da personagem do livro. Mas o que poderia diminuir nosso interesse na leitura acaba tendo um efeito contrario, pois já nos apegamos tanto a personagem, que ficamos tensos esperando qual será a reação de Rory quando ela perceber tudo o que seu pai lhe escondeu.

Um livro menor do autor com certeza, mas ainda assim, bem interessante, devido as duas personagens femininas criadas por Donlea e que são muito diferentes de outros livros do gênero, o que já faz a leitura valer a pena.

Infelizmente para mim perdeu um pouco de pontos por ter deixado algumas pontas muito soltas, algo que Donlea já tinha melhorado em seus últimos dois livros (Deixada para trás e Não Confie em Ninguém),  mas nada que estrague a leitura.

Leia e tire suas conclusões.

E você, gosta de livros de suspense? Qual seu livro favorito?

E já leu algum livro do Charlie Donlea? Qual gostou mais?

Já leu as outras resenhas dos livros dele aqui no nosso site?

Vamos conversar nos comentários.

E não se esqueça que temos muitas outras indicações, clique aqui e conheça um pouco mais.

E Curta o Site Mundo Hype nas redes sociais, compartilhe com amigos e continue por aqui.

 

 

 

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here