Review | Super-Homem & Tarzan – Filhos da Selva, de Chuck Dixon e Carlos Meglia

Review | Super-Homem & Tarzan – Filhos da Selva, de Chuck Dixon e Carlos Meglia

Tarzan e Super-Homem devem ser provavelmente os dois ícones mais representativos da cultura popular do século XX. Independentemente do local que você visitar, com certeza, grande parte todos poderão reconhecer facilmente o logotipo do Homem de Aço ou a imagem do Rei das Selvas. Compartilham muitos padrões e recursos comuns, são órfãos tentando encontrar seu caminho no mundo.Tarzan anseia pela vida de um homem normal e o Super-Homem desejam ser abraçados pela humanidade. No entanto, foi apenas no final de 2001 que um projeto reuniu  reuniu esses dois heróis dos quadrinhos, da literatura e do cinema na mesma aventura.

No caso, Super-Homem & Tarzan – Filhos da Selva, publicada em 2002 por aqui pela Pandora Books, no formato americano, com 76 páginas, com roteiro de Chuck Dixon e arte de Carlos Meglia para a Dark Horse Comics.

Uma proposta fraca que, de certa maneira, falhou em medir o que deveria ter sido algo histórico pela representatividade dos dois personagens. Por sorte, Tarzan teve melhor sorte em outros encontros com personagens clássicos com os quais compartilhou aventuras, como foi com o Batman em Claws of the Cat-woman (Batman e Tarzan – Nas Garras da Mulher-Gato, 2000).

SINOPSE: O que aconteceria se o Homem-Macaco nunca tivesse nascido na selva? Ou seja, se seus pais aristocratas, durante aquela fadítica viagem de navio, nunca fossem abandonados por amotinados na costa africana, onde ele nasceu? E se a nave que levava o último sobrevivente do planeta Krypton tivesse aterrizado não em Kansas, mas nas selvas africanas do ínicio do século XX?

Em Filhos da Selva, temos um roteiro sem inspiração de Dixon, já renomado autor “deus ex machina” das aventuras de Batman de 1992 a 2002, com as ilustrações do argentino  Meglia. Dixon estava escrevendo um outro crossover para a Dark Horse, o encontro do Superman com os Aliens, e como a equipe de arte precisava de mais tempo, o editor Scott Allie decidiu repassar a ideia de trocar as origens do Superman e do Tarzan, enquanto os artistas do projeto Aliens chegavam ao prazo.

O projeto elseworlds da Dark Horse e da DC nesse caso não foi bem combinado. A base da narrativa já tinha sido acordada pela Dark Horse e ERB Inc e Dixon teria que criar um roteiro que entendesse a história desses dois homens deslocados que compartilham um destino comum. Dessa maneira o roteirista do Batman só acrescentaria uma abordagem simplista para composição da narrativa

O roteiro imagina como seria a vida do Superman se sua nave não caísse em Smallville e sim numa selva africana. A chegada de Kal-El ao planeta Terra salva o casamento dos Greystoke de piratas e o verdadeiro Tarzan se cria na civilização inglesa se tornando um entediado jovem aristocrático. Seus caminhos se voltam a cruzar na selva africana numa aventura que muda o destino de ambos os homens.

Dixon incorpora elementos das duas primeiras histórias de Edgar Burroughs e personagens como Jane Porter e a sacerdotiza La, da cidade de Opar, ao qual neste conflito Lois Lane aparece. A história tem sua complexidade, mas como proposta de aventura o crossover não chega a convencer.

A ideia de trabalhar o enredo dentro do conceito de Elseworld não beneficiou o personagem principal de Burroughs que ficou completamente ofuscado neste relato. Na intenção de apresentar John Gresystoke como um jovem milionário que não encontra satisfação na vida se desperdiçou por completo  que no encuentra satisfacción en la vida se desperdició por completo un héroe clásico que termina por sobrar en esta trama. Portanto, o evento que Kal-El funde os conceitos dos dois personagens em um mesmo papel gerou a ineficiência do filho de Lorde Greystoke no conflito da história.

Em relação a arte, Meglia faz painéis que reincriam a selva de Tarzan, bem como os imponentes cenários urbanos de Londres e Paris. Seu estilo de desenho pode parecer meio que deformado para os personagens, mas os cenários são bem feitos. Ao colocar os balões de diálogo em meio a uma cena, não segue um padrão, comum em outras HQs, o que poder acarretar estranheza aos leitores.

Mesmo que Super-Homem & Tarzan – Os Filhos da Selva (Children of the Jungle) não tenha proporcionado a grande história que se esperava com esse crossover, ainda é uma raridade interessante para ler se você gosta de Tarzan ou do Super-Homem.

Sobre o autor

Cadorno Teles
Professor de Ciências Biológicas e Física, Historiador, idealizador do Canto do Piririguá, astrônomo amador e curte Mestrar RPG e jogar um bom boardgame/videogame.

Leia mais Reviews

Review | Esplendor da Honra, de Julie Garwood

Depois que li A Lady de Lyon da autora Julie Garwood, sabia que teria que ler outros livros dessa autora sensacional. E logo tive...

Review | Malorie, de Josh Malerman

Malorie de Josh Malerman, continuação do best seller Caixa de Pássaros foi o grande lançamento da Editora Intrínseca neste mês de julho. Em um ano cheio...

Review | A Canção de Sangue (Série A Sombra do Corvo 1), de Anthony Ryan.

A Leya recentemente lançou um comunicado sobre uma retração no gênero fantasia, justificando o abandono da publicação dos livros de Brandon Sanderson e de...

Review | Pecados Noturnos, de Islay Rodrigues

Pecados Noturnos é um romance de época da autora brasileira Islay Rodrigues. Esbarrei nesse livro por acaso e, depois de ler a sinopse, entrei...

Review | A Garota do Calendário (Janeiro)

Atenção, a review abaixo é escrita a base de ironia, deboche, sarcasmos e tudo que pode habitar num coração geminiano! Pois bem, A Garota do...

Review | Esplendor da Honra, de Julie Garwood

Depois que li A Lady de Lyon da autora Julie Garwood, sabia que teria que ler outros livros dessa autora sensacional. E logo tive...

Review | Malorie, de Josh Malerman

Malorie de Josh Malerman, continuação do best seller Caixa de Pássaros foi o grande lançamento da Editora Intrínseca neste mês de julho. Em um ano cheio...

Review | A Canção de Sangue (Série A Sombra do Corvo 1), de Anthony Ryan.

A Leya recentemente lançou um comunicado sobre uma retração no gênero fantasia, justificando o abandono da publicação dos livros de Brandon Sanderson e de...

Review | Pecados Noturnos, de Islay Rodrigues

Pecados Noturnos é um romance de época da autora brasileira Islay Rodrigues. Esbarrei nesse livro por acaso e, depois de ler a sinopse, entrei...