Review | Titãs – Volume 1 (Renascimento)

Wally voltou. Wally foi o Kid Flash e um Titã, porém ninguém lembra dele. Entre todas as séries que estão sendo lançadas para o Universo DC Renascimento, Titãs, poderia ter ficado a sombra de Superman, Batman, Arqueiro Verde, Flash, Mulher-Maravilha… Entretanto, o volume que a Panini lançou recentemente com as edições Titans números 1-6, Titans: Rebirth número 1 (one-shot) mostra o contrário, a série tem brilho próprio e traz, após os difíceis anos dos Novos 52, uma retomada da equipe que conhecíamos.

Diferentemente de outros reviews, onde exaltamos os pontos positivos, as razões para ter este volume, abordarei primeiramente o que temos de negativo e o que poderia espantar a sua leitura. Trato das ilustrações de Brett Booth que realiza um trabalho caótico, cujas composições de página e suas figuras estilizadas que lembram a anorexia afetam o trabalho de Dan Abnett. Booth, para a impressão geral, é daninho, para este primeiro tomo. A HQ a nível visual está ancorado aos anos 1990, pelos traços que o desenhista compõem sem equilíbrio, o que faz merecer ignorar Booth e centrar nos demais artistas do volume. Norm Rapmund e Andrew Dalhouse que arte-finalizam e colorem as edições conseguem o tom ideal para cada personagem, cujos novos uniformes é, para mim, o que o desenhista melhor fez para este volume.

Sobre o roteiro, temos o melhor do volume. Titãs é uma história de um reencontro. Titãs é a continuação do que lermos na edição que apresenta o Universo DC Renascimento quando Wally se abraça a Barry (O encontro dos Flash). Titãs é uma peça importante do enorme quebra-cabeças que Geoff Johns, com a ajuda de uma boa equipe de roteiristas, está tecendo. E há motivos que ajudam a entender o bom trabalho da Abnett constrói ao longo dessa compilação.

TITÃS - MUNDO HYPE

O primeiro é o que Abnett faz ao retratar Wally West. Fornece um plano de fundo emocional e afetivo com o personagem para poder transferir para o leitor o que Wally está sentindo. Alegria, medo, frustração … não é em vão que Wally é o fio-condutor do enredo e principal protagonista deste arco onde será posto à prova por um vilão assustador.
A equipe enfrenta Kadabra, um mago que usa tecnologia e é capaz de levá-los ao limite para mostrar seu poder oculto por tantos anos. Temos a visceralidade com que o vilão ataca a Wally e a exlicação de forma clara do que ocorreu como herói. Se Kadabra mente? Não sabemos. Fica a pergunta se ele é uma marionete de alguém envolto nas sombras. Seja como for a ameaça de Kadabra é bastante intensa e leva Wally e seus amigos a um confronto sem igual, lembrando bem aqueles contra Doutor Luz, Exterminador ou a COLMEIA.

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A narrativa de reencontro é bastante emotiva e assenta as bases para acontecimentos futuros, no que não importa qual vilão atacará a equipe e sim o relacionamento entre Wally e eles e como o personagem desaparecido seguirá num universo que ninguém se lembra dele. Enquanto Abnett usa uma narrativa bem simples ( como a forma que Wally induz as lembranças de seu passado aos seus companheiros titãs), o tom em geral deste arco é épico.

Os Titãs mereciam uma série como essa e um roteirista como Abnett. A forma que trata cada titã é cativante, mesmo com a simplicidade apresentada de suas personalidades, consegue mostrar muito bem e de maneira orgânica as interações que cada um dos personagens possui ao longo do volume. Uma narrativa que mantém o ritmo do início ao fim, em especial em um dos momentos mais importantes do personagem Wally West, que retorna em busca de reconhecimento de todos.

E como fã dos Novos Titãs, os Titãs estão no páreo de melhor HQ do Renascimento, mesmo com os traços de Booth.

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REVER GERAL
Nota
8
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