Review| The Promised Neverland #2, de Kaiu Shirai e Posuka Demizu

Ganhar a aprovação do público japonês e manter o sucesso é um trabalho digno de admiração. Já tratamos dessa particularidade, em relação a The Promised Neverland, pois várias séries tentaram e poucos conseguiram. Mangá lançada em 2016, que combina o roteiro de Kaiu Shirai e a arte de Posuka Demizu, e, hoje, seus nove volumes atingir 5 milhões de cópias impressas. A Panini não perdeu a oportunidade para publicar este trabalho promissor, que também foi adaptada em anime, com o sucesso do mangá.

A confiança é algo que prezamos como importante em momentos diversos. Quando somos jovens, essa qualidade é concedida automaticamente; e ganhá-la ou perdê-la parece estar à mercê da sorte. Mas quando a confiança se perde, recuperá-la é uma tarefa complicada. E neste segundo volume de The Promised Neverland, Shirai transforma-a em protagonista.

Kaiu Shirai usa da máxima “Quando se perde a credulidade, tudo se desconfia,  absolutamente tudo.” E na segunda edição é o que iremos encontrar. Se tudo for uma mentira? Se tudo aquilo, fosse pela sobrevivência, mesmo sendo tão horrível? Interpretações que surgem, conferindo ao mangá mais suspense e tensão. Um novo olhar que levanta mais dúvidas do que respostas e que fará com que o leitor revise cada um dos detalhes apresentados até agora; de uma maneira que perdemos a confiança de nossas impressões anteriores.

Depois dos acontecimentos narrados no primeiro volume de The Promised Neverland, os órfãos do Grace Field House estão em maus lençóis. O preço poderá ser as suas próprias vidas e Mãe Izabella e Irmã Krone, duas personagens que darão trabalho, antes de enfrentarem seu verdadeiro inimigo, os demônios que esperam fora do orfanato. Criaturas bestiais, apresentadas no primeiro volume, que se alimentam de crianças criadas nas fazendas que elas chamam de lar. Emma, ​​Norman e Ray embarcam em um um novo objetivo. Pretendem salvar todos os seus irmãos, mas o cenário e o tempo são dois fatores não estão a seu favor.


O trio começam a entender a real situação, como os “vilões” agem e articulam um plano para escapar, entretanto lidar com isso dentro do orfanato é complicado. Com menos de dez dias para fugir de lá, antes da próxima colheita, terão que fazer com que todos os órfãos ajam em uníssono e sem realmente saber o que estão fazendo, pois o sentimento que nutrem por Mãe Izabella pode acabar com o plano. E a estratégia é treinar seus irmãos e sair de lá de uma forma inteligente, sem serem sequer questionados. E será através de um jogo infantil, mundano e sem apelo, um pega-pega. O mangaka surpreende com elementos simples, mas que atuam como uma faca de dois gumes, se afastando da abordagem extremamente visceral do primeiro volume. Além disso, insere um novo obstáculo aparece: um traidor entre eles.

Não apenas um traidor é apresentado, mas novos locais e segredos são descobertos. Há a impressão que o orfanato apareça como um novo cenário. Assim, ao contrário de outros Shonen Jumb, The Promised Neverland é um cenário pós-apocalíptico, focado na fuga, sem aquela de  “um novo vilão aparece de repente”, cada ação tem consequências o que  significa que a narrativa é limitada por sua própria mecânica para um shonen convencional.


Em nível artístico, The Promised Neverland # 2, como no primeiro volume da obra, a ilustradora oferece um estilo visual refinado de grande qualidade. Usa um traço fino para dar forma a todos os elementos do trabalho, tanto os cenários como os contornos de seus personagens. Alguns personagens têm um design tão característico quanto incomum, mas o que mais chama a atenção são os registos expressivos – de grande importância. O ilustrador compõem as páginas com vinhetas e balões numa grande variedade que tornam a leitura dinâmica.

A edição continua com uma narrativa cheia de surpresas, tensão e suspense. Um mangá que brinca com o horror/psicológico de uma forma interessante, cheio de reviravoltas e um plot twist que promete enveredar numa trilha incrível. Vale a leitura. 

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