Review | Prodígio: A Terra Maligna, de Mark Millar e Rafael Alburquerque

Mark Millar é um autor que surpreende. Com ele, não há opção para enganar o leitor. Aqueles de nós que já conhecem a obra do autor escocês há algum tempo sabem o que encontraremos ou melhor enfrentaremos quando começarmos a ler uma de suas obras. E com a Netflix apresentando seu Millarworld teremos adaptações que vão marcar a história do streaming. E não estamos tratando só de um cara com um grande número de fãs, mas pela abordagem intensa que trata em suas narrativas. Foi assim com Superior, já resenhada por nós aqui e agora apresentamos Prodígio: A Terra Maligna, publicação que marca a parceria do autor com o serviço streaming, e que chegou em 2019 por aqui pela Panini.

Assim, o que nos é apresentado no título não é algo tremendamente original. Há uma ameaça global que um cara com habilidades especiais tentará salvar o mundo. Nesta aventura, acompanhado por uma jovem atraente e mortalmente perigosa, viajará todo o planeta coletando pistas. Sua vida estará em perigo em algumas ocasiões, mas sempre terá sucesso mesmo naquele limiar de um segundo, graças à sua criatividade e habilidades especiais. Nada de novo, certo?

Bem, provavelmente seria, se essa HQ tivesse sido feita por um roteirista mais convencional, mas estamos tratando de Mark Millar e o que faz é levar tudo ao extremo (e além) para nos oferecer uma história onde o excesso é a norma e não a exceção. E temos o protagonista, Edison Crane, o homem mais inteligente do mundo. Bilionário. Cientista. Artista. Um gênio cujas habilidades excedem em muito as de qualquer outro ser humano em qualquer campo possível. E nem comparem com Bruce Wayne e até mesmo alguém como Ozymandias seria um bobo em comparação com o que Crane é capaz. E não é mutante ou cientista que sofreu um acidente de laboratório, é simplesmente um prodígio infantil que nasceu com um dom presente especial e soube como desenvolvê-lo à medida que crescia. Temos um Reed Richards com pinta de Will Smith.

Ainda criança já superava fisico-intelectualmente até mesmo os superdotados mais velhos do que ele. E aquilo que era visto como curiosidade, quando adulto se torna em algo que transcende até o gênero da fantasia. Crane confronta ameaças de natureza planetária, enquanto derrota campeões mundiais de xadrez e supera desafios mortais dos mais problemáticos, apenas colocando um sorriso no rosto de uma criança. Alguém como Edison Crane precisa de um rival a altura e temos um vilão que representa igualmente formidável como nosso herói, mas em um sentido bem diferente: o mal puro.

Com os dois antagonistas apresentados Millar nos apresenta cenas extremas, onde a ultraviolência e o molinismo são abordados sem enfeites nenhum. Além disso, acreditamos que o autor ao pecar em não ser original, com suas reviravoltas previsíveis ao longo da trama, seria uma maneira de ironizar o gênero de ação baseado no herói infalível, tipo o MacGyver em Profissão: Perigo. Não iremos tratar mais do roteiro, para não dar spoilers, mas temos sociedades secretas, uma invasão que mistura o scifi de HG Wells, um pouco de mistério e uma aventura a la Indiana Jones.

Millar conseguiu nos fornecer um protagonista que, apesar dos clichês e de algumas ideias sem sentido, a narrativa nos dá uma diversão despreocupada com a ação e o estilo dos anos mais simplistas de nossa vida. E a arte de Rafael Albuquerque desenvolve bem a trama, seu traço é alinhado e juntamente com a coloração de Marcelo Maiolo, confere uma qualidade de pintura às páginas. No desenho do brasileiro, o jovem Crane é um anjo com um brilho diabólico nos olhos. Quando adulto, seu Crane é uma figura imponente, dominando cada cena em que está, com posições imponentes e dinâmicas.

O volume Prodígio: A Terra Maligna (Prodigy 1: Evil on Earth) publicado pela Panini em capa dura contém 168 páginas coloridas com um tamanho de página de 26 x 17,2 x 1,2 cm. e inclui a tradução dos números de 1 a 6 da edição americana da série Prodigy. O volume também inclui as capas originais dos números contidos na compilação, além de algumas capas alternativas e as biografias dos autores envolvidos. Segue o padrão da Panini, bem caprichado por sinal.

De leitura rápida, despretensiosa, mas que proporciona entretenimento, caso o leitor não se importe com uma narrativa que apresenta exageros e clichês já repetidos em outras obras.

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