Review | Radiant 1, de Tony Valente

Hoje, é quase impossível inovar dentro de um shônen. Parece que praticamente tudo já foi abordado. No entanto, há trabalhos que trazem um ar fresco ao gênero, seja por seus personagens, suas aventuras ou seu estilo gráfico. Este é o caso de Radiant, o novo trabalho de Tony Valente, que a Panini publicou recentemente sua primeira edição.

Seth é um garoto da área de Pompo Hills que deseja se tornar um grande feiticeiro. Como todos os feiticeiros, ele é um “infectado”, um dos poucos seres vivos que sobreviveram ao contato com os Nêmesis, os monstros que caem do céu dessa terra mística, contaminando e dizimando tudo o que tocam. Com sua aparente imunidade, ele acaba virando um caçador de Nêmesis, o que o leva à missão de procurar o Radiant, sob o terrível olho da Inquisição…

Radiant começou a ser publicada na França em 2013 sob o selo de Ankama Editions, tendo até agora 4 volumes publicados.  Desde a primeira edição foi um verdadeiro sucesso de público e da crítica, recebendo prêmios como o Best Manga Style Comic no Anime & Manga Grand Prix de 2014 e o Best Manga Award concedido pela imprensa francesa.

O que Tony Valente não esperava é que seu trabalho atraísse a atenção dos editores japoneses, dando-lhe a oportunidade de realizar o sonho de todo autor de mangá ocidental: publicar no Japão. E em 2015, Radiant ganhou edição pela Asukashinsha, chamando a atenção de mangakas como Hiro Mashima (Fairy Tail) ou Yusuke Murata (One Punch-Man).

O manfra, como podemos chamar o mangá francês, possui todos os elementos típicos dos shônen de aventura: um cenário fantástico, com criaturas temidas de origem desconhecida, lutas e magia. Se trata mesmo do arquiconhecido Caminho do Herói característico do gênero, é uma narrativa que não brilha peça originalidade, mais pelo bons momentos que o mundo mágico de Radiant passa ao leitor.

Bem ágil, a narrativa não tem pausas, temos mudanças de roteiro inesperadas, com as conhecidas situações engraçadas e momentos cheios de ritmo, como um bom mangá de aventuras. Por outro lado, as lutas se desenvolvem numa medida acertada, sem cair nas longas pelejas próprias do gênero.

Em geral, a edição faz o seu trabalho, apresenta as bases elementais do mundo e planta as principais incógnitas para a trama.Pode ser que para alguns fãs do gênero, não resultar muito original, mas Radiant é um autêntico homenagem ao  clássico.

Reimaginando os heróis do gênero

Se em Radiant a história é totalmente um shônen graças a seus personagens. O autor é um conhecedor do gênero, perceptível nos primeiros quadros que aparece o protagonista: Seth. Alegre, inocente, sonhador, bom de boca, um tanto preguiçoso e como não, mais poderoso do que se imagina, são alguns dos aspectos do protagonista da historia. Elementos que seguramente o leitor lembrará de seus heróis preferidos de mangás e animes.  Um personagem que facilmente colhemos empatia ao longa da história.

Do lado antagônico, temos os Nêmesis, criaturas gigantescas e destrutivas que cumplem seu papel na história. Sem dúvida,aparecerem outros “nêmesis” humanos e inesperados com muita presença e personalidade. Também não podemos esquecer dos secundários, seguramente conhecidos por quem gosta do gênero. Este o caso da enfezada mestra Alma, o inteligente e medroso temeroso Doc, a bipolar e sensual Melie e o misterioso e poderoso Lord Majesty.

Se a referência ao shônen é óbvia tanto na narrativa como nos personagens, no desenho não é menos. Se olharmos para Seth, temos a lembrança de GokuLuffyNatsu. Valente mesmo fazendo essa mescla, dá ao personagem um toque distinto que o faz único. Todos os personagens, em geral, tem as características e expressões desenhadas de acordo com sua personalidade. Mas o que mais se destaca é o detalhismo e as lutas, todos os quadros, por mais pequenos que sejam estão repletos de detalhes: desde moedas, casas, imagens, criaturas, veículos, até personagens que saem do plano de fundo. Por outro lado, as lutas possuem muito movimento graças a quantidade de linhas e efeitos, que dão a ação e dinamismo dos combates.

Conclusão

Radiant se trata de uma verdadeira homenagem ao shônen, o gênero mais popular do manga. Pode ser não tão original, acredito que nem seja sua intenção, e sim de entreter, divertir e comover como só os clássico shônen faziam. Com personagens com arquétipos do gênero, mas que possuem personalidade própria e que em poucas páginas lidas conseguem cativar. Somando a um traço que corresponde às obras japonesas, que chamou a atenção de Hiro Mashima e Yuusuke Murata, é um fascínio, em especial por ser Tony Valente um dos poucos autores privilegiados que conseguiu publicar no Japão, sem ser japonês. Assim, deem uma oportunidade a Radiant e aguardem a leitura do segundo volume.

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