Review | Uma Herdeira Apaixonada, de Lisa Kleypas

Uma herdeira apaixonada é o quinto e penúltimo livro da coleção Os Ravenels publicado pela Editora Arqueiro. Lisa Kleypas, autora da série, não deixa a qualidade e nem a fluidez da série cair nesse livro, nos entregando uma história sensível e engraçada na mesma medida.

Nesse livro temos como protagonista West Ravenel, um antigo personagem coadjuvante que sempre arrancava boas gargalhadas em suas aparições nos livros anteriores. também pudemos acompanhar sua mudança ao longo da série, de um bêbado fanfarrão a um dedicado ‘fazendeiro’. A outra protagonista é Lady Phoebe, filha do Casal Evie e Sebastian, casal já conhecido do livro Pecados no Inverno e que voltaram a aparecer no livro Um Acordo Pecaminoso.

Graças a Deus, odeio conversas estimulantes. Minha mente tem a profundidade de uma poça d’água.

A história de Uma herdeira apaixonada começa com o casamento de Gabriel St. Vincent, irmão de Phoebe, com Pandora Ravenel, prima de West. Lady Phoebe era uma viúva que estava começando a retornar para o convívio social, enquanto West estava apenas continuando sua vida na casa da família Ravenel, cuidando da terra e de seus arrendatários. O primeiro encontro do casal faz com que uma chama seja acesa entre eles, mas, ao Phoebe descobrir que West dificultou a infância de seu falecido marido na escola, barreiras acabam sendo criadas entre o casal.

Nesse livro lidamos com praticamente um instant love, mas que não me incomodou muito porque a ambientação dos personagens deixou isso mais palatável, visto que Phoebe a muito não tinha contato com outros homens além de seu administrador e  seus familiares. Além disso, como já disse, vimos a mudança de comportamento de West ao longo de quatro livros, e de como ele melhorou. Mas as coisas não acontecem rapidamente, e a história se desenrola ao longo de meses (uma coisa para variar nesses instant love).

Apesar do inicio meio atribulado do casal, atribulação essa vindo de barreiras estranhas impostas pelos dois lados, o romance deles se desenrolou naturalmente, não foi nada forçado por situações mirabolantes que podem estragar uma narrativa. Foi possível os dois aprenderem a lidar com os próprios medos e problemas para enfim poderem se entregar de verdade um ao outro.

_Se o herói não apareceu, talvez você tenha que se contentar com o vilão.

_Se foi o vilão que apareceu, então ele é o herói.

Gostei da mudança de atitude da Phoebe ao longo do livro, que para de aceitar as coisas pacificamente e passa a decidir ter voz ativa pelo seu próprio futuro, indo atrás do que deseja (principalmente se foi tirado de dentro da casa dela). Ela não foi já jogada na história assim. A partir de conversas com West ela passou a entender que poderia fazer bem mais para si e para os filhos, e passa a tomar as próprias decisões. Outra coisa que gostei dessa personagem é que ela foge do padrão virginal de mocinhas de romances de época, pois já foi casada e não é tão inocente quanto as mocinhas com as quais estou acostumada a ler por aí. Além disso, ela carrega marcas de vida, de que já amou e foi amada pelo marido que morreu.

_Não vou perguntar a opinião de mil pessoas – disse Phoebe, com serenidade.  – Basta uma única opinião, que, por acaso, é a minha.  –  Ela se encaminhou para sair, mas parou à porta e não resistiu: – Isso é liderança.

Outro ponto alto que já tinha gostado no livro Um acordo pecaminoso e voltou em Uma herdeira apaixonada é a aparição do melhor casal de romance de época de todos os tempos (na minha nada humilde opinião): Evie e Sebastian. Como pais do noivo Gabriel e pai da protagonista, Sebastian não deixaria de aparecer nesse livro. E, quando aparece, rouba todo o protagonismo para si. Sempre é gostoso matar a saudade de antigos personagens que passamos a amar, e com esse casal não foi diferente.

_De tempos em tempos, talvez eu ajuste uma situação para obter o resultado desejado para os meus filhos, mas isso não é se intrometer.

_Como chama, então?

_Cuidado de pai.

Uma herdeira apaixonada é um livro engraçado, espirituoso e que conta uma bela história de amor de um casal improvável, que tem um passado de barreiras (autoimpostas) mas que conseguem se superar para serem felizes juntos. Cuidado ao ler na rua para não acharem que está louco ao rir sozinho com um livro na mão.

P.S. Tom Severin aparece com um pouco mais de importância nesse livro, e já estou curiosa para saber sobre a história dele e da Cassandra Ravenel no último livro da série.

Confira também a matéria que fiz sobre os livros anteriores da série:

Nova série de Lisa Kleyplas traz a história da família Ravenel

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